Páginas

quarta-feira, agosto 31, 2011

Iluminada


Quando eu era pequena vivia em uma casa grande, escura e fria, mesmo assim minha infância fazia com que os dias fossem todos suaves. Não era o que as pessoas consideram uma criança feliz mas, afinal, o que é ser feliz senão uma das nossas utopias?
Vivia num tempo onde não existiam crianças, apenas pequenos adultos que tinham suas próprias obrigações e ambições, na ansia de viver algumas horas de lazer, inventava brinquedos com o que encontrava e assim podia me desligar daquele mundo tão pesado e adulto.
Num desses dias encantados, encontrei uma lanterna diferente, era tão bonita, redonda, com elas nas mãos me sentia segurando o mundo e com ele uma coleção de oportunidades e caminhos. Girei ela de um lado para o outro, dedinhando seus espaços me imaginava pulando de um canto ao outro do mundo, conhecendo tudo o que minah imaginação podia criar e desejar.
Era tão bom ter aquele objeto em mãos, melhor ainda foi conseguir acende-lo, fazendo com que a sua luz iluminasse meu rosto. Naquele dia, com a luz nos olhos foi que fiz uma grande descoberta: - Tenho um rosto.
E com ele um novo sonho: Me acender para vida.


segunda-feira, agosto 29, 2011

O Livro

Á Graça Graúna

Ganhei um livro...

Mais um amontoado de palavras ao longo de várias páginas para minha coleção. Ele cheira a novo, novidade, ele agora faz parte daquela beleza escondida que eu consigo enxergar na minha estante a todo instante em que resolvo me entregar a um novo mundo que as páginas dos livros sempre me trouxeram.

Sou agora sorriso, alegria, emoção, afinal, um livro é sempre uma passagem só de ida em busca do conhecimento. Além disso, eles sempre serão parte do que sou e do que me faz sentir feliz.

Ele tem cheiro de novo, não de fumaça, ele é quente de carinho e não de fogo, um simples livro vem me traze o reinício de uma biblioteca repleta de sonhos que um dia perdi. Nela tinham livros já lidos, alguns não visitados, em meio a eles tantos trabalhos que na infância escrevi. Eram dicionários, livros de literatura, religiosos, sociológicos, de poemas, infantis, cartilhas, cartas. Eram livros dados, roubados, comprados, eram todos meus e agora não são mais nada além de poeira e carvão.

Quando ganhei um livro e fui chamada de forte, senti as lágrimas dentro de mim com uma forte vontade de sair, lembrei do primeiro livro que consegui ler, daqueles que ganhei e gostava da capa, dos que me emocionaram, dos que me entediaram, de todos que meus olhos e mãos já tocaram. No momento em que fui chamada de forte, sentia-me tão fraca, com uma fraqueza própria da criança que ganha um presente a muito esperado.

Ganhei um livro, ganhei meu primeiro brinquedo, ganhei o recomeço de uma biblioteca de sonhos que num dia triste perdi, mas que a vida irá me trazer novamente, exemplar por exemplar, pois tenho a vida inteira para empilhar meus sonhos numa estante que será doada um dia, como herança de histórias para o meu filho.

Ganhei um livro e com ele um motivo para sorrir, sempre.

terça-feira, agosto 09, 2011

Quem Cresce?

(Acervo Próprio)

Se eu voltar mentalmente há cinco anos atrás,poderia lhes dizer tantas coisas. Sendo otimista poderia lhes dizer que minha vida estava passando por uma doce transformação, na ótica pessimista poderia lhes dizer que a essa altura começava a sentir as dores mais horriveis que já senti na minha vida. Contudo, e como sou franca, prefiro lhes falar a verdade: EU SIMPLESMENTE NÃO SABIA O QUE SENTIR OU ESPERAR. Tanto que até sorri na hora em que finalmente tiraram meu filho de mim, mas quando fiquei a sós com ele um certo pânico tomou conta de mim e tudo o que eu consegui fazer, foi tirar o cobertor dele, passar minhas mãos pelo seu pequeno corpo observando como ele era perfeito e real, nesse instante ele agarrou meu dedo abriu os olhos e olhou bem para mim, quase chorei (não sei por que) e disse para o pequeno:

- Pois é, agora somos nós dois.


Acho que foi nesse momento em que a realidade me tocou mais profundamente e eu pude então refletir sobre o que seria minha vida dali para frente, visto que todo o tempo de gravidez me deixou meio anestesiada, era como se meu corpo mudasse drasticamente, mas eu não sabia explicar o porque e nem me importava em buscar resposta, era tudo rápido, violento, doce e novo para mim.

Pois é, cinco anos se passaram desde então, eu já tenho um filho de cinco anos, este que acreditava que nunca iria ter. E até hoje só pude fazer uma coisa realmente certa com o meu filho, cumprer com as minhas primeiras palavras a ele: Agora somos nós dois...

Cronologicamente um período de tempo muito curto, emocionalmente muito denso e cheio de mudanças pelas quais passamos o tempo todo juntos, pois esse é um compromisso que assumi para a vida inteira. Posso não vir a ser (e nem quero) uma mãe perfeita, visto que isso não existe, mas o papel de ser mãe e fazer meu filho crescer é todo meu, apesar de as vezes quando eu paro eu fico a refletir, nessa relação quem mesmo é que cresce?

Já não sou a mesma de cinco anos atrás, bem como meu filho não é mais um pequeno bebê, cada dia mais ele caminha rumo a sua independência, e eu o acompanho sempre tentado ampara-lo, mostrando que em meus braços ele nunca encontrará prisão, apenas a força de pequenas mãos que o ajudaram a crescer.


A MEU PEQUENO TODO O MEU AMOR E FRANQUEZA, POIS ISSO É O QUE HÁ DE MAIS BELO EM MIM.