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domingo, junho 15, 2014

Meu Terrível Batom Vermelho

Certa vez um namorado que tive falou para eu nunca usar batom vermelho porque no meu tipo de boca ficaria horrível. Desse então esse e o batom que eu mais uso.
Se me perguntarem qual parte do meu rosto eu mais gosto vo dizer sem muito pensar que e o meu rosto, pois ele e harmônico, nos meus traços eu percebo minhas múltiplas descendências. Na minha cor, olhos, tipo de nariz e boca uma história diferente, um traço do passado que me faz ser quem eu sou.
Na minha boca, em especial, trago a história do amor dos meus avós maternos, uma mulher branca e um homem negro dos olhos cor de mel. Sinto orgulho de ter algo em mim que todos os dias me faz lembrar do meu avô, se tenho esse sorriso largo e graças a ele que embelezou meu rosto com sua herança de carinho.
Recentemente, estava na sala de espera do médico e uma senhora gentilmente me perguntou se eu tinha alguma deficiência por causa do tamanho dos meus lábios, justificou sua pergunta explicando que estava apenas preocupada com sua filha, uma menina branca de  um ano, lábios carnudos. Educadamente expliquei a ela que era apenas uma característica comum entre descendentes de negros, e até era considerado como uma característica atraente para muitas pessoas. Logo o médico a chamou e ela entrou mais aliviada no consultório, não antes deu lembrar a ela de algo importante.
- Olha, quando ela crescer não a deixe usar batom vermelho cereja, senão as opções de pintura dos olhos vão ser reduzidas, caso ela venha gostar de pintar os olhos.
Sabe, diante de um preconceito podemos ter diferentes reações, no meu caso eu sempre escolho a indiferença, pois nua ninguém vai me fazer sentir vergonha do que eu tenho orgulho, do que me caracteriza e marca para muitas pessoas.
Triste e pensar em todo o sofrimento que a pequena garota vai passar ao longo se sua vida, talvez venha a ser uma bela menina que, insegura, vai sofrer ao longo de sua vida inteira tentando alcançar uma falsa beleza ideal.
Quanto a mim, não se preocupem, esse tipo de ignorância não me afeta, apenas mantenho minha mente quieta, um coração tranquilo sempre acompanhado do meu bom,velho e terrivel batom vermelho.

quarta-feira, maio 28, 2014

Meu Corpo

Se você olha uma foto do meu rosto e fica tentando imaginar como seriam as curvas do meu corpo, fique tranquilo, pois eu posso lhe contar, esse corpo que você tanto insiste em desejar é todo e exclusivamente meu, por isso eu me dou ao luxo de preserva-lo.
Tenho curvas femininas como as de qualquer mulher, em cada curva uma história que fala um pouco do caminho que até hoje percorri. As manchas  na cintura são minhas tatuagens, marcas de vida dadas pelos meus filhos que vieram ao mundo naturalmente me fazendo mais feminina e mulher. Meus seios pequenos, maduros pela idade, sempre firmes, como herança que trago na cor da pele morena, que cuido como jóia, pois nela vive minha identindade. Quadril largo, sempre bem escondido com roupas sóbrias e confortáveis, pois meu corpo não nasceu para ser exposto, nasceu para ser lido em braire, por dedos firmes daquele com quem escolhi viver e me entregar.Com ele divido a beleza que existe e pertence a mim.
Uma mulher não precisa menos do que seu rosto para se apresentar, para que as pessoas possam reconhece-la, a mesma mulher tem o direito de preservar seu corpo, pois não é bonita apenas a triste menina que mostra os seios ou suas curvas e esquece do seu rosto, o que dá a beleza a uma mulher é a certeza de saber quem ela é, tendo a coragem de se apresentar ao mundo como um ser dotado de inteligência e delizadeza, pois as curvas, o corpo, a sedução, são todos artificios que fazem parte do nosso ser, mas que não devem ser vulgarizados em prol dos desejos alheios.
Você, homem, que deseja saber como é meu corpo, fique nu em frente ao espelho, ou mostre o seu publicamente, pois só assim eu irei acreditar na normalidade do desejo pelas minhas curvas que nunca ão de ser publicas, ou tuas.


A Culpa

Não, não adianta me dizer que eu tenho que esquecer e seguir em frente. Tem coisas que marcam tanto a gente e tudo que conseguimos fazer é encarar para sobreviver.
Carrego em mim a dor de não pertencer mais a mim mesma, minha alma, pureza, tudo  me  foi roubado e nem o tempo vai poder me trazer de volta. 
Em pensar que tudo o que consigo me lembrar é da voz me falando: - A culpa é sua...
Realmente, a culpa é minha, por  não ter gritado no escuro, ter chorado mais alto, não ter o corpo desejavél, todas culpas minhas que, por vezes, no escuro da noite retornam a minha cabeça me fazendo gemer enquanto durmo, um barulho que não carrega nenhum prazer, apenas a escuridão de feridas sempre vivas me marcando. Não importa o tempo que vai passar isso é o que eu sou e a culpa é minha.
Muitas mulheres já me falaram: - A culpa não é sua, isso foi uma violência. 
Dizem que ser feminista é uma besteira, que são todas reclamações infundadas vindas de mulheres insatisfeitas com o mundo porque não possuem seu próprio homem... Realmente, nunca vou me dar o direito de ser tão idiota quanto um homem dos mais machistas, pois isso não é feminismo . Contudo sempre me darei ao direito de lutar pelos direitos de, ao menos na hora da minha morte, abandonar meus pensamentos masculinos, segurar nas mãos da menina de 16 anos encolhida no chão, enxugar suas lágrimas e dizer: 
- A culpa não é sua, enxugue os olhos e vá crescer.

quinta-feira, fevereiro 06, 2014

Retalhos I

Sentiu que estava sendo observado, caminhou ate a janela para fe.char as cortinas,  som da mulher que chorava e chamava por sua mãe era perturbador , ter vontade de gritar com ela, mas desistiu e caminhou para janela. Foi quando se deparou com o seu o seu observador e por um segundo os dois se olharam fixamente.
O que será que essa porra pensa?
Mas cedo, naquele mesmo dia o homem do lado de fora descobria como acontecia a morte de um grande amor.

- Querido, esta doendo demais essa mordida, quando o Paulinho se acalmar temos que levar ele no psicólogo. Sabia que ficaria triste OM a morte do seu cachorro, mas não imaginava essa reação.
- Depois pensamos nele, agora minha preocupação e você, amor. Ele esta e vai ficar bem.
A sala de espera do pronto atendimento estava lotada, sentados de frente para o  casal estavam um casal de idosos, a senhora tinha tanto carinho por seu marido que era bonito de se ver.
- Quero envelhecer ao teu lado desse jeito, amor. Tão bonito carinho assim, mesmo depois de anos juntos.
- Vou te amar pra sempre, querida, sempre.
O homem se aproximou da mulher para beijar ela, quando de repente  o senhor que estava sentado na frente deles caiu ao chão, espumando pela boca. Enquanto sua esposa corria atrás de um médico, o jovem casal se levantou na tentativa de ajudar o senhor idoso. A moça colocou seu ouvido bem perto do coração do senhor e foi nesse exato momento que ele acordou e começou a morder como um animal o pescoço da moca que olhava para o seu marido pedindo socorro enquanto gritava de dor.
O medo paralisou o moço que observou em choque a morte de sua amada. Só recobrou os sentidos quando viu o corpo da mulher cair sem vida no chão enquanto a senhora voltava com o médico que como ela ficou horrorizado ao ver o senhor debruçado sobre o corpo da moça arrancando pedaços de sua pele e carne.
- Corram, ele está louco.
O moço, o médico e a senhora começaram a correr  em busca de uma saída daquele inferno. Enquanto a senhora tentava correr o mais rápido possível, chorava pensando em como quarenta anos de casamento tinham terminado daquela maneira. O moço só pensava na sua covardia diante do sacrifício de sua jovem esposa e, por um instante se lembrou de seu pequeno filho, será que ele estava bem?
Saindo do hospital encontraram um caos imenso, pessoas se jogavam das janelas por desespero, e isso acontecia em todos os prédios ao redor.
O moço abandona o médico e a senhora e sai correndo em direção a sua casa que fica a três quadras do hospital. Chega com certa dificuldade, sempre desviando dos monstros que atacam os pedestres. Ao abrir o portão de casa não ouve barulho algum, caminha até o canto da garagem e pega um martelo na caixa de ferramentas, abre a porta da sala e vê seu filho parado em frente a televisão,  e quando pensa em respirar aliviado vê que seu filho não esta assistindo, ele come uma mão humana que, pelo anel, pertencia a sua tia. Horrorizado ele caminha sem fazer barulho  em direção ao menino e quando vai martelar sua cabeça e surpreendido pela rapidez da criança que vira e lhe da uma mordida na mão. Mesmo com essa surpresa ele consegue golpear o menino que cai sem vida ao chão.
Tudo terminado ele se senta no chão da sala e começa a chorar desesperado enquanto a dor toma conta de seu corpo. Chora até seus olhos adquirirem uma cor de leite e toda vida e racionalidade desaparecer. Assim ele caminha na direção da rua vagando em busca de carne humana para saciar sua fome voraz.
Chegando ao final de uma rua de um bairro simples vê um homem dentro de um casa e só consegue pensar em como poderia se aproximar mais para alimentar se com sua carne.

Enquanto isso, o homem fecha as cortinas e volta a se irritar o a mulher em choque e com a situação bizarra na qual se encontra.
O que vai acontecer? Quem nesse mundo há de saber?

domingo, janeiro 26, 2014

A Volta

Não importa quantas vezes eu tente fugir, de uma forma ou de outra sempre volto para você.
Longe de ti não sei ao certo como agir, é como se faltasse um pedaço de mim e os dias sempre terminassem com um grande ponto de interrogação. 
Afinal, como posso negar a sua importância na minha vida, foi você que sempre esteve junto de mim tanto nos dias mais claros quanto nas noites mais escuras e densas do meu existir, sem dizer se eu estava certa ou errada, apenas me aceitando assim do jeito que sou.
Já não sei contar quanto tempo tenho você como companheiro, me lembro da tua presença desde os rabiscos no caderno até os trabalhos mais difíceis e elaborados. Sempre formamos uma bela dupla, mesmo com nossas imperfeições, conseguimos tocar muitas pessoas, assim como viver grandes momentos.
É por tudo isso e por reconhecer que falta alguma coisa em mim quando fico sem você, que depois de quase três anos vou voltarei a ESCREVER. 

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A todos que acompanham meu BLOG peço sinceras desculpas por esse longo período sem atualizações e por algumas publicações aleatórias e fora da proposta na qual sempre escrevi por aqui. Voltarei a escrever meus pequenos contos baseados, em sua maioria, na visão feminina da vida sobre assuntos cotidianos, com a diferença de que agora postarei também alguns contos maiores como exercício pessoal de um tipo de narrativa que me fascina em criar. 
Vamos então voltar a viajar, por esse Universo Paralelo onde eu amo estar?


segunda-feira, setembro 30, 2013

Re-vivendo


Foto; acervo próprio
Novamente era um belo dia, a mesma sensação, o mesmo medo, a mesma dor, o mesmo hospital. Contudo algo agora era diferente: Eu já não era a mesma pessoa.
Assim como tudo na vida muda, eu passava por uma nova  transformação, já não era a menina medrosa que um dia fui, muito menos vestia a armadura de pedra de outrora que me fazia forte por fora e incompleta por dentro. Sete anos depois me sentia forte sim, só que agora terna como nunca antes tinha conseguido ser, novamente enchia o ar do Ipiranga com um novo e belo grito que anunciava a doce presença de um novo e belo ser humano.
Cinco meses depois do ocorrido consigo parar e pensar no significado dessa nova e também inesperada gravidez, assim como consigo entender com mais clareza a importância dos meus filhos na minha vida. Analisando o passado e olhando meu filho a crescer agradeço a vida por ter colocado ele no meu caminho, pois se não fosse por ele não teria feito a metade das conquistas que fiz. Afinal, ser mãe é sempre querer crescer para dar o melhor de si para um pequeno ser. Vejo também o quanto agora minha filha trás a tona novamente a melhor parte de mim, pois com ela não vem só a força, mas também a leveza de poder curtir o momento por saber que agora não estou mais sozinha nessa missão de fazer um ser crescer. Sei que são muitas as mães que criam seus filhos sozinhas, mas por experiência própria digo que ninguém deveria passar por isso, afinal, por mais natural que pareça uma mãe criar seus filhos, em momentos de desespero, quando as crianças dormem e o desespero toca a nossa alma, chorar sozinha e escondida é sempre mais dolorido, não poder contar com um "Vai dar tudo certo", por vezes é terrível e faz a gente ficar um tanto mais amarga em relação a vida e as pessoas.
Realmente posso dizer que estou revivendo, mas ao mesmo tempo fazendo diferente, por me sentir diferente, estar com alguém diferente visualizando um futuro simples com o qual sempre sonhei, mas que nunca antes tivera a capacidade de alcançar.
E se alguém hoje perguntar por mim, só posso dizer que sou feliz, pois tenho ao meu lado três pessoas que me completam, me apoiam, me amam e me fazem perceber que o bom da vida é simplesmente se dar ao luxo de ser crescer não de maneira egoísta, antes por mim, por você, pelos meus filhos que serão eternamente a melhor parte de mim.

domingo, abril 07, 2013

Maternidade X Profissional


As vésperas do nascimento de meu segundo filho, não poderia reiniciar os posts deste blog (que está meio abandonado pela conclusão de projetos pessoais) falando sobre outro tema que não o da maternidade.
Não são raras as mulheres que acham que somos obrigadas a escolher entre a maternidade ou o sucesso profissional. Questionada sobre o que farei profissionalmente com o meu futuro respondi entre risos: Por que não posso ter os dois?
Essa ideia de que precisamos ter nossos filhos cada vez mais tarde, pois assim já conseguimos garantir sucesso profissional antes de perder nosso precioso tempo cuidando de uma criança, faz com que deixemos de lado uma das experiências mais humanas e naturais que pode acontecer na vida de uma mulher que é se aventurar nos caminhos da maternidade.
Longe de mim defender a ordem da família tradicional, onde a mulher é dada somente a função de criar sua prole, antes quero aqui defender uma visão diferente sobre o que é ser mulher na sociedade atual.
Por esses tempos fiquei indignada ao ver um programa onde se defendia a gravidez na maturidade (dos 38 anos pra cima), pois esse é um fator pra sabermos se realmente gostaríamos de viver essa experiência, além dessa faixa etária apresentar mulheres profissionalmente realizadas.
Concordo com o fato de que planejar ter um filho (ao contrário das minhas experiências) é fundamental para que as crianças se sintam queridas e acolhidas nesse mundo. Contudo o fato que omitem nesse planejamento a longo prazo é o de que a maioria das mulheres que tem filhos nessa faixa etária optam por fazer parto cesariano, que não é um dos melhores para mulher, além dessa faixa ser encarrada como uma gravidez de auto risco, visto que quanto mais o tempo passa ficamos biologicamente mais frágeis para vivenciar como se deve essa experiência. Além, é claro da frustação de muitas mulheres que acabam por não conseguir realizar esse "sonho".
Em contra partilha, procurando uma analise sobre a maternidade e carreira profissional com outro ponto de vista, encontrei essa postagem num blog de educação corporativa que fala sobre como a maternidade pode impulsionar o nosso sucesso profissional. E imediatamente me identifiquei muito com o texto.
Antes de ter meu primeiro filho sonhava apenas em terminar a faculdade, prestar um concurso publico e me aposentar trabalhando com educação infantil. Depois que meu filho nasceu adquiri uma força que não sabia que tinha, terminei sim a faculdade como planejava outrora, com alguma dificuldade, visto que no ano em que iniciei meus estudos meu filho tinha apenas 6 meses de vida, contudo com sucesso nos meus planos. 
Ao contrário dos planos anteriores, não prestei concurso publico, antes continuei a estudar, pensando na chance de abrir mais portas profissionalmente e aumentar minha renda, visto que meu filho estava crescendo e com isso suas necessidades de lazer e educacionais aumentavam. Por isso decidi fazer meu mestrado que conclui alguns dias antes de completar 9 meses da minha segunda gravidez. 
O que vou fazer futuramente com meu lado profissional? Daqui a um ano voltar a trabalhar agora na área acadêmica, enquanto isso após o nascimento da minha filha Larissa, vou fazendo publicações cientificas para não perder o rumo, enquanto cuido dela, do meu filho e do meu marido.
Sou a prova de que sim, a maternidade pode te impulsionar, uma vez que você não se entregue ao desespero de ser uma jovem mãe com os planos fracassados. Afinal, ser mãe é algo natural e não deve ser encarrado em meio a frustrações e demandas de um mercado de trabalho que cada vez mais tenta anular nossos direitos mais do que naturais e que nos fazem ser mais do que humanos.

Para os que ainda carregam duvidas sobre essa opinião a respeito da maternidade, lhe respeito, afinal, não é porque toda mulher pode ser mãe que todas realmente merecem ou tem paciência para tanto. Mas para você que quer ter filhos, mas tem medo de estragar a carreira, assista o inicio desse filme e pense um pouco mais sobre o assunto.