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segunda-feira, dezembro 29, 2008

O Ano das Viagens e Mudanças

Comecei o ano de 2008 em outro estado, Curitiba, foram, então, minhas primeiras férias em familia, ou pelo menos foi o lugar onde eu me senti mais mãe. Me encantei com a cidade, dei boas risadas da má sorte da minha família turista, passei fome, comi em boteco. mas não poderia ter me sentido melhor, não fosse o desanimo pelo trabalho que me cansava e pelo fato do meu filho só querer andar no meu colo.
Esse, foi também o ano das metas a serem alcançadas, o ano em que eu mais lutei para evoluir em meus objetivos, mas tãmbém foi o ano em que eu, pela primeira vez na vida, fiquei de DP na faculdade, tudo bem, nem tudo são flores na vida.
Foi também o ano onde eu realizei um antigo sonho, o de publicar algum de meus escritos, no dia 31/05 chorei de alegria a noite em meu quarto, folheando as páginas da antologia ENTRELINHAS, onde podia ver meu nome até mesmo na capa. Também foi o ano em que fui convidada pelo Professor Sergio Simka para participar de mais um livro o CONTOS PARA SE LER NA UNIVERSIDADE, esse me causou uma emoção maior, pois foi a primeira vez onde eu decidi não deixar minhas homenagens somente nas entrelinhas e dediquei minhas letras a alguém.
Também foi o ano onde meu filho conheceu seus bisavós da Bahia, essa viagem foi extremamente importante, pois se a que fui até Curitiba me fez sentir-me parte de uma familia que estava começando, esta teve um gosto de certeza de que família era o que eu queria para mim e para o meu filho. Eu precisei viajar para outro estado para descobrir que eu já não era a mesma menina de antes, nem a que roubava goiabas e muito menos a que ficava na praça paquerando os moços bonitos. Agora eu me sentia mais segura comigo mesmo, não chorava por perder festas, pois estava com o meu filho e é isso o que me importava.
Voltando para casa decidi passar um tempo com o meu querido companheiro, pena que fui estendendo esse tempo demais, mesmo tendo ficado desanimada com o que minha ausência tinha despertado nele. Creio que errei feio por pensar que poderia arrastar uma situação somente porque eu me sentia preparada. É, também fui muito egoista, principalmente com o meu filho e com a minha família.
Na faculdade fortaleci minhas amizades antigas e fiz novas, consegui enxergar em pessoas que me pareciam distantes anteriormente algo magnifico: Novas amigas com que poderia contar nas horas mais dificeis.
No campo profissional não poderia ter sido mais feliz, vivênciei experiências fabulosas que me fizeram crescer, compartilhei momentos magnificos com pessoas adoráveis. Vi meu trabalho fazendo a diferença de um jeito magnifico em crianças que todos julgavam sem chance.
Entrei num grupo de estudos que tenho certeza que me ajudará muito no futuro, comecei meu curso de inglês, mas creio que terei que retoma-lo com mais determinação depois.
Por fim, perdi algo muito impotante, meu amor, tudo ocorreu de um jeito tão egoista e frio que não tinha outro remédio senão cair em profunda tristeza e dor no espirito.

Começei o ano em outro estado e terminarei ele em outro, dessa vez novamente na Bahia, procurando sossego para o que me aguarda, calma e serenidade para enfrentar esse ultimo sonho perdido: o de ter um família com duas pessoas e um filho.
Nem sempre as coisas saem do jeito que queremos, mesmo assim não posso dizer que esse ano foi ruim, afinal, no meu lado particular fiz muitas conquistas, só espero ter a mesma força para conseguir aceitar a vida com suas mudanças inevitavéis.Mesmo assim, cada passo, sentimento, ação valeram a pena, nunca pensarei o contrário.

Desse ano guardo meu crescimento pessoal e a subida em mais um degrau rumo ao topo dessa escada sem fim chamada vida.

terça-feira, dezembro 16, 2008

Tempos

Houve um tempo onde eu me orgulhava dos meus cabelos longos
OS CORTEI
Houve um tempo onde eu achava que meus olhos eram puros
CHOREI
Houve um tempo onde meu sorriso era o gesto mais marcante do meu rosto
PAREI
Houve um tempo onde eu tive medo
CRESCI
Houve um tempo em que eu adimirava a Lua
AMANHECEU
Houve um tempo em que eu amei sem limites
PASSOU....

Hoje os tempos são outros, não há mais espaço para cabelos compridos, olhos puros, sorrisos, medos, adimirações ou falta de limites.
Estamos vivendo no tempo do crescimento, no tempo onde pessoas são sozinhas por não conseguirem se entregar a outros, mostrando a todos não somente seus defeitos, como suas qualidades.
Vivemos no tempo das paredes sexuais, onde só nos enconstamos por um unico objetivo: cumprir com as necessidades corporais, nada além. Sentimentalismo mata qualquer tesão, por isso todos fecham bem os olhos e cumprem seu sagrado dever.

È, os tempos são modernos, insanos, e eu vou me adaptando a este mundo como posso e apesar de tudo nunca vou deixar de viver a intensidade das coisas, pois o mundo pode ser desumano, mais eu não abro mão da minha essência.

quarta-feira, dezembro 10, 2008

Loucura Particular

Nunca acreditei na felicidade plena e bela, por isso vivi muito tempo me apegando a pequenos momentos felizes que valeram a pena.
Nunca acreditei na completa liberdade, pois somos presos por natureza, nem que seja a nossos próprios ideais estamos presos e não podemos fugir.
Fico observando as pessoas que passam por mim e fico feliz de saber que alguma marca deixo nelas. Bondade em excesso? Creio que seja coragem o suficiente de ser o que sou idependente do espaço onde eu me encontre.

Esses livros todos que nos cercam são tão belos,pois não nos pertencem, são pensamentos alheios, sonhos de outros, por isso parecem tão mais bonitos. Já lemos tantos livros e continuamos a ser a pior espécie de ignorantes, aqueles que julgam que sabem mais que os outros.
Sempre conversei com as pessoas mais simples, não por me ver maior ao lado delas, apenas por estas conservarem uma beleza tão pura que eu jamais voltarei a ter em mim. A gente sempre evolui, mas as vezes em direção oposta aos nossos desejos.

Quanto a morte... não gosto de falar no fenomeno em si, sei que é algo que acontecerá um dia e não preciso ficar criando metáforas para lhe propriciar beleza, ela vem, ela vai, assim como muitas coisas na nossa vida.

Quando digo que estou morta é porque uma parte da minha vida foi encerrada e outra há de vir. O que me aguarda no futuro? Não sei, se soubesse não seria futuro.

quinta-feira, dezembro 04, 2008

SÓ - Oswaldo Montenegro

Vontade de ser sozinho
Sem grilo do que passou
taça do mesmo vinho
Sem brinde mas por favor
Não é que eu não tenha amigos, não
Não é que eu não dê valor
Mas hoje é preciso a solidão
Em nome do que acabou

Vontade de ser sozinho
Mas por uma causa sã
Trocar o calor do ninho
Pelo frio da manhã
Valeu a orquestra se valeu
Agora é flauta de Pã
Hojé é preciso a solidão
Com a benção do Deus Tupã, ô menina
E a quem perguntar quando o vento sopra
Responda que já soprou
Mas o vento não traz resposta Acabou

DA flecha que passa rente
Cantor implorando um bis
cara que sempre mente
A feia que quer ser miss
Gaivota voando sob o céu
A letra que eu nunca fiz
Tudo é a mesma solidão
Mas dá pra se ser feliz, ô menina

E a quem perguntar quando o vento sopra
Responda que já soprou
Mas o vento não traz resposta
Acabou
E todo mundo é sozinho
ai de quem pensar que não
A moça com seu vizinho
Soldado com capitão
E resta a quem tá sem seu amor
Amar sua solidão

Hoje é preciso um uivo
De lobo na escuridão, ô menina
E a quem perguntar quando o vento sopra
Responda que já soprou
O vento não traz resposta
AcabouA
a quem perguntar quando o vento sopra
Responda que já soprou

quarta-feira, dezembro 03, 2008

LOST CAUSE

Sabes, eu tive um sonho...
Sonhei que teria um final onde pudessemos rir ao invez de chorar,
Sonhei com dificuldades que nos fariam perceber o quanto somos importantes um para o outro,
Acreditei na possibilidade de me transformar em um unico ser unindo-me a você.
De fato pensei que minhas letras poderiam ter sentindo, fazer sentido a mais alguém além de mim.
Queria envelhecer com dignidade ao lado de alguém que pudesse olhar cada marca do meu rosto e saber que em cada uma delas existia uma história de esforço compartilhado.
Mesmo em tempos de maior crise, acreditei nos pequenos momentos de futilidade, onde a gente se sente tonto, até mesmo imbecil por fazer tal coisa, sem saber de como essas coisas são profundamente importantes e significtivas.
Acreditei em milhares de letras desconexas, em tantos fundos de poços com a esperança de que eles nos levassem para cima, além da nossa compreensão.
Mas de fato, você não pertence a esse mundo e eu sou uma flor amarela e simples demais para se arrastar por ai.
Meu erro foi entregar-me de um modo tão completo e verdadeiro, agora sinto-me extremamente cansada, perdida, morta...

Lembro-me de um canção antiga, de fato, sinto que perdi as causas pelas quais lutei, sinto que esta doendo de uma forma que eu jamais esperei, mesmo tendo sido feita pra sentir dor.

http://www.youtube.com/watch?v=0GNcpuQePPA

segunda-feira, dezembro 01, 2008

No Parque

Sozinha como a muito tempo não me declarava, uma sensação estranha no estomâgo, seria a falta de comida? Provavelmente, quando o espirito se cansa o corpo responde e o meu no momento grita.

Mas o fato é que sentada ali, sozinha adimirando as pessoas, as águas das fontes que sempre são as mesmas mais se renovam, buscava encontrar forças para seguir.

O que me espera em casa?

Coisas novas, pois eu já não sou a mesma de ontem e amanhã não serei a mesma de hoje, essa é a vida a prosseguir.

Comendo uma açai (coisa banal), senti o gosto da sua saliva. Seria saudade?

Talvez, o costume unido ao desejo de não guardar rancor. Sou melhor que você? Não, apenas diferente, assim como a menina que faz pose para foto é um outro ser totalmente oposto a mim.

O que ficou de mim nesse final absurdo, se bem que tudo foi estranhamente absurdo, como poderia esperar um fim relativamente normal?

A luz do sol me deixa tonta, sinto meu corpo numa fraqueza impar. Naquela tarde me entregei a morte e vou seguir com a minha vida.

Caminho em direção ao ponto de ônibus para que possa conseguir chegar ao trabalho, na lata de lixo, junto com o pote jogo meu coração, já não precisarei dele para seguir.

Naquele parque morri dentro de mim.

quinta-feira, novembro 27, 2008

Compreendendo Kafka


Após passar anos a analisar a obra a metamorfose, de Kafka, finalmente consegui compreender o porque de comparar o ser humano confuso a um inseto repugnante, pois é exatamente desse jeito que me senti,quando descobri que enquanto eu me sentia um lixo, tinha um inseto gigante ao meu lado.

Não culpo ele por ter se instalado ao meu lado, se você se reduz a lixo só pode atrair mesmo insetos, seres nojentos que evoluiem desses para lavas.

O pior foi ter a certeza de que naquela noite de palavras malditas, não participei de um ato de amor, apenas copulei como um animal caçado que se entrega por não possuir forças.

Meu grito interior é bem mais alto, bem mais forte do que aquele que saiu da minha garganta como um ato de libertação.

Nunca se sabe ao certo quando se conhece alguém, neste mundo não vale a pena sonhar, nem sentir nada por ninguém. Nesse enorme açougue em que vivemos, onde o homem é lobo do homem, todos se preocupam com o seu bem estar e passam por pessoas como se estas fossem pedras em seu caminho.

Devagar vou me libertando daquela cama e deixando a grande barata para trás, com os pés para cima, sem movimento corporal algum, só palavras que saem da sua boca nojenta a falar de coisas impossiveis, fatos improváveis, metas que nunca irá alcançar por causa de seus braços curtos e sua instabilidade.

Se ao menos ela soubesse voar, mas nem pra isso ela serve, visto que é mais comodo permanecer em seu estado de inércia, sendo alimentado, cuidado, sem sequer se esforçar.


Agora entendo Kafka, me considero sua amiga intima, pois assim como ele eu vivi essa metamorfose. Mas esqueçam minhas palavras, esqueçam Kafka, vamos viver como seres indiferentes que se importam simplesmente, com aquilo que adimiram no espelho.

COVARDE


Esse sentimento que me invade,

Sinto-me um covarde

por aceitar você.


Tão sem graça,

Pequeno, não és nada,

Além de um menino tentando aprender


Seus medos e inseguranças,

Esperavas que fosses menos criança

e aceita-se o belo dom de viver.


COVARDE, sempre vais ser

Nunca irás crescer,

Eterno menino perdido no parque.

Fim da Estação


Em algum ponto distante me perdi,

Fiquei parada no meio do nada,

A dor de existir sentia em mim,

Terei perdido o trem e a estação?



Sou gelada,

Uma metade de vazio.

Sentindo enorme frio,

me entreguei a chuva da renovação.



Dias melhores viram,

Os mortos não reclamam.

Um dia eu vou florescer






quarta-feira, novembro 12, 2008

Retrato Sujo


Qual é a pior mentira que você já se contou?


Certamente a minha foi dizer para mim mesma que o passado jamais iria interferir no meu futuro.


Depois daqueles retratos todos tirados com a cara saudável e feliz, eu devia ter desconfiado que alguém olharia mais fundo, entraria nos porões da minha vida e descobriria minhas maldições.


Certamente um dos meus piores defeitos sempre foi achar que o mundo era perfeito e que todas as pessoas podem ser realmente felizes.


Eu não sou, muitas outras pessoas não são e mesmo assim, marcham por este mundo como sombras que tem de seguir de qualquer forma.


A vida por vezes me cansa, num dia desses de nervoso abri a janela e pensava em me jogar. Eu sei que não possuo asas, só queria me machucar e nunca mais me recuperar, sendo egoista a ponto de abondonar o mundo que pouco me aceitou.


Por azar não tive coragem, o vento gelado da noite me deixou tonta o cheiro das presenças ao meu lado eram fortes, jamais poderia alegar que foi por solidão.


Se eu pudesse desfazer algo que eu fiz, se eu pudesse retirar as palavras que um dia disse, talvez tudo não pareceria tão dificil, talvez a vida fosse mais aceitavel e meu caminho menos árido.


Eu todos os dias acordo pensando se não poderia ser outra pessoa, traindo a mim mesma para merecer respirar o mesmo ar que os demais. Desejei tantas vezes seruma grande mentira que agora cada vez mais nada sou.

segunda-feira, novembro 10, 2008

O Toque


NÃO! Me polpe do toque do teclado.

Estou menos disposta ainda a recebe-los vindos de uma caneta

Tem dias em que até o mais fervoroso poeta, simplesmente para tudo e vai dormir


Eu quero sim, um aperto de mão de um amigo

Um beijo carinhosos de meu filho

Quem sabe um abraço que mostre carinho?


O que eu preciso é tão pouco,

mas quando não se tem, torna-se precioso.


Se toque, me toque, ou esqueça de mim

para ser sozinha não preciso de companhia



Quem nunca sofreu sem carinho

decerto também nunca amou.


terça-feira, novembro 04, 2008

Iconoclasta


As mentiras cotidianas, o caos da falsidade diária, a arrogância concreta. Estava farta daquele ambiente, queria fugir para um local onde houvesse o mar, onde pudesse pisar na areia e sentir os grãos gelados da despreocupação ao seu redor.

Porém, morava na cidade com concreto ao redor e pesadelos na esquina, não sabia se portar como uma boa filha, tão pouco como uma boa figura de familia. Era o mostro de si mesma e se auto destruia desde o momento em que abria os olhos para o mundo.

O que fazer para ser igual?

Na verdade ela não queria ser igual, não pretendia ser como a mulher zelosa que cuida da casa como se esta fosse sua própria essência, mas ao mesmo tempo desejava ter um porto seguro onde pudesse se esconder do tempo e de suas tempestades internas.

Era uma mulher diferente, se acaso mulher era, um desses tipos apagados que anda com a cabeça pra frente e o sorriso no peito. Não gostava de sua imagem, mas também não desistia de si mesma.

O que dizer dessa figura? Como contar sua trágica historia?

Simples...


Um dia ela resolveu destruir tudo ao seu redor.

Pegou a garota dos seus pesadelos conjugais e a afogou em um balde de água cheio de petalas de flores azuis. Matou-a com a sua raridade intacta.

Alugou uma maquina dessas pesadas de construtor e de uma só vez lançou a grande bola de ferro em direção ao seu portão. A poeira que subiu da antiga construção tinha cheiro de liberdade, mas não deixou de sentir dor.

Chorando, rasgou seus poemas, escritos por ela, por ele, por todos aqueles que ousaram lhe desafiar em palavras e planos. Foi ousada ao se desfazer das palavras aceitando seu silêncio.

Matou seu amor maternal(infernal) e o transformou em algo maduro, entendeu que por mais que lhe doa o destino de seu rebento e crescer e ser livre. Desfez o nó, mas não o jogou de escanteio.

Por ultimo, olhou seu amado, aquele que lhe causava arrepios, dores de estômago e queimação na face, beijou seus lábios e o matou. Com sutiz machadadas desmembrou aquele corpo desejado, aquele ser amado foi destruido para nunca mais viver....


Depois de toda essa destruição, sentiu-se tonta e caiu no chão. Ao acordar, muito pouco lhe restava, mas em meio ao um imenso vazio algo brilhava. Era forte, intenso e caminhava em sua direção.

Aos seus pés pode ver um homem, não era aquele com quem sonhava, ele já não carregava aquela imagem desbotada, era outro, mas era, e estendia as mãos para ela em uma grande promessa de amor mortal.

Aceitou sua oferta, desistiu de destruir e resolveu construir uma vida verdadeira, sem fantasias ou falsidades, apenas a realidade. Neste dia deixou de construir seus sonhos em areia e passou a cultivar flores amarelas e simples em um jardim que era alimentado pelo ânimo infantil do fruto daquele amor: Seu filho.

quarta-feira, outubro 08, 2008

É O QUE ME INTERESSA

Abaixo posto a letra dessa bela canção de Lenine que traduz em belas palavras o momento pelo qual estou passando, entre futuro e passado, busco a lógica do meu presente.

É O QUE ME INTERESSA
Lenine

Daqui desse momento
Do meu olhar pra fora
O mundo é só miragem
A sombra do futuro
A sobra do passado
A sombra é uma paisagem
Quem vai virar o jogo e transformar a perda
Em nossa recompensa
Quando eu olhar pro lado
Eu quero estar cercado só de quem me interessa

Às vezes é um instante
A tarde faz silêncio
O vento sopra a meu favor
Às vezes eu pressinto e é como uma saudade
De um tempo que ainda não passou
Por trás do seu sossego, atraso o meu relógio
Acalmo a minha pressa
Me dá sua palavra
Sussure em meu ouvido
Só o que me interessa

A lógica do vento
O caos do pensamento
A paz na solidão
A órbita do tempo
A pausa do retrato
A voz da intuição
A curva do universo
A fórmula do acaso
O alcance da promessa
O salto do desejo
O agora e o infinito
Só o que me interessa

Daqui desse momento
Do meu olhar pra fora
O mundo é só miragem
A sombra do futuro
A sobra do passado
A sombra é uma paisagem
Quem vai virar o jogo e transformar a perda
Em nossa recompensa
Quando eu olhar pro lado
Eu quero estar cercado só de quem me interessa
Às vezes é um instante
A tarde faz silêncio
O vento sopra a meu favor
Às vezes eu pressinto e é como uma saudade
De um tempo que ainda não passou
Por trás do seu sossego, atraso o meu relógio
Acalmo a minha pressa
Me dá sua palavra
Sussure em meu ouvido
Só o que me interessa
A lógica do vento
O caos do pensamento
A paz na solidão
A órbita do tempo
A pausa do retrato
A voz da intuição
A curva do universo
A fórmula do acaso
O alcance da promessa
O salto do desejo
O agora e o infinito
Só o que me interessa

sábado, outubro 04, 2008

Miscigenação


Não se assuste com os contrastes dos meus traços,
Sou filha de um casal que se ama,
Neta de casais que lutaram pelo seu amor,
Descendente de um abuso sexual secular
Meus traços denunciam a maldade de antepassados
Minha pele carrega a dor de um povo,que apagado
Vive no grosso do meu sangue,
E na cor dos olhos da minha consciência.

Sensibilidade

Nessa manhã gelada sinto a necessidade de ser um Deus, pois só eles são imortais e frios como a mais bela das esculturas.
Queria ter o brilho da arte para aposentar o brilho do batom.
Queira uma vida menos futil e mais repleta de momentos clamos, onde poderiamos ficar abraçados e transformar o tempo num balanço leve de rede.
Sigo, pois, querendo, sem transfomar esse sentimento em pecado, sem subcerter minha vida de cidadã consciente e útil ao mercado de trabalho.
Mas a reflexão é necessária, os momentos em frente a folha em branco também. São neles que eu lavo a lama e saio enfrentado a manhã gelada, sabendo qye a grandeza das cousas sumples me espera no topo da vida.

terça-feira, setembro 23, 2008

Indagações

Será que tudo valeu a pena?
Um livro rasgado,
versos desmotivados,
Perdi o bonde e a esperança...

Pergunto-me agora:
- Onde foram parar os meus sonhos?
Estão todos guardados em um anel
esquecido no tempo e no vento

Ser mulher por vezes me cansa
Ser mãe as vezes me cansa
Ser humano por vezes me cansa
Queria tanto um coração digital...

Toma tua arrogância,
eu já não preciso dela
Tenho meus próprios defeitos
e com eles vou vivendo

Por vezes tudo que eu queria era um cigarro
desses baratos cheios de esquecimento
Faria com sua fumaça voar meus pensamentos
e sonhos desfeitos com o amargo tempo

terça-feira, agosto 26, 2008

Olhos Azuis

Creio que nunca tinha visto teus olhos de tão perto, foi como se naquela noite você me olhasse pela primeira vez nos olhos.
Desculpa te fazer sofrer, queria tanto que um dia você me olhasse com alegria, mas tudo que pude observar foram olhos azuis rodeados de vermelho sangue que pareciam estar a um passo da morte naquele instante.
Cristina nunca tinha sentido algo tão confuso, sabia que era por natureza confusa, mas não sabia que podia sentir um aspecto fisico com tanta intensidade. Em sua memória, perguntava a si mesma:
- O que será que eu estou fazendo com você.
Ela não consiguia entender porque tocava tão profundamente uma alma que até então parecia inatilgivel. Foi como se num instante o principe encantado ao encontrar-se com o dragão reconhecesse que nada poderia fazer contra ele, pois era apenas um homem.
As figuras imaginárias naquela noite se diluiram, nada mais seria como antes, pois da simbologia infantil, Cristina passou a enxergar com olhos que realmente enxergam a verdade através das coisas.
A única coisa na qual pode pensar, foi em abraçar seu principe sem coroa demostrando seu afeto, pois quando as palavras não bastam nos apegamos aos atos que falam mais do que supõem nossa vã filosofia.

terça-feira, agosto 12, 2008

Herdeiro das Palavras

Quando eu te vejo sinto uma felicidade tão pura. gosto de olhar teu rosto e perceber alguns traços meus. É como olhar no espelho e se ver diferente, sendo uma pessoa com vestigios de outra.
A cada passo novo, uma sensação de orgulho, cada palavra dita com maior dicção me faz ver em você meu futuro.
Meu herdeiro das palavras, sabia que um dia você vai perceber que essa pessoa sólida que te carrega nos braços e te acaricia cantando até vê-lo dormir não passa de um simples punhado de palavras?
Sinto em não poder te ofertar nada além disso, mas sou assim, me fiz grande atráves de palavras simples. Até mesmo você, querido, começou sendo um amontado de palavras em minha vida, eu mal te sentia e já direcionava palavras a você.
Por vezes eu fico de longe te adimirando, reparando em pequenos gestos seus, num sorriso que demostre maior felicidade ou até mesmo no jeito com que as lágrimas escorrem por seu rosto. Tudo em você parece tão perfeito, sinto que de todas as obras que já escrevi,você foi a mais perfeita que criei, pois só em você consigo enxergar minhas palavras solidificadas e vestígios de um amor tão grande e complexo que as vezes me ultrapassa por ser eu uma pessoa limitada e meus sentimentos do tamanho do mundo.
Quem é você?
Uma pergunta que cabe a você, a cada novo ano responder, mas eu gosto de chama-lo, carinhosamente de meu filho.
DEDICO ESSES ESCRITOS A MEU FILHO NICHOLAS GOMES BRITO, QUE NO ULTIMO DIA 09 COMPLETOU DOIS ANOS DE EXISTÊNCIA, ALGO MELHOR QUE A VIDA, POIS É TENDO A CERTEZA DA EXISTÊNCIA QUE PODEMOS DIZER QUE VIVEMOS.

quarta-feira, agosto 06, 2008

A Espera

Não conseguia mais suportar aquela situação, como podia continuar a ter esperanças se metade importante dela era desacreditado tão cruelmente?
Por anos esperou um sinal de que as coisas iriam mudar e por fim aquela existência teria um sentido positivo, mas nada mudava, tudo continuava absurdamente igual.
Para ela, amor implicava em aceitação e por anos aceitou as qualidade e defeitos alheios com a esperança de reciprocidade. mas tudo o que via era uma pessoa absurdamente egoista que sentia, sim, algo por ela, mais não forte de maneira que fosse capaz suportar todas as crise.
Naquele dia resolveu não pensar no passado e nem no futuro, apenas atravessou a rua de olhos fechados e se foi.

quarta-feira, julho 30, 2008

Revivendo

Levantou da cama como se fosse outra pessoa, correu para o banheiro, pois andar naquela manhã seria impróprio. Tomou seu café com a alegria de quem faz a primeira refeição após um longo jejuar. Caminhou pela rua de chinelas para sentir o vento batendo em seus pés,soltou os cabelos para sentir-se bela como a muito tempo não se sentia.
Sua felicidade era brilhante e tinha o sabor de seu chocolate preferido, aquele que a tempos não comia. Andou de volta até sua casa e ao chegar lá ficou olhando-a como se aquele imóvel não lhe fosse familiar, caminhou até a porta e quando entrou em casa deu um grito, não foi um grito de espanto, mas um desses sons que a gente solta quando está explodindo de alegria. Naquele momento, sentiu a mesma sensação que a criança sente ao nascer: a alegria do desconhecido familiar.
Desde aquele dia, Natália passou a ser feliz, pois depois de anos lutando contra a anorexia, finalmente nascera para a vida, descobrindo que a real beleza se esconde nas pequenas coisas que conseguimos sentir.
Quanto ao espelho....
Esse passou a ter menos importância diante da vida e de suas possibilidades.

sexta-feira, julho 25, 2008

O Caso das Pipas

Era o tipo de sujeito que não se importava em ser nada além daquilo que esperavam. Nascido em uma família humilde que sonhava em ganhar o titulo de "classe média", mas em tempo de crise se contentavam em ter o que comer, mesmo sendo apenas arroz e feijão.
Mas a família não importava, muito menos o que acontecia ao seu redor, o mundo era muito grande para que Marcelo perdesse o tempo pensando em cada ponto dele. Tudo o que interessava para ele eram os pipas, azuis, verdes, com desenhos, rabiolas das mais diversas formas. Seu mundo era feito de longas olhadas para o céu, unico lugar onde encontrava beleza.
Passou pela escola, como uma sombra, um número, só aceitava aquela rotina, pois fora a unica exigência de sua mãe para com ele. Mesmo assim, quantas não foram as vezes em que o garoto perdera a aula para correr atrás de um sonho de outro que caia lá do céu em forma de pipa.
Chegou a idade adulta, tinha que trabalhar para comer e principalmente para conseguir comprar mais pipas. Aceitou um trabalho onde se trabalhava muito e ganhava pouco, porém, nos intervalos seu patrão deixa- o empinar suas pipas.
Entre uma lavagem de carro e outra, entre uma marmita fria e um pedaço de pão dormido, Marcelo levava a vida contentando-se em contemplar a dança das pipas que flutuavam lá no céu.
Um dia, enquanto Marcelo preparava sua pipa para mais um vôo, ocorreu o fato que agora foi lhes contar. Em um olhar rápido avistou uma bela pipa que caia sem dono para lhe amparar, ela era vermelha, de um vermelho tão intenso que não poderia ser desperciçado entre os carros. Quando ele imaginou o triste fim daquela pipa, seu coração se arrebentou em mil pedaços e ele foi tomado pela subta vontade de salva-la. Em movimentos rápidos se pós a correr entre os carros, desviando de uns, sendo xingado por outros motoristas, pouco importava, ele suportava qualquer coisa, menos ver uma pipa ser destruida. Em um pulo rápido, o moço apanhou o objeto, sorriu para a pipa que repousava em suas mãos e depois nada...
Mais tarde, o motorista que estava ao celular, tentava se explicar para a policia, enquanto removiam o corpo do rapaz do meio da rua, os paramédicos olharam para um bazar que ficava do outro lado da rua e leram na placa: PROMOÇÃO, PIPAS POR APENAS R$0,50 CENTAVOS.

quinta-feira, julho 24, 2008

Três ao Luar


Eram uma familia incomum, mais eram. A noite, todas as suas diferenças, dificuldades e distâncias não existiam. Apenas a lua brilhava no céu prateada entrando pela janela do quarto iluminando seus corpos. Naquele momento nada diziam, nem se mexiam, apenas olhavam a lua e em coro pensavam: A FELICIDADE NOS ESPERA DO OUTRO LADO.

Paciênica

Cansaço....
Minhas pernas não me sustentam mais
O desespero tomou conta de meu corpo
E tudo que eu preciso é descansar

Será que você vai entender
Se numa noite dessas eu gritar:
- Paciência, eu já cansei de esperar?

sexta-feira, julho 18, 2008

O Furto

Nunca antes havia experimentado cometer tal delito, nunca antes me deixei fascinar por ato tão corrupto. Mas aquela idéia, naquele dia me fez desejar: Quero possuir o que não posso.
Não que eu tenha problemas de caráter, é sempre bom ressaltar que minha integridade continua a mesma, sou um respeitado cidadão, cumpridor dos seus direitos e deveres. Alias, pra que tanta justificativa para um ato tão pequeno, era só um objeto qualquer, era só uma colher, que mal poderia haver?
Num rápido movimento, peguei a colher, coloquei em meu bolso e continuei a caminhar despreocupado pelos corredores do supermercado. Entre prateleiras e promoções, caminhei, como se o ato que eu acabara de cometer nunca tivesse ocorrido. Estava me sentindo diferente, estava me sentindo poderoso, como um criminoso de filme que nunca é pego no final.
O medo só foi tomar conta do meu ser novamente, quando avistei aquele sorriso amarelo e falso da caixa do supermercado.
Será que ela iria perceber? Será que eu sentiria o dedo gelado da acusação de furto na minha cara?
Esses pensamentos me fizeram estremecer, não poderia manchar a reputação de bom moço que cultivei por anos. Uma gota de suor escorreu pela minha face, mas foi um medo passageiro, que acabou quando a moça me deu a conta e com seu sorriso amarelo me desejou uma boa noite.
Naquele dia o sorvete teve outro sabor, um gosto de aventura misturado ao prazer de por um dia, por um simples dia, ser livre para possuir o que eu não podia ter,

Creio que a vida é assim, quando menos se espera você consegue possuir aquilo que sempre desejou, neste instante o sentimento que te invade é o de confusão, mas aos poucos a adrenalina vai cedendo espaço a razão, você então consegue sorrir e finalmente pode sentir outro sabor no simples exercício do viver.

quinta-feira, junho 19, 2008

Escadas

A metáfora da escada se aplica a minha vida, pois estou em constante subida rumo ao desconhecido.
O problema é que essa escada tem degraus tão grandes e largos, que é necessário grande esforço a cada novo passo.
O amor me dá forças e atormenta, planos futuros me deixam temerosa, traumas passados deixam minha vista nublada.Tudo isso atrapalha a caminhada, mas a desistência deve ser algo desconhecido neste percurso.
Voltar atrás, jamais, seria como se jogar num abismo sem fim, onde a unica saída é deixar-se cair sem nada esperar.
É com lágrimas nos olhos e a esperança de um sorriso futuro que escalo mais um degrau, iniciando assim, novo ciclo de tormentos e mudanças necessárias.
Mesmo com tantos desafios, acreditem: VIVER É BOM, e eu vou fazer da minha vida obra e não rascunho de dias tão perfeitamente iguais.

quinta-feira, junho 12, 2008

Entre as Mãos


Uma náusea no estomago, nervosismo puro, em suas mãos um papel, uma folha dobrada, ela abre a folha e começa a falar:

-Podia lhe falar da beleza de tantas coisas, queria lhe mostrar que mesmo a vida sendo dura ela pode ser boa, queria tanto que você soubesse sobre tudo que eu sinto, que apesar do pranto toda dor está sumindo, e no lugar do incomodo que tomava o meu ser, esculpi um retrato teu pra poder sempre lhe ter.

Somos tão diferentes, mas quem nessa vida é igual? Seria tão banal ser apenas mais um casal, mas temos objetivos, metas e planos futuros, e com nossas formas construiremos nosso mundo.

Não eu não sou sonhadora, só mantenho esperanças, de poder levar da vida algo mais que simples lembraças, quero fazer sentido e ser sentida por alguém, pois nessa vida o que me salva é ser amada por alguém.

Você entrou na minha vida pra me dar sentido, e agora tudo que me importa é lutar e ficar contigo, se você me permite agora vou me declarar, mostrar a ti quanto te amo e sempre ei de amar.

Ele ri dos versos tão infantis, trata a garota até que certa irônia no olhar, ela não responde a suas eternas provocações, entrega a folha ao rapaz e sai andando em direção a lua que começa a aparecer no horizonte.

Curioso abre a folha pra ler novamente aqueles versos infantis, mas graciosos longe dos olhos dela, pra pensar sobre o assunto com mais calma. Qual não foi sua surpresa ao abrir a folha e notar que ela estava em branco. Ali, apenas uma alternativa: o recomeço

O que ele vez com a folha? Não sei dizer, apenas posso afirmar que a estação ainda não acabou.


quarta-feira, maio 28, 2008

CIRANDA

E é assim, girando, cantando, chorando, acreditando, amando que construo o meu caminho.
Porque minha ciranda é viva, não é estática, todos os dias ela me gira para uma nova direção,
mas nunca me desvia dos meus desejos.
Construo uma casa ao redor dessa ciranda, construo uma familia e protejo ela das rodadas da vida, choro com os que amo, pois só eles merecem minhas lágrimas e esforços.
E ao final do dia, encantada com a magnifica beleza das cousas pequenas, me ponho a dormir e em sonhos vou rodopiar, como a bailarina que não cansa de dançar.

quarta-feira, maio 14, 2008

CONVITE




É sempre bom lembrar que nem todos os escritores estão mortos, muitos vivem e escrevem coisas belas, por isso, vale a pena considerar esse convite como um bom evento para preencher uma tarde vazia de sabado.






Leticia Brito






RETRATOS URBANOS REÚNE CRÔNICAS DE 46 NOVOS AUTORES

Décima sexta antologia da Andross Editora, a terceira só este ano, chega às livrarias no final do mês.

A crônica surgiu no início da era cristã, não como um gênero literário, mas sim como uma forma de ordenar os acontecimentos, sem aprofundá-los ou tentar interpretá-los.

Com o passar dos séculos, autores foram acrescentando, a esta visão impessoal dos fatos, elementos que, hoje, se tornaram uma espécie de marca registrada da crônica literária: o humor irônico, a linguagem ágil, a perspectiva em primeira pessoa, a visão pessoal das cenas do cotidiano.

Retratos Urbanos (Andross Editora, 160 páginas, R$ 25,00) reúne 47 crônicas escritas por 46 autores em início de carreira e organizadas por Edson Rossatto, editor da Andross.

As histórias relatam fatos que supostamente aconteceram com os autores e, num processo de identificação típico deste gênero, encontram eco nas memórias dos leitores, que já se depararam com situações pelo menos semelhantes: a indignação que antecede um exame de toque retal, as divagações do motorista parado no trânsito congestionado, a saudade do tempo dos bondes elétricos.

Retratos Urbanos é mais uma antologia da Andross Editora com textos inéditos de novos autores, que encontram neste formato uma oportunidade de publicar suas histórias. Foram analisadas 250 obras de autores de vários estados brasileiros, durante quase um ano, até se chegar aos 47 selecionados.

Esta é a 16ª antologia que a Andross lança em seus mais de três anos de mercado, a terceira somente neste ano. Por este sistema, a editora já publicou mais de 600 autores, de 14 a 68 anos, do ensino médio ao doutorado, amadores e profissionais. Alguns dos que estrearam nas antologias da Andross hoje já têm obras publicadas individualmente por outras editoras.

TRECHO:
Aqui estou, em um pub inglês de Ipanema, tomando uma maldita cerveja de treze reais e espreitando a ruiva que – eu julgava – estaria dando mole para mim. A frase acima contém uma série de incongruências que convém serem analisadas separadamente. Um pub irlandês em Ipanema, no quarteirão da praia. Em vez de as pessoas irem à praia, a um quiosque ou que o valha, vão a um recinto abafado, onde a fumaça de cigarro estaciona preguiçosamente sob o teto baixo, as cadeiras desconfortáveis estão sempre tumultuando a passagem e uma estante de livros tem edições antigas de Joyce, como se alguém no mundo afora, meia dúzia de freaks lesse Joyce. Outra incongruência era a cerveja de treze reais. Cerveja! Treze reais! Não vou perder tempo desenvolvendo.




“Coadjuvante”, de Pedro Vieira

Sobre a Andross Editora




Com mais três anos de mercado e 25 títulos publicados, a Andross Editora nasceu no campus da Universidade Cruzeiro do Sul, em São Paulo, para abrir espaço aos alunos que não tinham condições de publicar seus primeiros textos. Iniciou as atividades com obras acadêmicas, cresceu e se manteve graças a um modelo de negócio diferenciado: a publicação de antologias. Até hoje, a editora já lançou 16 livros deste tipo, e está com inscrições abertas para mais 4 até o final do ano.

LANÇAMENTO

RETRATOS URBANOS - CRÔNICAS

Vários autores – Organização: Edson Rossatto

DATA: 17 de maio
LOCAL: Casa das Rosas – Avenida Paulista, 37 – São Paulo – SP
HORÁRIO: das 16h às 19h
Informações: www.andross.com.br


Mais informações para a imprensa:
ANDROSS EDITORA
Edson Rossatto
Contato pelo telefone: (11) 2943-7687
edson@andross.com.br

terça-feira, abril 29, 2008

Desafio



Uma folha em branco pode render-me um conto, um poema, uma crônica que o falha.

As pessoas que me fitam com seus olhos de águia a espera do meu próximo erro são o ponto fraco de minha existência.

Por que as pessoas não podiam ser todas assim como um poema, todas profundas e cheias de sentimento? Mas elas preferem ser conto, daqueles com começo, meio e fim. Ninguém ousa viver mais do que a própria humanidade lhes permite. Todos querem fazer parte do meu grande juri popular.

Entre problemas com o escuro, olhos inquisidores, sinto-me desolado, terrivel, horrivel...

Pudera alguém, em meio a essa gente me fitar com o coração?

A resposta vem da menina que eu não vejo, mas me fita, com sua saia cor de palha, natural como uma brisa, com sorriso ela me aprova e com os olhos vem me dizer.

- Meu caro poeta, pegue a pena e vá escrever. Seu maior palco é seu coração, e nele você sempre irá brilhar.

A Edson Bueno de Camargo poeta que não conheço, mas adimiro.

terça-feira, abril 22, 2008

Paredes


Vivia sozinho, seu mundo limitava-se ao espaço do seu quarto. Lá dentro ele era quem gostava de ser, ele era tudo o que podia ser e sua única janela para o mundo era a tela de um computador.
Pelo visor conhecia as cidades que desejava visitar, as garotas que desejava amar, a vida que desejava ter e não tinha.
Quando saia da sua proteção, utilizava uma quantidade enorme de disfarces, sempre com a mascara mais conveniente para a ocasião.
Mais seus olhos, que olhos eram aqueles, tão belos e tão tristes, escondiam uma tal melancolia de alma jogada dentro de um poço.
Será que não precisava de ajuda?
Não, é tolo tentar, ele não reclama, não reage, apenas foge, nada além.
Sentia tudo a flor da pele, mas nada era verdadeiro, todas as sensações que experimentava, eram disfarces de um frieza de coração e de vida.
Como ninguém nunca teve a coragem de dizer-lhe: EU TE AMO?

-Me dá sua mão, se você está dentro de um poço, eu te seguro até você subir.
- Não, não se aproxime de mim.
- Tarde demais, já me apaixonei por ti.

Garoto triste, sei que vais conseguir um dia enxergar além do que pode se ver, o teu caminho é de subida, só temo por saber que quando estiveres no topo, não mais estarei com você. Sou apenas a escada que se posicionada na tua janela lhe oferta outros caminhos e mundos a conhecer.
E ele já não é mais pequeno, és todo homem e frio, frio como um homem deve ser. Calcula, planeja, se ocupa, descansa e foge. A única coisa de menino que lhe restou foram as fugas, desaparece da vida que tem, pra fingir que nada de ruim lhe ocorreu. Some sempre quando eu desejo deitar-lhe em minhas pernas e dizer-lhe:
- Não tenha medo, sempre estarei contigo.
Mesmo sendo uam grande mentira é sempre tão bom se enganar, quando o assunto é o amor.
O homem saiu de sua caverna e tornou-se grande, a escuridão de seus olhos agora fere a minha alma, pois atraves deles vejo paredes que dizem o tempo inteiro que devo manter distância.
Obedientemente, volto para o meu posto de espera, quando o menino precisar eu estarei aqui, eu sempre estarei no mesmo lugar de braços abertos.
Mentira...
Hoje a muralha ergueu-se entre nós e entre mortos e feridos caminho para um lado, enquanto você sabiamente foge de mim em outra direção.
ADEUS MEU GRANDE AMOR, FOI BOM ENQUANTO DUROU.
Será que você alguma vez existiu?

Pro dia Nascer Feliz

- Eu preciso de dinheiro, agora.
- Eu queria dormir até tarde.
- Café da manhã na cama.
- Telefone pela madrugada.
- Eu preciso trabalhar.
- Eu preciso correr.
- Tenho uma vital necessidade de viver.....

Para amanhecer para um mundo de impossibilidades e desejos, só precisava ter asas, para que com elas eu pudesse voar sobre o céu das coisas possíveis e pousar no teu colo num abraço.

sábado, abril 05, 2008

Invisivel

- Quando as pessoas passam por você e não te enxergam o que você faz?

- Normalmente olho pra frente e continuo a andar.

- Pois você deveria gritar com elas, não há nesse mundo pesadelo maior do que o de ser e não existir.

- Filosofia de boteco.

- Não diria isso, apenas creio na importância de se importar.

- Nem todos valem a pena.

- Mas como saber se não valem a pena se desconhecemos o que está a nossa frente?

- Bobagem, eu vou embora.



Em seu coração a enfermeira pensava: Morra sozinho, velho miserável e senil.

Foi até o vestiário, tirou seu uniforme, colocou uma bela roupa e caminhou em direção a saída, não via a hora de voltar ao mundo que vale a pena.

Quando estava indo em direção ao ponto notou que o ônibus que deveria pegar vinha vindo, começou a correr, chegou a tempo de dar o sinal, porém o ônibus continuo seu trajeto sem se importar.

- Motorista cretino, agora tenho que esperar.

Esperou o segundo, o terceiro, o quarto, vários ônibus fizeram a mesma coisa com ela, tanto que não mais suportando a situação, começou a caminhar, decidiu que iria andando até certo ponto, depois pegaria um outro ônibus com sorte.

Fazia uma tarde bonita aquele dia, não seria dificil a caminhada. Admirou por um instante um passaro que cantava livre em um árvore, passou por um rapaz bonito que lia sentado num banco de praça tento sorrir ao moço, mas distraido ele não percebeu sua presença.

- Realmente, não estou com sorte hoje

Coisa mais estranha, de repente, ela notou que andava no meio de uma multidão imensa que parecia ultrapassar seu corpo, pois eles passavam por ela com quem atravessa uma barreira de poeira. Neste momento ela começou a entrar em desespero, pulava, cantava, tentava esbarrar nas pessoas que não a viam.

Um desespero imenso tomou conta do seu ser, a mulher,lembando-se do velho, olhou para o céu e deu um grito, neste momento não notara que estava no meio da rua e que um carro se aproximava. Só deu tempo de fechar os olhos e entregar-se ao destino.

Acordou dois meses depois, completamente sozinha, na UTI de um hospital, com raras visitas de uma enfermeira impaciente.

quarta-feira, março 19, 2008

IS IT WICKED NOT TO CARE

É pecado não se importar?

É pecado não se importar quando dizem que você está errado
Pensando em esperança e vários sonhos que não estão lá?
É pecado não se importar quando você desperdiçou muitas horas
Conversando infindavelmente com qualquer um que esteja lá?
Eu sei que a verdade me aguarda
Mas ainda sim hesito por causa do medo
Fugir de multas fazendo rimas
É só nisso que você acredita?
Vestindo trapos para deixá-lo bonito pelo design
Enferrujando armaduras pelo efeito
Não é divertido ver a ferrugem aumentar
Porque ela estará por todos os lados quando você estiver morto
Contando ações e se agarrando a pensamentos
Às margens do rio onde o musgo cresce
Por cima das pedras, a água correndo o tempo todo
É pecado quando você sorri mesmo querendo chorar
Mesmo podendo ficar doente a qualquer hora?
Mas se houvesse alguma seqüela
Você me amaria como um igual?
Você me amaria até eu morrer?
Se houvesse alguma seqüela
Você me amaria como um igual?
Você me amaria até eu morrer?
E se houvesse alguma seqüela
Você me amaria como um igual?
Você me amaria até eu morrer?
Ou existe outra pessoa que não eu?



Ando com um tanto de receio de escrever, por isso pego palavras emprestadas para tentar gritar ao mundo algo que eu estou sentindo, a necessidade de um complemento que não seja falso e nem passageiro. Uma das minhas grandes utopias, que espero um dia desses alcançar.

segunda-feira, março 03, 2008

Num dia normal, nem de chuva e nem sol, ela olhou para o espelho que refletia uma imagem que não era feia nem bela. Caminhou até a portão e saiu para pegar o seu ônibus de sempre. Andou em direção ao trabalho como normalmente fazia. Sentou-se em sua mesa e cumpriu as funções do dia, uma pausa, um salgadinho, volta ao trabalho, leitura de seu jornal normal.Entrou no ônibus e voltou pra casa como normalmente fazia. deu um beijo em seu filho, leu emails, assistiu videos infantis. Recebeu um telefonema que não fora programado, sentou-se em frente ao computador e escreveu uma porção de palavras absurdamente normais. Ouviu seu filho e foi dormir, com a certeza de que em sua vida normal algo extremamente diferente aconteceria: ELA IRIA SONHAR COM MUSICA E POESIA.

domingo, fevereiro 24, 2008

A Outra

- Fecha a porta, não quero que ninguém me veja.

- Por quê?

- Não tenho que explicar, eu só quero fugir. Será que você não pode me compreender?

- Por quê

- Horas, não lhe devo satisfações, eu só quero ficar no escuro.

- Mas os teus olhos... Você está chorando?

- Claro que estou, deveria ser diferente, tenho motivos para pensar que tudo vai acabar bem. Por Deus, olhe para mim e diga, você ainda vê alguma coisa aqui.

- Uma sombra... Onde está você?

- Eu fui com o vento em direção a incerteza, eu acreditei tanto que a decepção foi enorme, gigante.

- Mas a vida não está perdida.

- Minha causa está, já não me importo com possibilidades, não tenho mais a visão otimista de antes.

- Você envelheceu.

- Não, eu só morri.

- Transformece em uma Fenix.

- Não quero mais a vida, basta olhar em meus olhos que você perceberá, o que eu quero é desaparecer.

- Mas você tem talento.

- Um talento de merda que não me leva a lugar algum. Sou tão parecida com milhares de pessoas que possuem o mesmo sonho.

- Venha para os meus braços, eu te ajudo.

- Tarde demais, tua palavra já me destruiu....



Caminhou em direção ao quarto escuro e trancou-se, apenas com sua máquina de escrever e alguns poucos mantimentos. Não queria um computador, pois com ele podia tocar o mundo e nem ao menos queria se tocar.

Sabia da sua aparência pouco agradável, mas tudo o que desejava era morrer, sempre fora alguém de sonhos fáceis, o problema é que nunca conseguiu realizar um mero desejo sequer.

Refletindo sobre a vida, chegou a conclusão de que todo o sonho que tivera fora mutilado, ela era a criação final de uma retalhação iniciada a tempos atrás.

Não conseguira ter aquele amor encantado, aquele primeiro beijo, tornara-se mulher de um modo tão amargo, que até hoje julga que o melhor era ter morrido após aquela noite. Tudo ao seu redor era tão falso, que quando saiu de sua redoma, descobriu que o que via lá fora era mera ilusão.

Meus olhos foram sempre cegos, nem eles permaneceram belos com o tempo.

"A dor é inevitável, o sofrimento é opicional"

Tinha plena consciência de seus atos e de sua auto mutilação, sabia que optará pelo mais dificil, pelo que destrói. Mas já não via possibilidade de voltar atrás, não via mão alguma estendida em sua direção, somente responsabilidades e vontade de sumir.

Do escuro surgiu a luz, e da luz um sorriso que implorava por uma brisa leve que a animasse a mudar. Um sentimento forte lhe fazia chorar , eram tão quente suas lágrimas que dormiu como uma criança por cima delas.

O espelho não a recolhecia, nem ela mesmo conseguiu se suportar, de imediato levantou-se, foi até a janela e a abriu, a paisagem não a confortará, era tudo tão cinza e escuro... Tudo tão artificial a sua volta.

Quis gritar, não tinha forças, apenas permaneceu com olhar parado em direção ao infinito de sua alma. Olhava pra dentro de si, como quem adimira uma obra de arte complexa.

Decidiu naquela noite que ela morreria, não importa a maneira, se lento ou rápido, se com veneno ou cortes. Só queria encontrar a paz dos que tem medo de continuar.

Um chamado em sua direção fez com que aqueles sentimentos fossem deixados de lado, fechou a janela, caminhou até o berço e pós a criança em seus braços.

De manhã se levantou, tomou banho, deu um beijo na criança sonolenta e saiu, sabendo que continuaria um rotina estupidamente chata, por uma vida melhor e mais digna, sempre a flertar com o seu interior suicida.

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

A Mulher que eu não Sou

A mulher que eu não sou, hoje seria bailarina, e estaria sorrindo e dançando num teatro repleto de magia.
Falaria várias linguas e seria compreendida por todos que a cercam.
Seria tão sensivel e bela que pareceria uma flor rara e forte que vive, teimosa, no deserto. Conversaria com o vento e sentiria o brilho das estrelas em seus olhos, bem como o luar dentro do peito.
Conheceria mil países, diversas pessoas e sentiria-se fazendo parte de um plano maior.
Seria espiritual, mortal, sentiria a paz que só o sono traz a mentes atormentadas e doentes pela falta de um minuto de contemplação
Não ligaria para o corpo, semtiria=se bela, e descreveria suas imperfeições como verdadeiros traços de uma mulher original.
Usaria maquiagem para disfarçar as olheiras causadas pela insônia de noites que preferia viver e não dormir.
Teria seu próprio espaço, seu mundo particular, onde só entrariam convidados, bem amados. somente aqueles que valem a pena.
Não se preocuparia tanto com dinheiro, pois conseguiria encontrar no meio do caminho, alternativas para sempre fazer o que gosta.
Seria livre para amar sem medo, para amar em paz...

A mulher que eu não sou SERIA, enquanto a mulher que eu sou só É.

Queria uma nova utopia, ou quem sabe relembrar como faço para sonhar.

sábado, janeiro 26, 2008

Raridade




Encontrei em meu caminho uma flor unica, tão bela e rara que tinha medo de possui-la. Porque quando os sonhos se aproximam, nos sentimos aterrorizados com o desafio de inventar novas utopias. Mais estranho do que acordar e notar que nos transformamos em um inseto, é adimitir o fato de que seguir em frente é a unica solução para se viver. Não há estrada de volta, nem caminho mais seguro, somente vida, seguida de vida e mais vida.


Numa fração de segundos, o desespero toma nosso coração e tudo que queremos é chorar, voltar atrás, talvez uma infância ou um platonismo para sossegar nossa alma sofredora. Mas a vida tem que doer pra ser verdadeira, assim os momentos de sossego serão mais belos, os toques serão mais intensos, o silêncio terá mais sentido, e a gente vai aprendendo a viver.



O problema das flores raras é que por serem especiais demais,nós fugimos delas e nunca chegamos a descobrir se elas valeriam a pena, nos resignamos a um instante de beleza para uma eternidade de sonhos. Em resumo: temos medo

Não julgo a atitude de fugir de flores errada, por vezes é mais fácil, a gente sofre menos quando decidi ignorar... Eu não ignorei minha flor, mas ela ficou tão entediada com a minha adimiração que murchou. Acabou-se o encanto, eu virei mulher, mãe, e deixei de lado a possibilidade de sonhos concretos.

Queria voltar no tempo, para conseguir (quem sabe) ser rara, e não essa sombra opaca de um flor amarela e sem vida que brotou em meio ao asfalto. Mas a vida é uma estrada reta, não a possibilidade de fuga, temos que seguir, tenho que seguir. Só peço encarecidamente, não tenham pena de mim..

sábado, janeiro 12, 2008

AVALIAÇÃO ANUAL


2007: o ano em que eu tive que crescer, me tornar maior do que sou em espirito para aguentar os desafios que viriam pela frente.
O ano que passou começou numa praia, ao lado das duas pessoas mais importantes da minha vida, com a chuva caindo, a febre tomando conta de um, e os gritos incomodando o outro.
Este ano fui casada, divorciada, mãe solteira, caso, namorada, sai e voltei pra casa tudo de uma vez só.
Este ano senti tudo a flor da pele, tornei-me uma pessoa mais sensivel, menos dura comigo e com meus desejos.
Este ano recomecei do zero, tive que refazer planos já traçados, mudar rotas, mudar de idéia, aceitar o novo diante dos meus olhos.
Este ano eu odiei ser mãe, mas depois me encantei com a responsabilidade, com os pequenos atos, com o crescimento que minha vontade não impede.
Este ano chorei ouvindo Oswaldo Montenegro e pensando em tudo isso, temendo o futuro com base no passado, sentindo a presença daquele que me consola desde criança em sonhos.
Fiquei mais desconfiada, um tanto mais alerta, tornei-me uma boa mãe na medida em que me permiti ser. Adiquiri um tanto mais de voz e furia, coisas que reprimia antes. Descobri que posso fazer as coisas do meu jeito que consigo acertar.
Me perdi em meu a planos tortos que julgava essencias, mais foram falhos.E no final de tudo isso ainda consegui forças para arrumar as malas, olhar para o lado e acreditar que posso e conseguirei ser feliz.
É , foi um ano valido, dolorido e belo como a própria vida deve ser.