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quarta-feira, dezembro 10, 2008

Loucura Particular

Nunca acreditei na felicidade plena e bela, por isso vivi muito tempo me apegando a pequenos momentos felizes que valeram a pena.
Nunca acreditei na completa liberdade, pois somos presos por natureza, nem que seja a nossos próprios ideais estamos presos e não podemos fugir.
Fico observando as pessoas que passam por mim e fico feliz de saber que alguma marca deixo nelas. Bondade em excesso? Creio que seja coragem o suficiente de ser o que sou idependente do espaço onde eu me encontre.

Esses livros todos que nos cercam são tão belos,pois não nos pertencem, são pensamentos alheios, sonhos de outros, por isso parecem tão mais bonitos. Já lemos tantos livros e continuamos a ser a pior espécie de ignorantes, aqueles que julgam que sabem mais que os outros.
Sempre conversei com as pessoas mais simples, não por me ver maior ao lado delas, apenas por estas conservarem uma beleza tão pura que eu jamais voltarei a ter em mim. A gente sempre evolui, mas as vezes em direção oposta aos nossos desejos.

Quanto a morte... não gosto de falar no fenomeno em si, sei que é algo que acontecerá um dia e não preciso ficar criando metáforas para lhe propriciar beleza, ela vem, ela vai, assim como muitas coisas na nossa vida.

Quando digo que estou morta é porque uma parte da minha vida foi encerrada e outra há de vir. O que me aguarda no futuro? Não sei, se soubesse não seria futuro.

quinta-feira, dezembro 04, 2008

SÓ - Oswaldo Montenegro

Vontade de ser sozinho
Sem grilo do que passou
taça do mesmo vinho
Sem brinde mas por favor
Não é que eu não tenha amigos, não
Não é que eu não dê valor
Mas hoje é preciso a solidão
Em nome do que acabou

Vontade de ser sozinho
Mas por uma causa sã
Trocar o calor do ninho
Pelo frio da manhã
Valeu a orquestra se valeu
Agora é flauta de Pã
Hojé é preciso a solidão
Com a benção do Deus Tupã, ô menina
E a quem perguntar quando o vento sopra
Responda que já soprou
Mas o vento não traz resposta Acabou

DA flecha que passa rente
Cantor implorando um bis
cara que sempre mente
A feia que quer ser miss
Gaivota voando sob o céu
A letra que eu nunca fiz
Tudo é a mesma solidão
Mas dá pra se ser feliz, ô menina

E a quem perguntar quando o vento sopra
Responda que já soprou
Mas o vento não traz resposta
Acabou
E todo mundo é sozinho
ai de quem pensar que não
A moça com seu vizinho
Soldado com capitão
E resta a quem tá sem seu amor
Amar sua solidão

Hoje é preciso um uivo
De lobo na escuridão, ô menina
E a quem perguntar quando o vento sopra
Responda que já soprou
O vento não traz resposta
AcabouA
a quem perguntar quando o vento sopra
Responda que já soprou

quarta-feira, dezembro 03, 2008

LOST CAUSE

Sabes, eu tive um sonho...
Sonhei que teria um final onde pudessemos rir ao invez de chorar,
Sonhei com dificuldades que nos fariam perceber o quanto somos importantes um para o outro,
Acreditei na possibilidade de me transformar em um unico ser unindo-me a você.
De fato pensei que minhas letras poderiam ter sentindo, fazer sentido a mais alguém além de mim.
Queria envelhecer com dignidade ao lado de alguém que pudesse olhar cada marca do meu rosto e saber que em cada uma delas existia uma história de esforço compartilhado.
Mesmo em tempos de maior crise, acreditei nos pequenos momentos de futilidade, onde a gente se sente tonto, até mesmo imbecil por fazer tal coisa, sem saber de como essas coisas são profundamente importantes e significtivas.
Acreditei em milhares de letras desconexas, em tantos fundos de poços com a esperança de que eles nos levassem para cima, além da nossa compreensão.
Mas de fato, você não pertence a esse mundo e eu sou uma flor amarela e simples demais para se arrastar por ai.
Meu erro foi entregar-me de um modo tão completo e verdadeiro, agora sinto-me extremamente cansada, perdida, morta...

Lembro-me de um canção antiga, de fato, sinto que perdi as causas pelas quais lutei, sinto que esta doendo de uma forma que eu jamais esperei, mesmo tendo sido feita pra sentir dor.

http://www.youtube.com/watch?v=0GNcpuQePPA

segunda-feira, dezembro 01, 2008

No Parque

Sozinha como a muito tempo não me declarava, uma sensação estranha no estomâgo, seria a falta de comida? Provavelmente, quando o espirito se cansa o corpo responde e o meu no momento grita.

Mas o fato é que sentada ali, sozinha adimirando as pessoas, as águas das fontes que sempre são as mesmas mais se renovam, buscava encontrar forças para seguir.

O que me espera em casa?

Coisas novas, pois eu já não sou a mesma de ontem e amanhã não serei a mesma de hoje, essa é a vida a prosseguir.

Comendo uma açai (coisa banal), senti o gosto da sua saliva. Seria saudade?

Talvez, o costume unido ao desejo de não guardar rancor. Sou melhor que você? Não, apenas diferente, assim como a menina que faz pose para foto é um outro ser totalmente oposto a mim.

O que ficou de mim nesse final absurdo, se bem que tudo foi estranhamente absurdo, como poderia esperar um fim relativamente normal?

A luz do sol me deixa tonta, sinto meu corpo numa fraqueza impar. Naquela tarde me entregei a morte e vou seguir com a minha vida.

Caminho em direção ao ponto de ônibus para que possa conseguir chegar ao trabalho, na lata de lixo, junto com o pote jogo meu coração, já não precisarei dele para seguir.

Naquele parque morri dentro de mim.

sexta-feira, novembro 28, 2008

quinta-feira, novembro 27, 2008

Compreendendo Kafka


Após passar anos a analisar a obra a metamorfose, de Kafka, finalmente consegui compreender o porque de comparar o ser humano confuso a um inseto repugnante, pois é exatamente desse jeito que me senti,quando descobri que enquanto eu me sentia um lixo, tinha um inseto gigante ao meu lado.

Não culpo ele por ter se instalado ao meu lado, se você se reduz a lixo só pode atrair mesmo insetos, seres nojentos que evoluiem desses para lavas.

O pior foi ter a certeza de que naquela noite de palavras malditas, não participei de um ato de amor, apenas copulei como um animal caçado que se entrega por não possuir forças.

Meu grito interior é bem mais alto, bem mais forte do que aquele que saiu da minha garganta como um ato de libertação.

Nunca se sabe ao certo quando se conhece alguém, neste mundo não vale a pena sonhar, nem sentir nada por ninguém. Nesse enorme açougue em que vivemos, onde o homem é lobo do homem, todos se preocupam com o seu bem estar e passam por pessoas como se estas fossem pedras em seu caminho.

Devagar vou me libertando daquela cama e deixando a grande barata para trás, com os pés para cima, sem movimento corporal algum, só palavras que saem da sua boca nojenta a falar de coisas impossiveis, fatos improváveis, metas que nunca irá alcançar por causa de seus braços curtos e sua instabilidade.

Se ao menos ela soubesse voar, mas nem pra isso ela serve, visto que é mais comodo permanecer em seu estado de inércia, sendo alimentado, cuidado, sem sequer se esforçar.


Agora entendo Kafka, me considero sua amiga intima, pois assim como ele eu vivi essa metamorfose. Mas esqueçam minhas palavras, esqueçam Kafka, vamos viver como seres indiferentes que se importam simplesmente, com aquilo que adimiram no espelho.

COVARDE


Esse sentimento que me invade,

Sinto-me um covarde

por aceitar você.


Tão sem graça,

Pequeno, não és nada,

Além de um menino tentando aprender


Seus medos e inseguranças,

Esperavas que fosses menos criança

e aceita-se o belo dom de viver.


COVARDE, sempre vais ser

Nunca irás crescer,

Eterno menino perdido no parque.