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segunda-feira, abril 12, 2010

Procura

Não, eu não ando pelas ruas a procura de um momento, de uma história, de alguém...
Eu ando pelas ruas como quem tem presa de chegar a um encontro consigo mesma. Tenho em mim a ansiedade costumeira da mulher que muito quer da vida além de suas poucas alternativas.
Casada ou solteira? Ser mãe ou não ter filhos? Ter amor ou amantes?
Todas questões tolas, não vale a pena responder nem ao menos desejar. Acredito no fator inevitavel da vida, sempre teremos aquilo que aguentamos ter, se somos fracos conosco nunca aguentaremos criar um filho, se nunca soubermos pedir perdão sempre seremos sozinhos, se nunca me entregar a ninguém nunca saberei o que é amar, de certo não irei me machucar, mais todas as noites após voltar para casa serei um pouco mais sozinha que antes.
Minha vida não é feita de procura, minha vida é repleta de caminhadas que me levam rumo ao nada que se possa desejar e ao tudo que eu posso viver.

segunda-feira, abril 05, 2010

Tempo de Mudanças


Porque o Ipiranga não me faz lembra apenas de história e cultura, ele me traz recordaçõs de alguns momentos da minha vida que são como retalhos de recordações que me fazem ser o que hoje sou.
Foi enquanto passeava em seus jardins que tentava aceitar novamente minha condição de paciente, lutava contra um fantasma passado que se fazia presente, uma doença que era misteriosa e certa em minha vida. Retirava forças do fundo do meu ser para reiniciar uma batalha da qual eu tinha acabado de sair achando que tinha vencido uma guerra. Pobre de mim, pois retornava ao campo de batalha pela terceira vez.
Foi também no Ipiranga que num certo dia 09, eu adimirava da sala de cirurgia as árvores ao longe no parque. Ao dar a luz experimentei o amor verdadeiro pela primeira vez e ao olhar nos olhos de meu filho foi que aceitei um novo futuro que eu não sabia onde iria me levar, só tinha em mim a certeza de que apartir daquele dia a minha vida nunca mais seria a mesma. Me orgulhava de mim mesma pela força que demosntrei quando todos ao meu redor, preocupados, esperavam uma queda, mas eu mostrei ser mais forte e determinada do que podiam imaginar, dei vida e fiz minha vida mudar.
Anos depois estava de votla novamente ao Ipiranga, tinha acabado de sair de uma consulta com o Neurologista e em seus jardins eu chorei, chorei um choro de dor de quem se despede de uma etapa, de um sonho. Na minha cabeça as palavras.
- Eu não te amo...
Um velhinho que me olhava de longe, se aproximou de mim e me ofereceu uma bala, eu peguei,, enxuguei minhas lágrimas e sorri. Enquanto o doce adoçava meu paladar decidi que aquele seria um tempo para recomeçar. Enxuguei novamente minhas lágrimas e voltei para a minha velha casa que sempre estaria de braços abertos para mim. Foi dificil, mais não impossivel sufocar a dor em busca de dias melhores a vir.
Agora estou eu aqui novamente, adimirando essa paisagem e com uma questão na cabeça, nova decisão a tomar. Nos meus ouvidos as palavras de uma gentil doutora que me diz:
-Você vai diminuindo o rémedio aos poucos até parar de vez.
A possibilidade de viver uma vida normal sem meu fantasma em comprimido todos os dias as 8H00 da noite me dava um certo frio na espinha, um pouco de contentamento e felicidade, em outro ponto de insegurança por já ter guardado anteriormente esperanças que se acabaram um ano depois.
- O que devo fazer? - perguntava a paisagem bucólica sem ouvir nenhuma resposta.
DEpois de refletir por um longo tempo decidi:
- Vou tentar, se a vida é para frente eu não tenho o que temer, quem não se arrisca não evolui e eu não quero perder os meus sonhos por medo.

Tirei essa foto e sai correndo para mais um dia de trabalho, para mais uma tarde de vida onde eu poderia subir mais alguns degraus até o topo de mim.

segunda-feira, março 22, 2010

Micro- conto: Comédia Romântica


Era uma vez ela que dizia não viver sem ele. Até o dia em que, cansada, saiu de casa e em meio as suas lágrimas sentiu-se viva pela primeira vez na vida.

segunda-feira, março 08, 2010

Blogagem Coletiva '100 anos do Dia Internacional da Mulher - Celebrar o quê?'


Mesmo antes do dia internacional da mulher existir, nós, mulheres já caminhavamos pela terra oferecendo nossa força e o nosso sangue para o progresso da humanidade.
Algumas de nós perderam seu sangue no momento do coito com um marido que nos era imposto, outras foram tratadas como animais durante séculos sem direito a educação e ao livre pensar, outras ainda enfrentaram costumes e religiões, foram apedrejadas, castradas, molestadas, tudo pelo crime de ser mulher. Ainda existem aquelas que perderam seu sangue dando a luz aos seus filhos que sempre seriam grandes se os primeiros nascessem homens.
Por tantos momentos de sangue, luta e dor nós passamos, contudo só ganhamos um dia propriamente nosso apartir do momento em que vidas femininas foram tiradas de maneira brutal demais para ser esquecida.
Oferecer uma rosa a quem passa a vida lhe dando sua força e sangue, no trabalho, na vida, na cama, é um gesto muito pequeno diante de tudo o que merecemos. Quanto sangue será que ainda teremos que derramar para que todos comrpeendam que o dia da mulher não se resume somente a esta sombria data inventada por capitalistas que querem ter lucro na venda de rosas?
Nós somos suas irmãs, suas mães, suas amantes, seu futuro. Retire as mulheres do mundo e em pouco tempo ele não mais existira. Lembre-se das mulheres que cercam sua vida todos os dias e nunca ouse tentar fazer uma mulher consciente e sensivel comemorar um dia que carrega tanto sangue e dor.
Gostaria de acordar num mundo que não precisasse presenciar um exterminio em massa para criar um feriado, num mundo com menos vontade de assistir aos mitos de tantos heróis.
Um dia não apaga o que passou e tudo o que podemos fazer é lutar por dias onde iram sim lembrar que sem as mulheres não existiria um futuro e nossa vida não pode se resumir em um simples botão de flor.


segunda-feira, março 01, 2010

Topia


Choro silenciosa e sozinha em meio a noite, como uma criança que tem medo do escuro, mas enfrenta o desafio de dormir no breu em busca da superação de tal temor.
Nessas horas em que permaneço sozinha, tenho por habito permanecer em frente ao espelho, adimirando todas as minhas expressões, meus traços, e em meio a esse treino de auto-aceitação penso em todos os sonhos que tive e abandonei:Uma viagem, mudança de cidade, aquela declaração de amor que nunca saiu do meu papel, o curso que deixei pela metade, o adeus não dito a tantos amigos que se afastaram com o tempo...
Tudo em mim é nostalgia e realidade.
Procuro em meio as minhas recordações fazer ligações entre esses sonhos tão diferentes e tão parecidos em sua essência. Penso que tudo o que não consegui fazer não foi por falta de tentativas, mas por terem sido sonhos frágeis que nos fazem acreditar que utópico é tudo aquilo que não podemos realizar.Contudo, não foram essas minhas grandes utopias, essas foram apenas minhas topias
Nossas topias são apenas um treinamento e preparação para o um sonho maior e possivel, aquele pelo qual devemos lutar, no qual devemos acreditar: nosso grande sonho final. Que em nada se assemelha com a morte, antes disso é o inicio de uma vida repleta de sentidos.
Não é belo o humano que vive de sonhos, mas sim o humano que consegue abrir caminhos e fazer suas próprias conquistas.
Essa determinação eu posso perceber nso traços do meu rosto e são elas que me fazem querer ir muito mais além do que até agora fui.
A vida é crescimento e todo momento de melancolia deve ser contemplado como um momento de reflexão a espera da conquistas dos nossos verdadeiros sonhos.

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

Querer

Andava sozinha no escuro com as mãos se mexendo freneticamente jogadas para frente, de longe parecia tola, contudo fazia isso com a esperança de encontrar algo em que suas mãos pudessem tocar. Talvez uma placa que lhe desse uma pista de qual era o melhor caminho a seguir, ou mesmo as mãos de alguém que segurando as dela mostraria onde fica a saida desse vendaval chamado vida onde ela decidiu se atirar.

- O que você espera encontrar?
- Alguma coisa
- Que tipo de coisa?
- Quando eu encontrar ei de saber.
- Como pode ter certeza disso?
- Porque essa bagunça que você vê sou eu e confio em mim acima de tudo.
- Boa sorte.
- Obrigada, sei que terei.

Conversava consigo mesma, discutindo com aquele lado negro negativo que nos mostra somente os abismos e nunca as belas flores que podemos encontrar pelo caminho.
Não se importava com as vozes na sua cabeça e nem ao seu redor, apenas seguia. Não queria querer sem se mover, não queria pensar sem se esforçar para conseguir. Queria cada segundo, cada sorriso, cada lagrima, todas as flores e pedras eram bem vindas em seu caminho, sorrisos de conhecidos e desconhecidos eram aceitos. Não queria muito, apenas queria viver cada dia de uma vez.

domingo, fevereiro 21, 2010

O Mar e Eu

Quando o vi caminhei em sua direção como quem reencontra um amigo a muito tempo distante, parei a sua frente e senti em meus pés sua suavidade a me tocar. Foi tão doce o seu toque que parecia que suas ondas me traziam toda a energia e desejo das mãos que estão do outro lado de ti, era como se no som das águas eu pudesse ouvir uma voz que me fala para não teme-lo, pois do mar brota a vida e mora o olhar daquele que eu guardo em meu coração.
E foi por causa de você que esta ai distante no além mar, que pela primeira vez na minha vida entrei na água sozinha, fui caminhando e deixando a água brincar com o meu corpo. Contudo o meu temor por não saber nadar me fez parar no ponto onde eu sabia que podia chegar. Fechei os olhos e tentei ouvir apenas o ruido do mar e sentir em meu coração a certeza que em algum lugar um alguém sonhava com o mar e com a incrivel sensação de liberdade que ele pode nos proporcionar.
Ao sentir a água batendo nos meus lábios sorri, era como se o mar me desse um beijo me fazendo lembrar que no meu rosto o sorriso fica melhor que as lágrimas, que apesar de também serem salgadas sempre acompanham sentimentos duros.
Na praia meu espirito repousou e no mar minha alma encontrou o carinho de quem por amizade desejou me acompanhar.

Obrigada PAULO por existir nesse além mar e por mais de uma vez me fazer buscar a força que eu tenho dentro de mim.