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segunda-feira, março 08, 2010

Blogagem Coletiva '100 anos do Dia Internacional da Mulher - Celebrar o quê?'


Mesmo antes do dia internacional da mulher existir, nós, mulheres já caminhavamos pela terra oferecendo nossa força e o nosso sangue para o progresso da humanidade.
Algumas de nós perderam seu sangue no momento do coito com um marido que nos era imposto, outras foram tratadas como animais durante séculos sem direito a educação e ao livre pensar, outras ainda enfrentaram costumes e religiões, foram apedrejadas, castradas, molestadas, tudo pelo crime de ser mulher. Ainda existem aquelas que perderam seu sangue dando a luz aos seus filhos que sempre seriam grandes se os primeiros nascessem homens.
Por tantos momentos de sangue, luta e dor nós passamos, contudo só ganhamos um dia propriamente nosso apartir do momento em que vidas femininas foram tiradas de maneira brutal demais para ser esquecida.
Oferecer uma rosa a quem passa a vida lhe dando sua força e sangue, no trabalho, na vida, na cama, é um gesto muito pequeno diante de tudo o que merecemos. Quanto sangue será que ainda teremos que derramar para que todos comrpeendam que o dia da mulher não se resume somente a esta sombria data inventada por capitalistas que querem ter lucro na venda de rosas?
Nós somos suas irmãs, suas mães, suas amantes, seu futuro. Retire as mulheres do mundo e em pouco tempo ele não mais existira. Lembre-se das mulheres que cercam sua vida todos os dias e nunca ouse tentar fazer uma mulher consciente e sensivel comemorar um dia que carrega tanto sangue e dor.
Gostaria de acordar num mundo que não precisasse presenciar um exterminio em massa para criar um feriado, num mundo com menos vontade de assistir aos mitos de tantos heróis.
Um dia não apaga o que passou e tudo o que podemos fazer é lutar por dias onde iram sim lembrar que sem as mulheres não existiria um futuro e nossa vida não pode se resumir em um simples botão de flor.


segunda-feira, março 01, 2010

Topia


Choro silenciosa e sozinha em meio a noite, como uma criança que tem medo do escuro, mas enfrenta o desafio de dormir no breu em busca da superação de tal temor.
Nessas horas em que permaneço sozinha, tenho por habito permanecer em frente ao espelho, adimirando todas as minhas expressões, meus traços, e em meio a esse treino de auto-aceitação penso em todos os sonhos que tive e abandonei:Uma viagem, mudança de cidade, aquela declaração de amor que nunca saiu do meu papel, o curso que deixei pela metade, o adeus não dito a tantos amigos que se afastaram com o tempo...
Tudo em mim é nostalgia e realidade.
Procuro em meio as minhas recordações fazer ligações entre esses sonhos tão diferentes e tão parecidos em sua essência. Penso que tudo o que não consegui fazer não foi por falta de tentativas, mas por terem sido sonhos frágeis que nos fazem acreditar que utópico é tudo aquilo que não podemos realizar.Contudo, não foram essas minhas grandes utopias, essas foram apenas minhas topias
Nossas topias são apenas um treinamento e preparação para o um sonho maior e possivel, aquele pelo qual devemos lutar, no qual devemos acreditar: nosso grande sonho final. Que em nada se assemelha com a morte, antes disso é o inicio de uma vida repleta de sentidos.
Não é belo o humano que vive de sonhos, mas sim o humano que consegue abrir caminhos e fazer suas próprias conquistas.
Essa determinação eu posso perceber nso traços do meu rosto e são elas que me fazem querer ir muito mais além do que até agora fui.
A vida é crescimento e todo momento de melancolia deve ser contemplado como um momento de reflexão a espera da conquistas dos nossos verdadeiros sonhos.

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

Querer

Andava sozinha no escuro com as mãos se mexendo freneticamente jogadas para frente, de longe parecia tola, contudo fazia isso com a esperança de encontrar algo em que suas mãos pudessem tocar. Talvez uma placa que lhe desse uma pista de qual era o melhor caminho a seguir, ou mesmo as mãos de alguém que segurando as dela mostraria onde fica a saida desse vendaval chamado vida onde ela decidiu se atirar.

- O que você espera encontrar?
- Alguma coisa
- Que tipo de coisa?
- Quando eu encontrar ei de saber.
- Como pode ter certeza disso?
- Porque essa bagunça que você vê sou eu e confio em mim acima de tudo.
- Boa sorte.
- Obrigada, sei que terei.

Conversava consigo mesma, discutindo com aquele lado negro negativo que nos mostra somente os abismos e nunca as belas flores que podemos encontrar pelo caminho.
Não se importava com as vozes na sua cabeça e nem ao seu redor, apenas seguia. Não queria querer sem se mover, não queria pensar sem se esforçar para conseguir. Queria cada segundo, cada sorriso, cada lagrima, todas as flores e pedras eram bem vindas em seu caminho, sorrisos de conhecidos e desconhecidos eram aceitos. Não queria muito, apenas queria viver cada dia de uma vez.

domingo, fevereiro 21, 2010

O Mar e Eu

Quando o vi caminhei em sua direção como quem reencontra um amigo a muito tempo distante, parei a sua frente e senti em meus pés sua suavidade a me tocar. Foi tão doce o seu toque que parecia que suas ondas me traziam toda a energia e desejo das mãos que estão do outro lado de ti, era como se no som das águas eu pudesse ouvir uma voz que me fala para não teme-lo, pois do mar brota a vida e mora o olhar daquele que eu guardo em meu coração.
E foi por causa de você que esta ai distante no além mar, que pela primeira vez na minha vida entrei na água sozinha, fui caminhando e deixando a água brincar com o meu corpo. Contudo o meu temor por não saber nadar me fez parar no ponto onde eu sabia que podia chegar. Fechei os olhos e tentei ouvir apenas o ruido do mar e sentir em meu coração a certeza que em algum lugar um alguém sonhava com o mar e com a incrivel sensação de liberdade que ele pode nos proporcionar.
Ao sentir a água batendo nos meus lábios sorri, era como se o mar me desse um beijo me fazendo lembrar que no meu rosto o sorriso fica melhor que as lágrimas, que apesar de também serem salgadas sempre acompanham sentimentos duros.
Na praia meu espirito repousou e no mar minha alma encontrou o carinho de quem por amizade desejou me acompanhar.

Obrigada PAULO por existir nesse além mar e por mais de uma vez me fazer buscar a força que eu tenho dentro de mim.


segunda-feira, fevereiro 08, 2010

Sobre Minha Responsabilidade Materna


Tenho ao meu lado um ser perfeitamente real e belo, diferente de toda literatura que eu já estudei, escrevi ou li. Eu posso tocar essa obre divina, eu posso sentir seu coração bater, ver o sorriso de seu rosto ou mesmo em meio a brincadeiras tentar compreender o que se passa em sua pequena cabeça. Isso tudo tendo em mim a consciência de que ele é minha melhor parte, contudo ele não pertence mais ao meu corpo e por isso não tenho o direito de brincar com essa criatura como quem molda um boneco de argila.

No meio do caminho apareceu um problema...Será que meu filho nunca vai terá o meu desembaraço para falar em publico? Será que ele nunca vai se interessar pela lingua francesa? Sinceramente, não tenho medo e nem pressa de obter essas respostas. Como a adulta responsavel pelo seu desenvolvimento apenas acompanho seu crescimento admirando a cada dia suas novas descobertas e seu crescimento pessoal.

Somos os grandes responsáveis por nossas escolhas, por isso não quero nunca negar meus erros como mãe-pai do meu filho, assumo todos e permaneço ao lado dele para que ele sempre saiba que eu estava errando, mais que em muitos momentos também consegui acertar.

De nada adianta ficar procurando erros em meu filho, prefiro admirar todo o potencial que ele pode ter quando esta em paz. Confesso que sou uma mãe feliz, tenho um filho que gosta de cinema e teatro como eu, que começou a escrever as primeiras letras soltas em um caderno por me ver escrevendo na cama, que adora musica e gosta de dançar comigo de madrugada quando estamos com insônia, que acorda a cada dia mais autonomo e carinhoso, que ri, brinca e fala, e com fala o meu menino que gagueja quando esta com medo ou nervoso mais que sabe usar palavras que muitas crianças não saberiam pronunciar. Tenho um filho lindo que me disse que nunca vai torcer para o meu time, que gosta de Oswaldo, canta Chico e Raul mais não suporta Beck e musica francesa.

Com base em tudo isso eu não posso deixar de me orgulhar e assumir que a responsável por tudo o que eu já fiz na vida sou eu mesma, até mesmo a decisão final de deixar essa criança vir ao mundo foi minha, eu poderia ter escolhido o caminho mais fácil, afinal, o corpo é meu, contudo a decisão final foi a de criar da melhor maneira possivel essa criança e se problemas surgirem durante o seu desenvolvimento, desculpe, a culpa é minha. Só não quero que um dia tenham a hipocrisia de atribuirem todas as suas qualidades a terceiros, pois todas elas vão pertencer a uma única pessoa: ELE. Afinal, sou tutora e não dona de sua pequena vida.

Um dia ele será um grande homem, sei que não vai ser do jeito que eu sonho,contudo ele vai ter a consciência de que é ele que faz seu próprio caminho. Como mãe, vou lhe apontar algumas direções mais as escolhas serão todas dele e de mais ninguém.

sexta-feira, janeiro 29, 2010

As Cartas


Todos os dias, as três horas em ponto, sei que o carteiro vai passar, consigo ouvir o barulho dele colocando a mão dentro da caixa de correio. Todos os dias eu corro até a caixa do correio e espero que algo chegue para mim, mas nunca chega nada.
Adquiri esse hábito aos 10 anos quando eu trocava cartas com amigas que fiz em uma viagem a Bahia, o tempo foi passando, a distância entre nossos interesses aumentando, até que um dia as cartas pararam de chegar.
Quando eu tinha 15 anos tive meu primeiro namorado, fiz questão de arranjar um namorado que morava longe, só para poder esperar por suas cartas de amor. Em um ano recebi apenas três cartas enquanto eu todos os dias escrevia e todos os dias esperava as respostas que não vinham.
Entre esses dois eventos recebi correspondências casuais,mas o fato é que eu nunca deixei de esperar e hoje, passado tanto tempo nem eu mesma sei o que eu espero encontrar.
Não sou mais a menina de 10 anos, não sou a de 15, nem a mulher de um segundo atrás. Mesmo assim eu espero, todos os dias as cartas que nunca vou receber. Talvez seja esse o meu elo com o passado que eu já vivi e com o futuro que vira: a esperança de uma palavra amiga num pedaço de papel.

Não deixa de ser poético e belo, mais ainda são simples as coisas que me fazem feliz.
Qualquer dia desses escreva para mim, prometo que vou te responder.



sábado, janeiro 23, 2010

O Hoje

Não existe forma de se libertar quando se esta preso dentro de si mesmo, dando voltas por corredores intermináveis que só nos guiam ao mesmo ponto de onde partimos. Mudar é terrivelmente doloroso, mas tão necessário quanto se alimentar para continuar a viver.
Ontem eu era uma pessoa, hoje pela manhã quando me olhei no espelho já não era mais a mesma. E todos os meus dias são sempre iguais sendo sempre diferentes, a unica coisa que nos uni é o tamanha da nossa solidão. Transformamos constantemente a nossa solidão em sentimentos mais agradáveis, por isso alguns amam com tamanha intensidade, esperando que todo bom sentimento supra aquele incomodo noturno que nos aperta o coração quando pensamos estar sós, contudo a solidão completa não existe, não devemos teme-la, por mais sozinho que possamos parecer sempre teremos nossos pensamentos e os barulhos noturnos, tanto os de fora como os de dentro de nós.
Seguir uma trilha é algo relativamente fácil, dificil é ter a força de abrir a porta do seu mundo para deixar outro pedaço de solidão entrar dando sentido a todas as paredes vazias e lugares obscuros de seu cômodo.
Receber uma carta, ler um email, conversar por internet, sorrir para um desconhecido, abraçar um filho, dar um beijo, transar, ouvir musica, escrever, ler, tudo isso é aceitar um pouco da solidão alheia e necessária, tudo isso é viver dando sentido a vida.
Apegue-se ao passado que nunca terás futuro, pense somente no futuro que nunca viverá o presente, nunca vai sentir o gosto agridoce da vida se escolher o caminho do apego ao que não tem valor.
Nunca fui capaz de esquecer o sorriso de um garoto que vi de dentro de um ônibus, bem como nunca esqueci dos braços de um poeta que dormiu ao meu lado me abraçando sem me possuir. Todos foram instantes de solidão que aceitei e vivi, contudo já vivi, o gosto me foi doce, hoje são recordações, já não importam mais.
O Hoje é o meu dia preferido, o agora é o meu instante e a consciência de que sou eu, apenas eu, a responsável por minha vida é o que me torna forte para seguir em frente sem temer o futuro, sem lamentar o passado. Se sou eu quem dou meus passos devo saber para onde eu devo caminhar.