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sábado, janeiro 09, 2016

Apenas Começamos

Por muito tempo me senti sozinha, na verdade desde que eu tinha 9 anos sentia um grande vazio em mim,nada parecia me preencher, foi então que comecei a escrever para que em minhas histórias eu pudesse encontrar refúgios seguros para não sentir tamanha e enorme solidão.
Sempre fui tão transparente que ao me ler podiam me enxergar e descobrirem a verdade por trás do meu belo sorriso: eu era sozinha e clamava por atenção.
E na minha dor escrevia, com meus escritos muitos se identificavam, pois no fundo compartilhavamos a mesma dor de um solitário existir. E foi assim que comecei minha saga rumo ao encontro de um companheiro(a). Nunca na vida quis ter um namorado, um marido, isso é fácil de se encontrar. Queria um alguém que pudesse crescer comigo,  dividindo a dor e a rotina e transformando pequenos momentos em pequenas alegrias que completassem a vida dando sentido ao nosso existir.
Foi assim que te conheci e no instante em que percebi que você me completava me entreguei sem medo a essa conquista diária que foi me tornar sua enquanto você se tornava meu. Você me salvou e eu te salvei de um destino lírico de ser apenas o que esperavam de nós: solitários e infelizes, mas sempre dispostos a perceber o melhor que os outros podiam esconder dentro do seu ser.
São cinco anos do resto de nossas vidas, tempo em que eu me entreguei e te recebi. Leis e costumes nunca conseguiram mensurar o que significa essa entrega diária, eterna de acordar no mais negros dos dias e se sentir completa por saber que tenho você ao meu lado.
Em mim um fato, tenho que aprender a escrever não para sentir que eu tenho companhia, não na esperança de que venham me decifrar. Tenho que aprender a escrever para todos aqueles que ousaram me ler e para, quem sabe, entre uma e outra ficção, mostrar aos solitários de coração que as letras podem e devem nos inspirar a procurarmos no mais profundo de nós a claridade de nossos corações, aquilo pelo que vale lutar: a esperança de uma vida que não se configure em branco.
Quanto eu e você, apenas começamos a viver e mesmo no fim de meus dias, tenho certeza que vou te olhar e ver que valeu a pena, cada lágrima, ou sorriso dado ao seu lado,pois tua presença é e sempre será a grande escolha da minha vida.
TE AMO

sábado, dezembro 26, 2015

Liberdade

- Fica, não vai embora a tanto ainda pra gente conversar
- ....
- Vai, me responde, não quero te ver tão triste assim Deixa esses lábios vermelhos como sempre, daquele jeito que eu sempre gostei, mas nunca quis dizer
- ....
- Tentei ser bom para você, alias, fui muito bom para você, Porque me tratar agora com essa indiferença, foi você que pediu por isso.
- ....
- Não vire esses olhos para mim mocinha, você só teve o que mereceu. Teve o que sempre mereceu...

Cansado do dialogo vazio, caminhou até o banheiro para lavar seu corpo. Definitivamente vermelho nunca sua cor, e aquele cheiro animalesco , cheiro de sua mulher, lhe impregnava o corpo e enjoava o seu estomago com tanta força que tinha vontade de vomitar.
Como um ser que ele amava tanto  podia feder daquele jeito, certamente porque ela nunca o ouvia, sempre tentava ir embora, nunca tentava entender que para ele era difícil demonstrar amor, uma vez que nunca soube o que era ser amado, mas isso não mudava o fato de que considera-la especial para ele.
Entrou na banheira e mergulhou fundo permanecendo imóvel enquanto segurava a respiração. Sempre gostou de fazer aquilo, permanecer debaixo da água simulando uma não vida, uma outra vida que não fosse aquela repugnante na qual se via vivendo.
- Se pelo menos o egoísmo daquela mulher não fosse tanto. Será que ela não entende que eu faço tudo que posso e o que não posso por ela? O que mais espera de mim?
-Eu só esperava o seu amor.
Levou um susto com a voz que ouviu, sabia que tinha pedido para aquilo acontecer, mas na hora em que conseguiu o que queria desistiu do seu pedido. Um certo terror tomou conta dele e ele rapidamente se sentou na banheira.
- Você não podia estar aqui?
- Porque não, foi você que me chamou?
- Vai embora.
- Não, quero me banhar com você, que eu saiba você sempre gostou disso.
Começou a desabotoar o seu vestido lentamente deixando, por fim, ele cair no chão mostrando sua lingerie sensual, preta com meias combinando, tinha tudo para ser uma visão sensual, mas naquele momento parecia desoladora, pois seus olhos o fitavam cheio de um vazio que só a indiferença poderia lhe proporcionar.
- Sai, eu quero ficar só.
-Agora é tarde eu nunca vou te deixar só.
Tirou as roupas intimas devagar, para dar um ar de sensualidade, caminhou até a banheira, o olhou bem nos olhos e começou a mergulhar seu corpo na água. Sorriu de um jeito malicioso olhando nos olhos do homem enquanto mergulhava na banheira. Aproximou lentamente seu rosto do dele, beijou seus lábios e em meio a outro sorriso lhe disse.
- Agora vou te mostrar toda a minha gratidão por todos esses anos.
Acariciou o pescoço dele com seus longos dedos , começou a aperta-lo dizendo:
- Isso é por todos os meus amigos perdidos.
Ele arregalou os olhos sentindo a pressão.
-Esse é por todas as vezes em que rasgou minhas roupas e me fez usar o que você queria
Ele se debatia e não conseguia se soltar.
- Esse é por todas as vezes em que eu tive que sentir você me penetrando, me tocando com esses seus dedos sujos, me machucando sem ao menos perguntar se eu queria... Sem ao menos me olhar nos olhos;
Ele começou a se debater com mais força, não conseguia entender como ela tinha ficado tão forte.
- Por tudo o que você me fez passar, por cada hematoma em meu corpo que me fazia sentir vergonha de ser sua, MORRA!!!! MORRA, FILHO DA PUTA!! EU VOU PRO INFERNO, MAS NUNCA MAIS SEREI SEU BRINQUEDO.
Tudo, num repente ficou branco, ele ficou alheio a tudo e num repente o silencio, o vazio......

Quando a policia chegou ela não estava mais molhada, estava perfeitamente arrumada com aquele vestido azul que sempre quis usar, perfeitamente penteada e maquiada com a boca de um vermelho vivo como a vida que sempre desejou viver.

segunda-feira, agosto 10, 2015

Teus Olhos

Ao meu filho, Nicholas
Foto: Cecilia Camargo
 
Há nove anos atrás, depois de doze longas horas de um misto de dor e ansiedade, finalmente chegou o grande momento de lhe conhecer, quando olhou fundo em meus olhos senti um misto de medo e alegria, que parecia me dizer: - E agora?
Não sabia ao certo o que dizer, mas uma coisa era certa, faria sempre o melhor por ti, e estaria sempre ao teu lado. 
No quarto do hospital lhe dei de mamar, a sensação era estranha, sentir o leite brotando, você encostado em meu corpo, tudo era mágico e assustador, e mesmo assim nunca me senti tão feliz. Naquela noite, depois de mamar, dormimos juntos, você com a cabeça em meu peito e toda uma nova vida para se viver.
Foi com você que eu aprendi a ser melhor e vivi momentos simplesmente inesquecíveis, você me trazia a beleza que não existia a minha volta.
Com você voltei a ler livros infantis, reaprendi a cantar com a voz mais suave as canções que sempre gostei de ouvir,  assisti por mil vezes o mesmo filme, só para te ver feliz, estava ao seu lado quando andou, falou, escreveu...  Por um tempo fui tua amiga de brincadeiras, aprendi a jogar bola e video game, brincamos, pintamos, choramos... Mas mesmo em períodos de confusão e dor, lhe olhava dormindo e quando me abraçava, meu peito se acalmava, eras (ainda é) um dos maiores motivos para amanhecer sempre para um novo dia.
Tenho orgulho de olhar para ti e reconhecer em teus olhos  o quanto estas crescendo, como a cada novo dia se torna uma pessoal  melhor e não deixo de me sentir vitoriosa ao saber que muito do que você é vem de mim. Admito que é assustador, por vezes, ouvir argumentações tão profundas e densas que mostras o quanto você está se tornando uma criança a cada dia mais madura e questionadora, a proximidade de um já anunciado caminho a adolescência dos questionamentos, novas experiências e crescimento pessoal.
Como mãe só posso olhar meu menino, que mesmo crescendo em estatura, quando me abraça ao se deitar, volta ser aquele pequenino ser, que com os olhos mais bonitos e expressivos do mundo, lia a minha alma, reescrevendo minha história, resignificando o meu existir.
 
Parabéns filho, por mais um ano de vida, por fazer parte da minha vida, por me proporcionar momentos dos quais nunca abriria mão de viver.

sábado, julho 25, 2015

É POR ISSO, MEU AMIGO, QUE VOCÊ É MACHISTA

Por esses dias um amigo do meu marido perguntou a ele se ele era machista, meu marido disse que sim, mais não soube explicar para ele o porque da afirmação. Disse para mim: - O melhor seria você explicar para ele.
Lembrei desse diálogo ontem a noite enquanto eu passava por uma experiência nada agradável.
Voltando do trabalho e indo para casa dos meus pais passar o final de semana com eles e com meus filhos, corri para pegar o ultimo ônibus, eram 00h00 e tudo que eu desejava era descansar. Entrei no ônibus, paguei minha passagem e passei a catraca, assim que eu sentei o motorista começou a me xingar:
- Tá faltando R$00,05 centavos, se não tem dinheiro desce e procura um ônibus de R$3,50.
- Não por isso, Senhor, pegue esses R$10,00, me devolve meus R$3,50 e fica tudo certo, não tenho R$0,05 centavos.
Ele pega o dinheiro, cobra a passagem, mais não me devolve os R$3,50.
- Senhor, meus R$3,50.
- Já te dei seu troco lindinha.
- O troco de R$ 10,00 sim, mas o restante que eu lhe dei não.
- Já te dei seu troco. – repete alterado
- Beleza, eu só quero ir pra casa, se você precisa tanto, fica pra você.
Sento num banco e começo a ler meu livro. Um ponto antes de mim as poucas pessoas junto comigo descem, só eu no ônibus, eu e a mulher do motorista que viaja com ele e seu bebê na ultima viagem. Chega meu ponto, dou sinal, o ônibus não para. Dou sinal para descer no próximo ponto, o ônibus segue.
- Moço, eu vou descer.
Nenhuma resposta e o ônibus segue até o ponto final de ônibus, a essa altura eu já estou nervosa demais e me calo com medo do que pode me acontecer. Ele abre a porta olha pra trás e diz: 
- Agora anda lindinha.
Sem outro ônibus que pudesse me levar mais próximo da casa dos meus pais ando o equivalente a três quarteirões, no meio de um frio acompanhada da garoa. Coloco minha boina, abaixo a cabeça, me amaldiçoo por estar naquele dia de batom roxo, rezo para que não notem que sou uma mulher caminhando a noite e sozinha. 
Não, não tirei foto da placa, não me lembro da cara do motorista, do rosto da mulher dele e do bebê eu me lembro, porque ela não olhava em meus olhos, baixava a cabeça e continuava o seu caminho junto com sua família. Afinal, era só um pai de família, e se eu punir ele, o que vai ser daquele bebê? Dai eu te pergunto, meu caro amigo, o que seria de mim se algo tivesse acontecido? O que seria dos meus filhos? Será que se fosse meu marido, ou mesmo um outro amigo nosso que tem quase dois metros de altura isso teria acontecido? E mesmo que isso tivesse acontecido com um deles, quais seriam os riscos para a vida deles? Talvez um assalto, isso é passível de acontecer com qualquer pessoa. Mais e a violência ao seu corpo, o pré julgamento por ser uma mulher andando sozinha pela madrugada, claro que não deveria estar fazendo coisa boa, que mulher respeitável anda a essa hora sozinha e chorando na rua?
Sim, meu amigo, sinto em lhe dizer, você é machista, e um da pior espécie, porque tenta diminuir os pequenos abusos como se eles não fossem nada demais, se diz contra a violência, mas não entende que o feminismo não é querer ter mais direito do que outros, antes e ser vista como um ser humano que tem o direito de ir e vir e não ser ameaçado por isso, que não precisa ser julgado pela genitália.. 
Vou continuar a andar de ônibus, a trabalhar a noite e a viver a minha vida, porque por mais medo e por mais memórias ruins que um abuso possa me trazer, eu sou uma pessoa de luta e por lutar por meus direitos jamais vou me render e fazer o que esperam que uma mulher faça.

quarta-feira, junho 17, 2015

Aceitando Felicidade

Terça, 09 de Junho de 2015

Por tanto tempo fui triste e sozinha que chegava achar engraçado o quanto achavam belo o meu sorriso. Mas sempre perdoei as pessoas por esse ledo engano, afinal estamos acostumados a ver apenas a parte rasa das pessoas.
Mas essa felicidade simples que tenho agora e faz meu mundo ganhar cor me obriga a abandonar minha inspiração na dor para escrever sobre os dias claros pelos quais sempre busquei.
Guardo comigo uma coleção de mensagens curtas que me fizeram renascer, sorrir na margem boa do meu rio.
Teus braços quentes me protegendo a noite sempre me salvam do mau e da solidão. Nos teus braço e me vejo bela, como se fosse meu espelho encantado, tu colheu meus cacos e hoje posso dizer que esse eu só existe por e para você.
As vezes penso se te mereço, mas ai eu me lembro que eu conquistei você e esse amor só vai durar pro resto da minha vida.
Todos os maus momentos pelos quais passei me preparam para você, somos como almas gêmeas, tinha que acontecer, e acontecendo cresceu e ao se expandir renasceu e tatuou-se em mim fazendo com que eu me sinta feliz. Obrigado por existir.  

terça-feira, março 03, 2015

Bebida Quente

Existem várias pessoas que tentam definir o amor e sua essência, tentam estudar e dissertar acerca de um sentimento tão complexo e inexplicável como é este. Há quem o compare com um fogo intenso que arde sem que possamos ver, outros que encontram o amor em linhas paralelas que se cruzam no fim do caminho onde o destino sempre faz com que se encontrem...
Eu tenho apenas uma palavra para definir o que sinto por ti, meu amor é como bebida quente, dessas que a gente toma num dia frio e que parece esquentar todo o nosso corpo, aquela que aquece os meus lábios, invade o meu corpo e faz com que  mesmo um dia ruim se transforme em um bom momento depois que encontro você.
És confortável e confiável , um momento de alegria como a hora do café, um calor que invade o meu corpo deixando-o febril mesmo sem doença Estar longe de ti para mim é como tomar chá gelado no inverno, sem sentido ou conforto meu ser se vê vazio sempre que estou sem teu carinho e tua presença para me confortar.
Minha bebida quente, meu momento de paz, para mim nosso amor e simples desse jeito, por isso cresce no peito cada dia mais, porque na simplicidade de nossas horas é que encontrei a paz para enfrentar a vida com suas pequenas batalhas e rotinas. 

Sangue Guerreiro - Um conto de amor Mandaloriano

À meu companheiro Vlademir


Porque quando a vida limita suas escolhas a única saída digna que se tem é lutar...
Corria desesperada em meio a floresta, queria fugir para longe daquele lugar onde era tratada como mera carne que satisfazia os desejos alheios. Ela não tinha mais identidade, não tinha nome, apenas a missão de dançar e encantar seu senhor e a quem ele quisesse lhe emprestar.
Fazia uma semana que havia conseguido fugir daquele covil, utilizando como arma sua sensualidade, seduziu um piloto e prometendo que seria sua conseguiu roubar sua nave e fugir para longe.
- Não me orgulho de ter tirado a vida dele tão facilmente, mas também não me arrependo de fazer algo por mim, lembrando que eu também sou alguém.
Aquela altura, os servos de seu senhor já estavam atrás dela, que acabou caindo naquele estranho planeta da Orla Exterior, queria muito fugir, tinha apenas em sua mente o desejo de sobrevivência e a vontade de voltar a pertencer a si mesma. Mas sua força estava se esgotando, a corrida sem rumo fez com que suas pernas, já cansadas, ficassem cheias de arranhões, o sangue escorria de suas feridas, as pernas tremiam e ela insistia em não desistir daquela empreitada maluca, afinal, se não lutasse seu único destino seria a morte, e mais do que nunca tudo o que ela queria era viver para experimentar a sensação de ser livre.
Esbarrou em um galho e caiu exausta ao chão, os guardas de seu senhor chegaram até ela, tudo o que ela pode fazer foi fechar os olhos e esperar por sua execução.
- Ao menos morrerei livre.
Foi então que ouviu o tiro, um disparo por entre as árvores, um dos guardas caiu imediatamente ao chão, o outro tentou avançar nela segurando-a pelos braços, ela se debatia e o mordeu, levou um soco no estomago e caiu, ouviu mais um tirou, dois tiros enquanto caia no chão. E, de repente, tudo se fez silêncio.
Quando acordou estava dentro de uma caverna, seu corpo antes quase nu  estava devidamente coberto por uma capa. Ficou assustada quando ao limpar os olhos na tentativa de ver direito, viu um vulto caminhando em sua direção. Era tão alto e forte que tudo que ela pode fazer foi esperar pelo pior. Olhou a sua volta, viu um punhal que fora posto em seu lado, o pegou nas mãos e gritou.
- Não se aproxime, ou eu acabo com você, eu posso até morrer junto, mas te levarei comigo.
Só o que pode ouvir foi uma risada alta, era como se ela tivesse contado uma piada. Mesmo se sentindo dolorida, com as pernas tremulas ela levantou e continuou apontando o punhal para a figura que caminhava ao seu encontrou. Ele então parou a uma curta distância dela, tirou seu capacete e disse.
- Acalme-se, vocês esta sem força, não conseguiria me ferir nem que tentasse muito. Ès tão forte como um verdi’ka em treinamento, não conseguiria me fazer mal algum.
Mesmo assim ela correu em sua direção e tentou ataca-lo.
-Não me ofenda, conheço teu povo vendido, não vais me devolver por dinheiro nenhum aquele monstro novamente, seu ordinário sem princípios, mercenário lacaio do inferno.
- Mais quem disse que eu vou te vender? Essa não é a minha missão. Logo não tenho nada haver com isso. Estava apenas concertando a minha nave para voltar para o meu planeta quando resolvi te ajudar porque lhe achei interessante. Consegue compreender que eu realmente só estou lhe ajudando ou já se tornou um animal como o seu senhor?
Falando isso segurou rápido em suas mãos, derrubou ela no chão imobilizando-a com cuidado de não feri-la, tamanho era seu estado físico de desgaste. Aos poucos ela se acalmou, encostou o rosto no peito do homem e começou a chorar. Ele sem saber o que fazer apenas a apertou em seus braços enquanto acariciava seus cabelos.
Aos poucos ela foi se acalmando, a sensação de estar nos braços de alguém que tentava lhe confortar parecia estranha, não sentia aquela sensação desde o dia em que se separou de sua mãe que a apertou forte nos braços enquanto a levavam embora, pois fora vendida por seu pai para pagar uma divida de jogo. Desde então ela jurou que nunca mais usaria seu nome visto que se envergonhava de saber que aquele monstro era o seu pai.
Depois de algumas horas nos braços do homem que diante da ação da mulher se manteve em um misto de embaraço e encanto, ela se afastou envergonhada com sua atitude infantil. O homem lhe sorriu um sorriso largo e disse:
- Sou Jurir, e qual seria o seu nome?
- Eu não tenho nome.
- Como assim não tem nome? Devem te chamar por algum nome, qual seria?
- Pouco importa, eu sou uma escrava, só vivo para dançar e encantar os olhos alheios, não tenho direito a um nome, sirvo apenas para dar prazer momentâneo.
- Mas nasceu escrava? Antes disso nunca te chamaram por nenhum nome.
Ela pensou em sua mãe, lembrou de seu passado e de cabeça baixa disse apenas:
- Brile
- Brile? Nome interessante, mais um pouco pequeno.
- Tenho nojo do meu outro nome, prefiro apenas esse que me trás alguma recordação e não acho que preciso de outro.
- Entendo. Bom, apresentações feitas, sugiro que você se cubra novamente, a noite esta chegando e vai esfriar muito por aqui. Vou procurar algo para comermos. Não tenha medo, comigo estará segura e vai demorar ainda alguns dias até que venham atrás de você novamente.
Colocou o capacete e saiu da caverna rapidamente, deixando-a para trás.
Ela ficou olhando na direção em que ele se foi e pensando no que faria com a sua vida a partir daquele momento. Lembrou-se de como aquele estranho havia resgatado ela tão facilmente, se sentiu tão fraca, desejou ser como ele, ter a força dele, quem sabe a vida não lhe seria mais leve. Pensou por tanto tempo que acabou adormecendo novamente.
Acordou com os primeiros raios de sol batendo em seu rosto, olhou em volta e notou que o homem dormia ao seu lado, ficou sentada e observou o espaço por mais tempo, notou que ele havia trago um pouco de comida e resolveu preparar uma boa refeição como recompensa antes de ir embora.
Jurir acordou com um cheiro tão bom, não sabia bem dizer o que era, só sabia que há muito tempo não sentia tanta fome como que o aroma despertou nele. Foi para frente da entrada da caverna e encontrou a moça mexendo no fogo. Era realmente uma mulher muito bonita, suas pernas expostas chamavam muito atenção, tanto que ele sentiu o rosto avermelhado ao perceber que olhava com desejo para ela
- Bom dia. – disse ela com o sorriso.
- Bom dia. – respondeu com a cabeça baixa
 - Não sabia que existiam mandalorianos tímidos.
- E eu não sabia que você conhecia meu povo[l1] .
- Minha mãe contava histórias sobre um povo onde homens e mulheres eram  todos guerreiros e iguais onde a honra e a superação dos medos ajudava a formar um verdadeiro espírito guerreiro.
- Sua mãe conhecia Mandalor?
- Não, apenas foi apaixonada por um de seu povo, pena que quando o pai dela descobriu a vendeu para o meu pai que a tomou como esposa tamanha era sua beleza, por isso não me orgulho do meu nome.
- Entendo... Se o passado incomoda que ele não exista mais a partir de agora.
- Concordo com você. Vamos comer?
Os dois se sentaram para comer e enquanto comiam o homem olhou mais uma vez para mulher ainda seminua a sua frente e mais uma vez, envergonhado, lhe disse
- Você não gostaria que eu lhe emprestasse roupas, não ficaram bonitas, mas lhe deixaram mais confortável.
- Se tiver lhe agradeceria, já estava começando a ficar com frio.
Depois de comerem ele entrou na caverna e saiu com uma muda de roupas e deu nas mãos da mulher que correu para dentro da caverna para se trocar. Já estava quase totalmente vestida quando ouviu o som de luta vindo de fora. Jurir havia sido atacado por muitos homens de seu senhor e o levavam para uma nave.
O medo tomou conta dela, por um minuto sentiu vontade de ficar escondida para sempre naquela caverna e deixar o homem a própria sorte,mas ela o havia envolvido nisso, ele a ajudou sem precisar, logo, quem ela seria se o deixasse morrer. Sabia que não possuía a força e nem o treinamento dele, mesmo assim optou por não deixar com que ele morresse sozinho. Sua vida sempre valeu muito pouco, ao menos agora poderia morrer com dignidade.
Pegou o punhal que o homem tinha deixado ao seu lado e correu se escondendo em meio a mata com o objetivo de resgatar o seu salvador. Perto de uma clareira, duas naves estavam pousadas, uma ela já conhecia muito bem, era a que pertencia aos homens de seu senhor, a outra, certamente deveria ser a de Jurir.
Ficou por algumas horas tremendo e imaginando como poderia agir, até que viu dois homens saírem da nave desconhecida com Jurir , o amarraram em uma árvore e  entraram novamente para dentro da nave.
Nesse momento ela tentou se aproximar e soltar Jurir, pena que ela não notou que um dos homens se aproxima dela, quando sentiu alguém puxar seu braço teve tanta raiva que puxou o punhal e cortou a mão do homem que caiu gritando. Mau o infeliz havia caído, ela investiu o punhal três vezes contra seu peito.
O barulho fez com que, tantos os homens que estavão na nave mandaloriana como três que estavam na outra saíssem correndo na direção da floresta. Brile, correu na direção oposta do corpo e subiu no alto da copa de uma árvore para se defender, as lagrimas escorriam por Jurir, mas ela não temia sua morte, ao contrário sempre a desejou.
Quando a localizaram e iam atirar ela fechou os olhos esperando por seu fim, mas ao contrário do que pensava não encontrou sua morte..
- Mas como?
- Um mandaloriano nunca esta desarmado se tem sua armadura, além do mais eu só me deixei capturar para roubar as peças que faltavam para a minha nave. Venha, desça dessa arvore agora.
Pousou com a mulher em frente aos cinco homens  que o olhavam com ar de espanto, sendo que um deles gritava de dor pelo tiro que havia levado em sua mão. Olhou para mulher, estendeu o punhal novamente e disse:
- Agora vamos acabar com tudo isso.
Lutar ao lado dele, ver ele matando aqueles canalhas enquanto ela se defendia com o punhal, estar ao lado dele, em meio aquele caos, se sentia forte como nunca. Era como se os dois fizessem uma dança magnífica, era como se fizessem amor em meio ao caos.
E foi assim que Brile descobriu que queria ser forte como aquele homem, que queria pertencer aquele homem de todas as formas que deveriam pertencer um ao outro.
Passada a batalha, com todos os homens mortos ela lhe falou:
- Me ensina a ser como você? Sei que nunca vou ter o sangue de guerreira, mas não quero sentir mais medo, quero viver esses momentos de batalha e caos que parecem que me trouxeram sentido a vida. Me deixa ser sua?
Ele olhou bem em seus olhos, pegou em suas mãos e disse:
Repita comigo:
- Mhi solus tome. 
- Mhi solus tome. 
- mhi solus dar'tome, 
- mhi solus dar'tome, 
- mhi me'dinui an, 
- mhi me'dinui an, 
- mhi ba'juri verde.
- mhi ba'juri verde.
- O que isso quer dizer, Jurir?
- Que agora você é minha mulher, nos somos um só e te levarei comigo para que possas aprender a minha cultura, conhecer meu clã e completar a cerimônia de nossa união.
E foi assim que Brile se tornou uma Shev´la, uma das espiãs mais fortes e frias do clã e uma das mais honradas guerreiras que sempre cumpria suas missões e trazia consigo troféus para oferecer aos seus filhos enquanto lhes contava histórias sobre suas missões.





 [l1]