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sexta-feira, setembro 24, 2010

Envelhecer


- Quando você foi embora deixando a porta aberta, senti como se o teto caisse sobre mim. naquele dia nossa casa se transformou em ruínas e o espaço antes pequeno se tornou imensidão.
Mas como tudo na vida passa, você passou e eu, sem escolhas, segui.

Depois de vinte anos, Eliza voltou a antiga casa onde vivera cm Danilo só para poder ver que o lugar que antes era um lar agora tinha se transformado em ruinas.

- Como nossas vidas, tudo o que sobrou foram tijolos e saudades.

Entrou e saiu da casa como quem fazia uma inspeção, queria passear por cada detalhe na tentativa de se lembrar de tudo o que havia esquecido. Depois de anos sentia a necessidade de recuperar um pouco daquela beleza terna que só o primeiro amor era capaz de proporcionar a alma. Sentia que agora, velha, precisava recuperar a ternura antes que acabasse morrendo só.
Se os anos fizeram aquilo com a casa o que eles não teriam feito com ela? Era nisso que pensava enquanto se preparava para sair da casa. Contudo, uma aparição,no que antes fora a sala ,lhe chamou a atenção. Uma simples planta brotava do chão, suas folhas verdes claras e simples refletiam o sol que naquela manhã visitava a cidade, sua luz fazia com que algumas flores ganhassem um tom amarelo magnificamente belo como a cor das flores pequenas e simples das quais ela tanto gostava.
Ficou paralizada observando o magnìfico show que a natureza lhe mostrava. Percebeu naqueles segundos que vivia com sua beleza possível e que por mais atraente que fosse recordar, envelhecer também lhe traria doces experiências e dias. Descobriu no meio daquele cenário uma bela verdade:

- Sou como essas ruínas e mesmo que o tempo me derrube sempre guardarei em meus olhos a beleza de ser quem eu sou:SIMPLESMENTE, ELIZA.

Foi embora naquela tarde em paz com seus cabelos brancos e com todas as recordações guardadas na caixinha de música da sua memória.


quarta-feira, setembro 22, 2010

Comprimido


O que te compóem
não sei dizer...

Mas quando me aproximo de você,
sinto que vou morrer

Tua composição é a minha solidão.

sábado, setembro 18, 2010

Me Encontrar


"Eu vou mesmo sem isso, pois posso estar embaixo da terra ou sobre ela, mas sem ele eu não posso viver."

Alguns anos atrás, eu encerrava um post com essa frase dita pela atriz Debora Falabella, enquanto interpretava Lisbela no filme Lisbela e o Prisioneiro. Na época gravei essa frase e fiz dela o meu lema para que mesmo diante as circustancias mais dificeis eu fosse capaz de me lembrar que os meus passos eram guiados pelo amor puro e belo por ser o primeiro e verdadeiro sentimento.
Anos depois me vejo aqui novamente sozinha e com esses ideais românticos todos mortos. Mesmo assim não sinto vergonha por nenhuma atitude que tomei e nenhuma escolha que decidi fazer e se para crescer tive que perder algo que me era caro, enxugo as lágrimas e caminho, pois na vida não podemos perder tempo parando no meio da estrada.
Fica em mim a certeza de que eu vivi com a intesidade merecida e de que se tudo passou agora e tempo de caminhar para que um dia eu possa me esquecer, perdoar, me encontrar...

"Agora o filme acaba e começa a minha vida real..."

terça-feira, setembro 14, 2010

Maldita

Foto:acervo próprio

Quando eu era mais nova um amante especial me deu o carinhoso apelido de Maldita, confesso que não gostei no inicio, mas após explicações tive que concordar com ele, realmente era o nome perfeito para mim. Ah, claro, porque concordei? Segredo entre amantes, não posso revelar...
O fato é que por mais que eu tente viver minha vida me importando somente com quem me importa, sempre encontro pessoas a me perseguir como se eu fosse uma espécie de bruxa ou uma doce prostituta. Confesso que me irrito muito com essas pessoas de mente insegura em corpos vazios,afinal, quando me deparo com esses seres é como se eu observasse um inseto preso dentro de um vidro pequeno tentando escapar, afinal, é sempre como se eles não conseguissem guardar a própria essência dentro do corpo que lhes foi dado. Triste...
Tenho fama de maldita, também, pelas discussões que inicio, mas em verdade sou uma pessoa tranquila, nunca gosto de entrar em uma briga, contudo não adimito sair de uma com lágrimas nos olhos e sem respostas. Mesmo tendo essa fama no campo das discussões só chego ao extremo de pensar em respostas para pessoas que acho que valem a pena, se te olho e não vejo nada, certamente nunca lhe direi uma só palavra, por isso viva feliz, nunca vou te incomodar
Quando o apelido me foi dado no passado não me incomodava, até gostava dele, contudo, passados oito anos, ele agora me incomoda justamente pelo sentido inverso, o que antes era elogio se tornou ofensa e isso me magoa profundamente.
Dou tanta importância ao passado que não ouso falar dele, justamente para no momento de relembrar não subverter as recordações transformando elas de acordo com os novos sentimentos adquiridos com o tempo.
Declaro abertamente que estou cansada desse titulo, dou ele a quem possa interessar. Se acaso é mulher é tem algum tipo de sentimento ruim por mim saiba que levei muitos anos para me tornar o que hoje sou e que você assim também pode ser no dia em que acordar, se olhar no espelho com a grande certeza de que uma mulher não se torna mulher por fazer sexo, uma mulher nasce das escolhas que faz, do olhar que resolve lançar para a vida e da importância que passa a dar para as pessoas que realmente lhe são preciosas.
Se acaso fores homens e possuis algum sentimento ruim por mim, saiba que eu não sou assim tão má, basta perguntar para todos os homens que já me conheceram bem em vida, nenhum deles (amigos ou amantes) vão falar mal de mim, pois deles guardo boas lembranças acima dos dias dificeis ou brigas de gênero.
MALDITA MULHER...
Estou acostumada com o titulo e se acaso quiseres ele lhe oferto de presente, mas lhe deixo o aviso: Se tu fores fraco cresça por você e aprenda a viver um dia de cada vez.

sexta-feira, setembro 10, 2010

Problemas?

Não, Dorothy, ninguém pode fugir dos problemas, mas a vida sempre nós dá a possibilidade de crescermos com eles. Portanto, cresça sem nunca desistir de sonhar.

quinta-feira, setembro 09, 2010

Fragilidade



Engraçado como o dia pode lhe começar suave e acabar lhe pesando quando a noticia da morte de um conhecido te chega. Creio que nestes momentos nem o melhor dos escritores encontrar boas palavras para dizer, por vezes um abraço cala mais forte na alma e tem a força de mil palavras de consolo.
Nesses momentos em que meu talento se anula, paro e reflito sobre nossa dura condição humana, somos abençoadamente amaldiçoados pela nossa liberdade. Contudo, esse tal livre arbítrio que tanto nos encanta também tornasse o nosso pior inimigo quando percebemos que por mais que lutemos para conquistar a eternidade somos seres cronológicos e limitados pelo tempo de existência.
E são nas horas de dor que desejamos nos jogar nos braços de Kairos, para que certos momentos simples nunca se apaguem:
Dois bons amigos caminhando e trabalhando juntos, um casal que vive à anos em harmonia, um dia especial divido entre familias, desejos de bom dia a um antigo vizinho...
E de repente tudo se torna lágrima diante da confirmação da fragilidade, nesses momentos em que os Deuses nos mostram que somos livres, mas não gozamos da eternidade, choramos como crianças porque não sabemos e nem queremos perder.
Nunca vou saber lidar com a morte, afinal, posso suportar uma vida de solidão e sofrimentos particulares, mas não aguento pensar na tristeza ou fim daqueles que são importantes para mim.
Por isso que diante noticias de morte me entrego a minha fragilidade e desejo um terno e suave abraço de Kairos para que o tempo do meu ser nunca coloque um ponto final naqueles que me são caros.

segunda-feira, setembro 06, 2010

Quando Eu Aprender

Lembro do tempo em que eu era criança e tinha sede de conhecer o mundo, aprendia sempre com meus piores erros, conseguia aproveitar os tombos que levava, fazendo de cada arranhão, marca, cicatriz, uma lição de força para seguir em frente. Assim aprendi a falar, andar, ler, escrever e sonhar.

Agora adulta me vejo no meio de uma estrada a contemplar as maravilhas que a vida me reservou. Agradeço cada momento feliz, cada vestígio de dor, porque tudo me fez ser quem hoje eu sou e como sou grata pelos caminhos que trilhei.

Tenho tanta coisa, outras tantas me faltam... Contudo a falta não quer dizer ausência, ao contrário, a falta se dá quando os sentimentos resolvem transbordar sem direção para onde possam vazar, isso acaba deixando meu ser repleto de sentimentos que deveriam ser repartidos e que por vaidade não jogo ao vento.

Tudo parece triste, por vezes, mas isso, em verdade é viver. Caminhar entre sorrisos e lágrimas, entre tombos e abraços, entre letras velhas e novas canções, tudo isso faz parte de mim e eu nunca negarei o que sou, por isso quando o desespero da solidão me ataca, choro sozinha, depois fecho os olhos,respiro fundo e consigo enxergar o que escondo aqui dentro de mim. Vejo que guardo algo belo que eu nunca quis mostrar, mantenho tudo isso seguro até o dia em que eu possa ofertar com segurança a alguma outra pessoa.

Quando eu aprender e me permitir sentir vou tirar tudo isso de dentro de mim, colocarei tudo numa bandeja para lhe servir de sobremesa no banquete de nossas almas. E enquanto você não aparece, vou temperando minhas emoções para que nosso futuro amor possa ter dos banquetes divinos o sabor.

Espero-te com o corpo forte e coração puro e se acaso não te encontrar nessa vida, ofereço aos deuses minha alma para que ela possa ser comprada por alguém que tenha em si o desejo de nascer com a vontade de quem deseja a verdade acima do medo de se estar só.