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sábado, junho 12, 2010

Ternura

A menina do espelho... A garota das palavras... A mulher aprisionada pelo medo de amar...
Tudo em mim é um vendaval, tanta complexidade a mim atribuida, me pergunte quem eu sou que eu lhe reponderei:
- Uma menina.
Nessa vida nunca passaremos de crianças adormecidas em corpos amadurecidos pelo tempo.
Tantos já me olharam, mas quantos já me viram?
Ser mulher é ter o melhor e o pior da flor: Beleza e espinhos.
Por tanto tempo busquei nessa vida, uma presença que pudesse me fazer suportar, o peso do passar dos dias, alguém que pudesse aguentar o tamanho do sentimento que tenho guardado em mim. Contudo, todos os olhares que já conheci foram apenas simples desejo, no final sempre me via sozinha, me acostumei a ser sozinha mesmo em companhia.
Mas como a vida não é sem graça e tem mania de nos dar esperança, um dia encontrei num novo olhar um tanto de ternura. Primeiro sintoma: insegurança, nunca consegui lidar com verdades que não me pertenciam, tão acostumada estava as mentiras que sempre me cercaram.
Com o passar dos dias e seus atos, minha insegurança se foi com o vento, agora tudo o que sinto é paz e uma clandestina alegria de quem nessa vida não precisa mais procurar, pois em teus olhos consegui encontrar aquilo que tanto buscava.
OBRIGADA POR ENTRAR NA MINHA VIDA.

sexta-feira, junho 11, 2010

Presentes


Um dos momentos mais doces que vivo atualmente são as voltas da escola com o meu filho, quase sempre comemos algodão doce que um senhor muito simpático vende no portão. Esse senhor lembra muito meu avô e compartilhar esse momento com o meu filho é o mesmo que voltar a ser criança para acompanhar seus pequenos passos em igualdade.
O fato é que meu filho sempre me presenteia com algum presente inusitado, quando não são os anéis que vem no algodão doce, ele me trás do parque uma folha de árvore, ou mesmo uma pedra que ele acha e guarda para mim. Todos esses presentes inusitados me fazem sorrir e nunca passou pela minha cabeça a idéia de não aceitar.
No inicio dessa semana, quando estavamos voltando para a casa não encontramos o tio do algodão doce, menos um presente; andando mais a frente não encontramos nenhuma folha bonita jogada no chão (meu filho se recusa a arrancar das árvores para não machucar elas), menos dois presentes; andando um pouco mais a frente, quase na avenida ele finalmente encontrou a pedra que procurava, ficou muito feliz com isso, abaixou, pegou ela nas mãos e me deu.
- Filho, por que todo dia você me dá uma pedra de presente.
- Porque eu te amo muito, mãe.
- Eu também te amo muito, Nick.
Sorri para ele, lhe dei um beijo e caminhando pensava: Se em cada coisa simples ele encontra o amor, como posso eu não admirar meus presentes de todos os dias?
Nosso amor é como uma torre de pedras, tem a doçura do açucar e a leveza das folhas. meu filhote de poesia nunca me decepciona e eu sou grata ao destino por ter me dado o maravilhoso dom de ser responsável por uma vida tão pura e bonita.
Meu filho sempre será a melhor parte de mim, com vestigios do amor mais puro que já senti.

quinta-feira, junho 10, 2010

Revisitando


Não gosto de falar do tempo passado ou mesmo ficar revivendo situações, contudo, contrariando minha própria filosofia, por esses dias revisitei meu passado.Arrumando a bagunça do meu quarto encontrei escritos meus datados de 2000, por puro prazer e nostalgia comecei a ler alguns, claro que a faxina terminou por ali, mas algo melhor havia se iniciado: a avaliação do meu concreto crescimento.

Acho engraçado pensar que algumas pessoas julgam que possuo um dom para criar histórias,mal sabem elas as besteiras que já pensei e os absurdos que já criei até escreer algo que merecia ser lido e publicado. Além, é claro, dos meus eternos problemas gramaticais e de concordância, não concordo nem comigo mesma, por vezes. O grande fato é que nada nos é dado, tudo tem de ser adquirido e quando se escreve com comprometimento e paixão, criticar-se faz parte do processo criativo.

Lembro que quando menina eu era uma grande mentirosa, inventava cada história e minha mãe só fazia brigar e rezar para que eu fosse mais verdadeira. No terceiro ano, parei de mentir e comecei a criar histórias que impressionavam minha professora, mas nunca consegui gostar de nenhuma. Passei por muitos professores, por muita solidão e auto-critica. Da poesia fui para a prosa sem nunca deixar de ser poética. Hoje relendo tudo o que escrevi e guardei dou muita rusade de mim mesma, não uma risada desesperada, antes o sorriso puro de quem nunca desistiu do seu sonho de aprender a escrever.

Entre três cadernos de rascunho que ficam espalhados pelo quarto, um fichário de poesias, três cadernos completamente lotados de escritos, uma porção de textos escritos na minha velha máquina de escrever e rascunhos em pedaços de papéis espalhados pelos cantos, vejo minha imagem que é mais nítida do que a que o espelho me mostra. Sinto orgulho de ser quem sou, de ser como sou e em meio a minha solidão criativa, organizo todos os meus papéis jogados, como quem arruma pessoas queridas para um grande retrato de familia.

terça-feira, junho 08, 2010

Letra e Musica


- Por que você escreve?


- E por que você canta?


Eram de fato diferentes, mas a arte e o sangue sempre davam voltas, entravam por diferentes portas e iam sempre parar no mesmo lugar: na artéria do mesmo coração materno.
O que significava para os dois ser irmãos?
Em ambos uma forte noção de família que os unia mesmo quando os atos e caminhos tornavam-se diferentes.
Uma relação de proximidade a distância, um aconselhar sem questionar, um brigar por querer bem, uma adimiração mutua e sincera de quem não inveja apenas ama com sinceridade.
Como toda boa música, somavam suas diferenças, ela usava seu dom com as letras e ele compunha as mais belas melodias e entre notas e rimas eram o que tinham que ser: Música composta pelo mesmo amor.
- Canto porque isso faz bem ao meu coração. Creio que é no som que me encontro e onde posso me perder.
- Escrevo para conseguir dizer tudo o que não tenho coragem de falar, essa é minha benção e minha fuga.

Ao meu irmão, Eder Brito. Sincera homenagem de quem torce por teu sucesso, sempre.

quarta-feira, junho 02, 2010

Desconhecido

Definitivamente aquilo não era amor, era apenas a ausência do frio que tomava conta de seu corpo toda vez que tinha ao seu lado o corpo de um outro alguém.
Laura descobriu essa terrivel verdade quando, no meio da noite, levantou para ir até o banheiro. Amaldiçoou aquela corrente de ar ingrata que tinha a coragem de lhe trazer a verdade aquela hora da noite, em meio a sua lua de mel.
Correu ao banheiro e, mesmo sentindo frio, permaneceu sentada olhando para o chão como quem procura uma saída por entre os espaços no chão. Tudo o que conseguiu com isso foi ficar com mais frio e com uma pitada de pânico em sua mente.
- O que fiz da minha vida? O que devo fazer agora que sei?
A exaustão do dia lhe tomava o corpo e a necessidade de voltar para cama e se aquecer era grande, por isso, mesmo sem respostas para suas questões, ela voltou para o quarto. Quando estava se preparando para deitar, Laura sentiu uma dor de cabeça tão grande que tudo o que pode fazer foi gritar e logo em seguida desmaiou.
Acordou sentindo frio, num quarto de hospital, olhou para o teto e perguntou:
- Onde estou?
- Que bom que você acordou, meu amor.
Confusa, a mulher olhou para o homem e perguntou:
- Quem sou eu?
Ao ouvir tal pergunta, tudo o que seu parceiro pode fazer foi sentar ao seu lado, olhar ela nos olhos e chorar. Alguma coisa naquele olhar lhe deu segurança, por isso Laura sorriu e parou de perguntar, apenas enxugou as lágrimas de seu marido e disse:
- Me abraça.
- Claro, Laura
E foi assim que pela primeira vez na vida, ela realmente sentiu em si o amor.

domingo, maio 23, 2010

Mãos Vazias

É madrugada em minha alma, no escritório sozinha escuto a música Butterfly do Weezer, na minha cabeça um único pensamento: você.
Onde estas nesse momento? O que deve estar fazendo?
Espero que estejas dormindo e tendo um sonho lindo, desses que eu nunca vou poder te dar, porque tu nunca vai querer se aproximar das minhas mãos.
Tenho mãos bonitas e vazias, dessas que mesmo pequenas são mortíferas, porque acabam sempre esmagando entre os dedos os sentimentos.
Me perdoe por te desejar tanto e não saber demonstrar, por achar natural sua fuga e nunca mais te procurar. Me perdoe por sair da tua vida da mesma maneira que entrei, como uma surpresa, um instante,um fim...
...I´m sorry for what I did
I did what my body told me to
I didn't mean to do you harm
Everytime I pin down one what I tink I want is slips away
the ghost slips away...
De mãos vazias deixo esse amor que partiu como uma borboleta que pelo meu vidro de criança encantada não queria ser aprisionada.
Ame, mas não a mim, antes ame as flores do teu jardim, pois elas não possuem mãos por isso nunca iram lhe ferir.

terça-feira, maio 18, 2010

Gestos

Leticia Brito
Novembro/2009
Me tomou nos braços e me colou no teu corpo, como foi bom sentir teus braços envoltos em minha cintura, tua boca brincando com a minha de um jeito simplesmente delicioso.
Deitada na cama coloco os braços para cima e fico ali parada diante de ti em um gesto de pura entrega, como quem espera ser adimirada e possuida primeiro por teus olhos, depois por teu corpo.
Entre caricias e toques, entre um gemido e outro, sentir teu corpo no meu me fazia bem. Pedia mais força, você era forte, suavemente forte e isso fazia com que meu desejo por ti aumentasse cada vez mais. Naqueles instantes em que estive em seus braços me rendi a força do seu desejo e sem medos ou remorsos fui sua, plenamente sua. Toda mulher deveria se entregar dessa forma ao seus parceiros, contudo o pudor faz com que transas sejam apenas momentos fragéis, nada além. Eu, ao contrário, quis lhe mostrar mesmo que por uma noite apenas, como era ter uma mulher inteiramente ao seu lado. E quando chegamos então ao derradeiro momento o gozo foi intenso e a entrega também.
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Tudo acabado, eu e você sabiamos que tinha sido apenas momento, mas quando eu estava me arrumando em frente ao espelho você fez algo que eu jamais vou esquecer. Até hoje me pergunto por que raios você fez isso, mas não posso negar que para mim foi como tirar por um instante meus pés da realidade mergulhando eles num mar de prazeres magnificamente simples. Você me abraçou por trás, fechou os olhos e me beijou no rosto, ficou por cinco minutos com seu corpo colado ao meu, eu de olhos bem abertos olhava nossas imagens no espelho, foi como adimirar um lindo quadro, gravei na minha mente um retrato que eu jamais poderei apagar.
Quando você se afastou e eu fiquei sozinha, olhei novamente para o espelho, uma lágrima caiu dos meus olhos e foi ai que eu percebi que teria você para sempre gravado dentro de mim.