Páginas

sábado, outubro 15, 2016

Trabalho


Aos cinco meses sua mãe descobriu que seria então uma menina, a alegria e magia da revelação durou apenas os instantes em que os pais saíram e divulgaram para seus conhecidos:
- E uma menina.
- Eita que vai matar o pai de ciúmes.
- Vai passar de consumidor a fornecedor? Parabéns.
- Eita, vai ter trabalho.
Após a revelação chá de bebê, coisas fofas e belas, laços, fitas, sapatinhos, tudo tão lindo, tudo tão feminino, por fim, a celebração perfeita para receber uma menina.
Com exatas 39 semanas de gestação, eis que nasce uma bela criança, tinha traços delicados, olhos marcantes, todos que a conheciam ficavam encantados com sua beleza e doçura, todos sem excessão repetiam ao pai:
- Essa vai dar trabalho. Prepara a arma papai.
Isabela sempre pensava sobre as historias que sua mãe contava sobre a sua espera, todas as fotos de infância tão bonitas sempre eram manchadas com a presença de um parente que apontava o dedo e afirmava o quão trabalhoso era ter uma filha, como a mesma devia ser protegida, preservada, guardada, preparada para a vida  feminina enfatiza o quanto uma mulher precisa ser recatada, bela, não necessariamente dona de casa, mas tão digna de respeito, quase se igualando a virgem escolhida por Deus.
- A alegria de ter uma menina é sempre abafada pela sensação de que não somos bem vindas, afinal, o que diabos significa trabalho para essas pessoas? Será que meu pai deveria ter desistido de mim assim que teve a péssima noticia de que eu seria uma menina? Queria tanto entender o que é ser menina para só assim entender que mulher eu posso ser.
Pensava sempre sobre essas coisas em que uma mulher não poderia pensar, ainda mais depois que lendo um livro, por curiosidade na biblioteca, leu a seguinte frase: "Ninguém nasce mulher, torna-se mulher...".
- Seguindo esse pressuposto eu posso não ser uma mulher se eu quiser? Gostaria tanto de deixar de ser trabalho para ser solução, ou ao menos dar orgulho e não preocupação aos meus pais quando eu saiu para trabalhar, ou passear ou estudar.
Se olhava no espelho e sempre se odiava, pois ao mesmo tempo que gostaria de ser daquelas mulheres perfeitas e desejadas, calava seu desejo com a figura da menina sem graça que só queria não chamar atenção. Não gostava de pensar na sua sexualidade, pois desde muito cedo fora ensinada que havia tempo certo para isso, não deveria desejar o que podia fazer ela se tornar a escória indesejada, antes tinha de ser recatada.
- O que é esse recato se não uma borracha de se apagar sonhos?
Aos 16 anos conheceu seu primeiro namorado, rapaz direito, de família, trabalhador e muito bem afeiçoado. Ela pelo desejo de se tornar adulta e fugir daquele mundo de paredes de vidro onde não podia pensar, foi se envolvendo cada dia mais e, quando se deu conta, já estava casada, mesmo sem saber muito bem o que aquilo queria dizer.
Na sua primeira noite de amor não conseguia entender o que tinha de acontecer, decidiu aceitar o que viria, já que então se tornaria algo completo, pois não compreendendo suas  leituras achava que a partir do sexo iria entender se realmente era mulher ou se dentro dela morava um outro ser.
- Um mostro, foi tudo que vi em cima de mim, por isso fechei os olhos e chorei baixinho, mas parece que isso o excitou e cada vez mais forte ele me penetrou. A cada movimento  eu sentia dor por dentro, acho que roubaram minha essência com o gozo que dele escorreu.
Ela então tinha 22 anos e todos os sonhos de amor destruídos em um único ato. Depois de tudo nenhuma palavra de amor, antes lhe veio apenas dor abdominal e a fala sonolenta do marido que dizia:
- Você vai me dar trabalho até ficar boa nisso, mas vai acabar gostando, tenho certeza.
Chorou a noite inteira, seu sonho de liberdade morreu com a palavra trabalho, seu desespero crescente sempre aumentava noite adentro. Nunca quis dar trabalho para seus pais, nunca quis desistir do amor na primeira tentativa de intimidade, sempre quis saber o que era ser mulher, contudo ao experimentar o que diziam ser uma boa mulher teve vontade de morrer, ou fugir para dentro de si mesma e nunca mais voltar.
Dormiu sem sonhar, sem chorar, apenas dormiu porque tinha de fazer algo para não pensar em trabalho.
Ao acordar o homem notou que sua mulher dormia profundamente, era um quadro muito bonito admirar seu sono, ele sentia, pela primeira vez amor por ela, não apenas desejo de conhecer seu corpo imaculado. Era verdadeiramente bela, era muito feminina, chegava a cheirar a felicidade. Abraçou a moça que estava com a cabeça virada de lado e só então notou como ela estava fria. Chacoalhou seu corpo, chamou por seu nome, fez de tudo para que ela lhe respondesse, mas como não obteve resposta chamou por socorro.
Quando os paramédicos chegaram, notaram o frasco de veneno que tinha rolada para debaixo da cama, ao lado um bilhete com apenas uma única frase: ''NÃO MAIS DAREI TRABALHO PARA NINGUÉM".
No velório, o melhor amigo do viúvo deu os pêsames e comentou ao longe com uns amigos:
- Bem que avisei que esse desejo de se casar com uma virgem frigida ia dar nisso, um trabalho desnecessário.
Quanto a sua mãe permanecia de pé, com o livro que encontrará no antigo quarto da filha, a alma dolorida e o coração a se perguntar: - Por que ela não conseguiu entender as palavras?
Chorava por si, por sua filha e, principalmente, por nunca ter conseguido demonstrar para ela o quão precioso pode ser nascer e escolher ser mulher.

terça-feira, agosto 09, 2016

Simplesmente Amor


"...Me apaixonei por um olhar
Por um gesto de ternura
Mesmo sem palavra
Alguma pra falar..."

Na noite em que você nasceu estávamos exaustos, logo que sai da sala de parto dormi com você em meus braços. A primeira coisa que lembro de ti foi de te desenrolar de madrugada e ver você tentando morder as próprias mãos. Mesmo sem conseguir sentar muito bem te coloquei em meus seios e foi assim, que pela primeira vez nossos olhares se cruzaram, o que eu senti, simplesmente amor, de um jeito tão forte e puro que é impossível de explicar em palavras.
Desde então 10 anos se passaram, e hoje olho pra ti com orgulho, és a parte autônoma de mim que caminha tranquilo pela vida traçando o seu próprio caminho, e eu vou assim te seguindo como a mão amiga sempre estendida, o porto seguro para o qual sempre vai poder voltar quando a vida lhe maltratar.
Me orgulho de nossos passos juntos, de poder lembrar cada momento da sua vida, pois sempre estivemos um ao lado do outro. Sei qual sua comida preferida, como gosta de dormir, suas musicas queridas, seus amigos do coração. Me emociono de lembrar de seus primeiros passos, de lembrar da primeira bolinha que desenhou com o lápis de cor, da primeira palavra que, entusiasmado leu para mim... Tudo é tão mágico e bonito, tudo é tão pequeno e grandioso ao mesmo tempo, que só o que posso sentir é orgulho de tudo o que já vivemos juntos.
Aquele secreto medo que senti quando você dormiu depois da primeira mamada e eu chorei até dormir, ainda está aqui dentro de mim, porque a vida não nos dá, com um filho, o manual de instrução de normas e regras, e  o medo é natural para todos nós que temos filhos. Mas sabe, por mais que eu tema a maternidade e o tal fazer errado, eu nunca perderia seus momentos por nada.
Toda vez que te olho dormindo, me lembro da canção de Oswaldo Montenegro, a qual eu cantava para você dormir quando estava agitado e estávamos sozinhos em casa fugindo do inverno no qual você nasceu. Realmente é impossível explicar tudo o que sinto por ti, e que passem mais anos em sua vida, que cresça sempre cheio desse amor que é o que de mais puro eu posso lhe ofertar.
Cresce meu menino, e enquanto você anda pela vida eu fico daqui a te observar sempre, e a cada novo dia, me apaixonando por teu olhar.
TE AMO

segunda-feira, julho 04, 2016

Menina Voa

Fonte: Google Imagens

In Memória de Dayana Santos
13 de Junho de 2016

E lá vai ela, sorrindo, brincando entre as estrelas desfilando no seu. Mas esse vazio que fica em meio a noite fria só por hoje vai doer, e doendo vai me fazer lembrar das meninas brincando enquanto a gente crescia....
A beleza da boneca, tão bela com olhos castanhos cheios de vida, sempre foi uma das mais lindas meninas a desfilar na estrada da minha vida.
De ti sempre vou me lembrar da bela moça a passear, vivendo a vida na intensidade de quem sempre lutou por mais um brilho em seu caminho. E como a vida te fez brilhar, tanto que germinou deixando a todos a mais singela flor, herdeira dos teus olhos vivos, castanhos e brilhantes.
Vai menina, voar nesse céu, vai de encontro a Deus. No caminho não se esqueça de levar minhas letras para apresentar aos meus amigos poetas, virando a esquerda sei que os encontrará. Depois continua o teu caminho e lá de cima, serena vai sorrir e brilhar, sem dor, sem sofrer, menina vai descansar, vai longe ser o que só você sabe ser: luz pura a irradiar a noite de nossas vidas.


Por que Me Julgas? Sobre a Maternidade que Não lhe Interessa

Ser mãe...
Mãe que é pai, solteira, trabalhadora, casada, do lar. A maternidade te dá a opção de escolher ser tudo, menos não ser mãe.
- Deu porque quis.
- Não queria, não abrisse as pernas.
- Você estragou minha vida.
- Nossa, não conhece pílula (camisinha).
- Você vai estragar sua vida...
- Parabéns!
E assim nascem as mães, diante da incoerência, ou mesmo do involuntário medo que lhe dá de tantas mudanças em seu corpo que te assusta,  mas mesmo assim você continua sorrindo feliz, afinal, ser mãe é padecer no paraíso... O paraíso dos potinhos de conserva que servem somente como recipientes para a criação da vida de outro ser, que mesmo quando não pode ser considerado humano parece ter mais direitos que você.
Dai chega o belo dia em que a criança nasce...  Na cabeça da mãe o medo de saber se vai conseguir ser uma boa mãe, o desespero de saber se somos ou não capazes de tomar conta de uma vida que não nos pertence, mas pela qual somos responsáveis. Mesmo assim continuamos a seguir com a criança no colo, mudando nossa vida radicalmente porque esse é o nosso dever e nossa obrigação.
Mais é uma benção a visita depois que saímos da maternidade, no caso do primeiro filho:
- Meus parabéns.
- Filho é benção.
- Você nunca vai sentir amor tão verdadeiro.
Mas se acaso você teve a infeliz ideia de ter mais um filho.
- Que lindo, quando vai operar?
- Muito fofo, mas dois já tá bom né?
- Mais que belezinha... Hoje em dia é difícil criar mais de dois filhos, né?
Se você tem mais de dois filhos então.
- Essa é louca.
- Deve estar tentando ganhar uma bolsa família.
Não bastasse o julgamento eterno, se você é mãe você perde o direito de defender aquelas mulheres que escolheram não ser mães, se você defender o aborto então, certeza que é uma puta que maltrata os filhos e deixa a avó ou qualquer outro estranho criar. Se você abandona a criança com o pai, imediatamente ele se torna um santo e você a grande puta sem coração que abandonou sua cria.
Tem sempre aquelas que nada sabem da maternidade senão a ideia, a teoria, e mesmo assim insistem em julgar a mãe solteira, a mãe que defende o aborto, entre outras pautas que uma boa mãe não deve exercer. A essas mulheres apenas minha solidariedade e desejo que um dia evoluam e consigam enxergar além de suas próprias expectativas e posa desenvolver a empatia necessária para se viver em sociedade.
Toda vez, caro leitor(a), que você tiver a necessidade de falar sobre maternidade, pare, analise a consideração que vai fazer, e se não tiver certeza que sua liberdade de expressão não prejudica a liberdade do outro, pode falar, pois assim, certamente, será  somente a sua opinião.
Fonte de Imagem: Acervo Próprio

domingo, julho 03, 2016

Na Madrugada

Fonte de Imagem: Advanced Photoshop

26 de Junho de 2016

Seria estranho se eu te contar que durante a madrugada eu posso dançar com a escuridão?...
A falta de luz em mim tem me deixado negra e sem palavras, logo sinto como se eu não tivesse mais vida, por isso penso com frequência no fim que nunca vem e nas letras que não mais escrevo.
Mas essa madrugada.... Ah, a madrugada! Essa vadia gelada que me deixa louca de vontade de gritar e acordar o mundo cantando canções que eu mesma inventei. Porque só nas noites frias tenho tanta vontade de ficar nua e dançar em roda, como quem invocasse seus espíritos ancestrais.
Não sou louca, sou sabia de coração, vivo segundo a coerência do amor, logo se eu não te faço sentido, certamente é porque não te amo, sendo assim você não é ninguém para mim.

- Mas ela sempre escrevia o que sente, e se agora pouco escreve, deve não sentir mais nada. - diz sorrindo a alma de quem não se cansa de me guardar no canto do olho, naquele escuro onde ninguém me vê.
Se hoje não escrevo é porque aprendi a falar, e mesmo que ainda viva nessas madrugada frias em que a insônia me transforma em ninfa e ficou voando por meus mundos imaginários, hoje minhas palavras e voz não pertencem a mais ninguém além de mim, E mesmo com a cabeça a mil, com o pesar nos ombros de quem quer abraçar o mundo em finos braços, tenho tantos motivos para sorrir com a força de quem nunca vai desistir de viver intensamente tudo o que tiver pra se viver.
Antes de morrer tenho muito ainda por fazer, muitos cabelos negros para embranquecer, muito batom vermelho para me embelezar, muitos dias na vida para te amar.
Mais nessa madrugada fria, essa ingrata e gélida noite, desejo apenas ser a bailarina que um dia deixe desiste de ser, dançar no espaço de teus braços, trazendo calor a sua existência, delicadeza para tua triste, porque a vida, meu amado, sempre
valerá a pena.

Por Um Momento

Fonte de Imagem: Obvious

In Memória a Ana Silva,
02 de Julho de 2016
Ignorei a minha dor, deixei de lado meu sangue, peguei nos braços meus sentimentos e por um instante chorei tua ausência....
Quem eras tu pra mim? Quase desconhecida. Que eras tu para meus amores? Parte de uma vida...
Sou dotada de empatia e por conseguir sentir o sentimento alheio, choro tua ausência nessa noite fria onde o ar gelado me faz sentir que estou viva o que só aumenta minha dor.
Vai com os anjos, vai em paz. Busca no horizonte do desconhecido não perder o teu sorriso que mesmo apagado sempre será lembrado. Segue o céu de teus ideais, vai de encontro a tua paz, pois chegou o final da tua dor.
Vai alto virar lembrança, aos que ficam a esperança de como você conseguir sorrir até o dia em que partir seja a única alternativa. Eterniza, enraíza, vai morar no mundo da paz, não sentirás dor nunca mais. Eis o consolo final a todos os que te amaram em vida. Vai, Ana, descansar de tuas batalhas em sua merecida paz.

quinta-feira, maio 12, 2016

Pra Não Dizer que Não Falei do Amanhã

Fonte: Google Imagens

Diante de toda essa politica de pão e circo que tanto tem nos afetado chegando ao grande dia onde a conquista democrática do afastamento da presidenta foi concluída me coloco a refletir sobre alguns fatos que são tão descaradamente ocultos por trás do discurso de ódio de alguns políticos que nos representam.
Sabe, quando a presidenta Dilma subiu a rampa do Palácio do Planalto em seu primeiro mandato sozinha, sem um primeiro senhor foi extremamente representativo para mim e milhares de mulheres que criam seus filhos sozinhas, foi a simbologia de que o futuro poderia sorrir até mesmo para quem ousa viver sozinha após o divórcio.  Mesmo com o lindo penteado de Marcela Temer, nada foi tão lindo quando ver uma mulher subindo a rampa e recebendo a faixa de presidente da Republica.
Se apoiava o governo Dilma? Posso dizer que votei nela no primeiro mandato com desconfiança, mas não me arrependi. No segundo mandato já fazia parte da esquerda que se opunha ao governo e suas alianças desastrosas com o PMDB, mas votei novamente nela e não me julguem, afinal, o outro candidato era o Aécio.
Mas tirando sua impopularidade por ela não fazer o tipo de politico que era mãe dos pobres e pai dos ricos, nessa politica populista ultrapassada que o povo tanto almeja ver, qual foi o grande crime de Dilma? Verdade, as pedaladas fiscais que ocorreram não somente nesse governo, mas realmente é uma prática terrível para um governo patriota.
Ao lembrar de como Dilma começou e de como ela vai terminar só vem a minha mente aquela velha história de homens colocando as mulheres em seu devido lugar que, definitivamente não é na politica, ao menos que você seja bela, recatada e do lar, claro.
Todas as pessoas em periferias, em grandes centros ou mesmo em locais públicos festejando a conclusão do processo com fogos e risos, desejo a vocês que amanhã possamos acordar em um paraíso verdejante onde poderemos brincar com leões e feras selvagens, pois Deus será o senhor que guiara a nossa Pátria.
Ironias a parte, toda essa historia me faz lembrar de um livro excelente intitulado Escute, Zé Ninguém de Wilhelm Reich, que narra o desespero do homem que, podendo ser grande, mergulhou na Era do Homem Comum, por medo de assumir sua liberdade e fazer suas próprias escolhas. Nesse livro o autor nos fala sobre como sempre escolhemos o lado mais sombrio para a resolução dos nossos problemas, dando um exemplo esquerdista, como entre a democracia de Lenin, preferiram a ditadura de Stalin. Sempre escolhemos a ditadura por causa desse medo que temos de admitir que somos responsáveis pelas nossas escolhas.
E o que tudo isso tem haver com nossa atual politica? Percebam, não é ruim querer mudanças, mas não podemos continuar fingindo que não somos responsáveis por nossas escolhas.
Sabe, uma menina apanhou de policiais... Deve ter merecido certamente....
As pessoas não são capazes de se solidarizar por uma mulher que foi agredida tamanha é a pulsão de morte que estamos a engrandecer nos nossos dias. 
-Bom mesmo eram os militares no poder para o país ir pra frente. Esse era o tempo bom.
Você, louco por militarismo me diga, o que aprendeu na escola sobre os pracinhas brasileiros? Não é estranho numa ditadura militar com a disciplina de educação moral e cívica, pouco sabermos da importância dos nossos soldados, do nosso exército?
No fundo todos sabem, quem levanta essa bandeira idolatra velhos patéticos que não tiveram a coragem necessária para ir a guerra e ficaram por aqui abusando de pessoas ingenuas como as que soltam fogos diante de uma hedionda politica de pão e circo.
E só para não dizer que eu não falei do amanhã, desejo profundamente que nossa politica e economia melhore como tantos tem pintado que acontecerá, porque mesmo diante de títulos também reconheço que sou uma Zé Ninguém e por ser assim tenho verdadeira vocação para ser feliz, uma vez que reconheço e aceito meus defeitos e sei que minhas escolhas pertencem a mim.
Obrigada Dilma por toda a representatividade que um dia mostrou para todas as mulheres, por sua coragem de não querer parecer bonita, por ter subido a rampa duas vezes segura e sozinha. Através de seus olhos muitas mulheres enxergaram uma nova possibilidade em suas vidas. E mesmo não concordando com você em todas as medidas e alianças, mesmo vendo o seu governo com um tanto de desconfiança não tenho vergonha de dizer: Podem nos derrubar, mas para cada mulher derrotada duas vão se levantar, pois a vida é luta e sempre estaremos dispostas a despertar.
Ao amanhã que ira despertar, boa sorte meu país, já que isso é  tudo o que posso desejar, visto que reforma politica acaba sendo um sonho distante que jamais irão desengavetar.

terça-feira, abril 19, 2016

A Menina dos Meus Olhos





"Que lindos olhos, que lindos olhos tem você
Que ainda hoje, que ainda hoje eu reparei
Se eu reparasse, se eu reparasse há mais tempo
Eu não amava, eu não amava a quem amei"
 (Canção Folclórica)

Há três anos atras eu reinventava minha maternidade e, mais uma vez, dava a luz a uma criança. Que nasceu saudável, forte e bela, dona de olhos tão puros que pareciam enxergar dentro de mim e dizer: - Agora somos eu e você.
Admito nunca antes pensei na possibilidade de ter um outro filho, muito menos uma menina,mas a vida quis me proporcionar uma nova vivencia como mãe, talvez me trazer na maturidade o prazer de poder acompanhar o crescimento de uma pessoa. Meu primeiro filho me trouxe a força que eu não sabia que tinha, me trasformou na mulher que hoje sou e que nunca desiste de dar o melhor de si mesmo quando não acreditam em mim, minha filha me trouxe a serenidade de poder reconquistar tudo que já tinha desistido de ter em vida: casa, parceiro, familia...
Cada filho uma revolução, para cada um ofereci uma conquista pessoal e por todos os dias, mesmo cansada acordo, e tento ser melhor do que no dia anterior,  pois eles me dão força e motivos para sempre ser melhor.
Mas essa menina de lindos olhos e sorriso largo, que é moleca por ter a liberdade de ser criança, que suja de terra, ou correndo de pé no chão, sempre me faz lembrar do porque fiz a escolha por deixar vir ao mundo uma presença tão pura.
Geniosa, no auge dos seus enormes três anos, é capaz de me trasportar para mundos de historias, onde a Bruxa é sempre a personagem principal. A menina que brinca com carrinho de bombeiro e que rouba meus batons, a criança que se veste de princesa Sofia,com um sabre de luz na mão. A essa pessoinha que, em tempo integral, curte sua infância sem medo de ser criança, meus sorrisos mais largos, minhas broncas de coração apertado, meus abraços de boa noite com afago no cabelo.
Pra você, minha pequena, desejo que o tempo sempre preserve o brilho de teus olhos, que a vida nunca apague essa luz brilhante de pureza e felicidade que a cada novo dia, ilumina mais a minha vida.
Parabéns, minha pequenina. Obrigada por trazer equilibrio para minha vida.

segunda-feira, março 14, 2016

A Flor




A FLOR
Acaso um dia daquele vaso brotou uma flor que por um descuido da natureza escolheu ser da cor errada: Vermelha
- Mas acaso podemos controlar a natureza?  Quando ainda eras um embrião optou por seu sexo ou a distribuição de genes lhe definiu?
- Ignorante, ladra...
- Só se for de sonhos que roubei, pois toda a minha história nunca me permitiria ter tudo o que tenho se eu não tivesse a garra e a força para lutar por tudo.
- Tá vendo, você mereceu.
- Na verdade eu conquistei.
- E isso não é merecer?
-Melhor mudarmos de assunto. Sobre isso jamais nos entenderemos e nem precisamos levar,  pois isso é gozar a liberdade que temos.
- Parece tão inteligente,  porque não muda esse jeito de ver as coisas, teria muito mais privilegio e poderia lutar ao nosso lado.
- Não se muda a cor do sangue, assim como não se abandona as digitais.
- Então es uma maldita P************
- Não, sou o que sou,  uma flor abandonada na cela vazia dos desejos de que um dia abram a saia dessa caverna nos dando passagem para um lugar melhor, onde não iremos precisar de ninguém que fale por nós, pois finalmente encontraremos o esconderijo onde prenderam a nossa voz.
- Então você é a pior de todas, uma tola anarquista?
- Diria que sou como Rossi, que na sua perdida Colônia Cecília, não passava de "um pobre idealista perdido nesta terra de ninguém". Mas que jamais deixou de acreditar em uma utopia chamada liberdade.
- Vejo bem,minha cara amiga que tu não tens jeito.
- Não tenho mesmo. Mas,me responda: de que lado fica o teu coração?
- Do lado esquerdo do peito.
- Compreende,meu amigo, no fundo não somos tão diferentes.  Segue tua luta e boa sorte com futuro, porque por trás dele os passos dos que vieram antes de nós  sempre estarão.

sexta-feira, fevereiro 05, 2016

Descontruir

Descontruir uma casa por dentro, arrancar seu teto em um dia de chuva, deveria ser encarrado como loucura, contudo lhes digo: Esse é o inicio da verdadeira libertação.
Você hoje é o que gostaria de ser, ou é um arremedo de caminhos mais fáceis de seguir? Nem sei dizer ao certo quem eu sou, por isso, não precisa me responder, a gente nunca sabe o que poderia ser muito menos onde poderíamos chegar se tivéssemos seguido em outra direção, porque a sedução da escolha não feita e o desconhecimento do que poderia ser.
Devemos ter arrependimentos? Temos que possui-los para um efetivo crescimento, assim como em todas as fases do nosso desenvolvimento o medo se faz presente, desde o nosso nascimento até o nosso ultimo suspiro, colecionar decepções não lhe torna um derrotado, antes te ensina uma forma nova de ser forte, de se reerguer rumo a novas realidades possíveis.
Desconstrução não é uma invenção contemporânea, antes é uma habilidade humana utilizada desde o momento em que, mesmo com medo, o homem decidiu enxergar para além da sombra da caverna.
Vamos descobrir, meu caro amigo(a), o mundo juntos, e quando houver tormenta ou dor, vamos permanecer de mãos dadas rumo ao desconhecido, em busca do melhor que podemos ser.

sábado, janeiro 09, 2016

Apenas Começamos

Por muito tempo me senti sozinha, na verdade desde que eu tinha 9 anos sentia um grande vazio em mim,nada parecia me preencher, foi então que comecei a escrever para que em minhas histórias eu pudesse encontrar refúgios seguros para não sentir tamanha e enorme solidão.
Sempre fui tão transparente que ao me ler podiam me enxergar e descobrirem a verdade por trás do meu belo sorriso: eu era sozinha e clamava por atenção.
E na minha dor escrevia, com meus escritos muitos se identificavam, pois no fundo compartilhavamos a mesma dor de um solitário existir. E foi assim que comecei minha saga rumo ao encontro de um companheiro(a). Nunca na vida quis ter um namorado, um marido, isso é fácil de se encontrar. Queria um alguém que pudesse crescer comigo,  dividindo a dor e a rotina e transformando pequenos momentos em pequenas alegrias que completassem a vida dando sentido ao nosso existir.
Foi assim que te conheci e no instante em que percebi que você me completava me entreguei sem medo a essa conquista diária que foi me tornar sua enquanto você se tornava meu. Você me salvou e eu te salvei de um destino lírico de ser apenas o que esperavam de nós: solitários e infelizes, mas sempre dispostos a perceber o melhor que os outros podiam esconder dentro do seu ser.
São cinco anos do resto de nossas vidas, tempo em que eu me entreguei e te recebi. Leis e costumes nunca conseguiram mensurar o que significa essa entrega diária, eterna de acordar no mais negros dos dias e se sentir completa por saber que tenho você ao meu lado.
Em mim um fato, tenho que aprender a escrever não para sentir que eu tenho companhia, não na esperança de que venham me decifrar. Tenho que aprender a escrever para todos aqueles que ousaram me ler e para, quem sabe, entre uma e outra ficção, mostrar aos solitários de coração que as letras podem e devem nos inspirar a procurarmos no mais profundo de nós a claridade de nossos corações, aquilo pelo que vale lutar: a esperança de uma vida que não se configure em branco.
Quanto eu e você, apenas começamos a viver e mesmo no fim de meus dias, tenho certeza que vou te olhar e ver que valeu a pena, cada lágrima, ou sorriso dado ao seu lado,pois tua presença é e sempre será a grande escolha da minha vida.
TE AMO

sábado, dezembro 26, 2015

Liberdade

- Fica, não vai embora a tanto ainda pra gente conversar
- ....
- Vai, me responde, não quero te ver tão triste assim Deixa esses lábios vermelhos como sempre, daquele jeito que eu sempre gostei, mas nunca quis dizer
- ....
- Tentei ser bom para você, alias, fui muito bom para você, Porque me tratar agora com essa indiferença, foi você que pediu por isso.
- ....
- Não vire esses olhos para mim mocinha, você só teve o que mereceu. Teve o que sempre mereceu...

Cansado do dialogo vazio, caminhou até o banheiro para lavar seu corpo. Definitivamente vermelho nunca sua cor, e aquele cheiro animalesco , cheiro de sua mulher, lhe impregnava o corpo e enjoava o seu estomago com tanta força que tinha vontade de vomitar.
Como um ser que ele amava tanto  podia feder daquele jeito, certamente porque ela nunca o ouvia, sempre tentava ir embora, nunca tentava entender que para ele era difícil demonstrar amor, uma vez que nunca soube o que era ser amado, mas isso não mudava o fato de que considera-la especial para ele.
Entrou na banheira e mergulhou fundo permanecendo imóvel enquanto segurava a respiração. Sempre gostou de fazer aquilo, permanecer debaixo da água simulando uma não vida, uma outra vida que não fosse aquela repugnante na qual se via vivendo.
- Se pelo menos o egoísmo daquela mulher não fosse tanto. Será que ela não entende que eu faço tudo que posso e o que não posso por ela? O que mais espera de mim?
-Eu só esperava o seu amor.
Levou um susto com a voz que ouviu, sabia que tinha pedido para aquilo acontecer, mas na hora em que conseguiu o que queria desistiu do seu pedido. Um certo terror tomou conta dele e ele rapidamente se sentou na banheira.
- Você não podia estar aqui?
- Porque não, foi você que me chamou?
- Vai embora.
- Não, quero me banhar com você, que eu saiba você sempre gostou disso.
Começou a desabotoar o seu vestido lentamente deixando, por fim, ele cair no chão mostrando sua lingerie sensual, preta com meias combinando, tinha tudo para ser uma visão sensual, mas naquele momento parecia desoladora, pois seus olhos o fitavam cheio de um vazio que só a indiferença poderia lhe proporcionar.
- Sai, eu quero ficar só.
-Agora é tarde eu nunca vou te deixar só.
Tirou as roupas intimas devagar, para dar um ar de sensualidade, caminhou até a banheira, o olhou bem nos olhos e começou a mergulhar seu corpo na água. Sorriu de um jeito malicioso olhando nos olhos do homem enquanto mergulhava na banheira. Aproximou lentamente seu rosto do dele, beijou seus lábios e em meio a outro sorriso lhe disse.
- Agora vou te mostrar toda a minha gratidão por todos esses anos.
Acariciou o pescoço dele com seus longos dedos , começou a aperta-lo dizendo:
- Isso é por todos os meus amigos perdidos.
Ele arregalou os olhos sentindo a pressão.
-Esse é por todas as vezes em que rasgou minhas roupas e me fez usar o que você queria
Ele se debatia e não conseguia se soltar.
- Esse é por todas as vezes em que eu tive que sentir você me penetrando, me tocando com esses seus dedos sujos, me machucando sem ao menos perguntar se eu queria... Sem ao menos me olhar nos olhos;
Ele começou a se debater com mais força, não conseguia entender como ela tinha ficado tão forte.
- Por tudo o que você me fez passar, por cada hematoma em meu corpo que me fazia sentir vergonha de ser sua, MORRA!!!! MORRA, FILHO DA PUTA!! EU VOU PRO INFERNO, MAS NUNCA MAIS SEREI SEU BRINQUEDO.
Tudo, num repente ficou branco, ele ficou alheio a tudo e num repente o silencio, o vazio......

Quando a policia chegou ela não estava mais molhada, estava perfeitamente arrumada com aquele vestido azul que sempre quis usar, perfeitamente penteada e maquiada com a boca de um vermelho vivo como a vida que sempre desejou viver.

segunda-feira, agosto 10, 2015

Teus Olhos

Ao meu filho, Nicholas
Foto: Cecilia Camargo
 
Há nove anos atrás, depois de doze longas horas de um misto de dor e ansiedade, finalmente chegou o grande momento de lhe conhecer, quando olhou fundo em meus olhos senti um misto de medo e alegria, que parecia me dizer: - E agora?
Não sabia ao certo o que dizer, mas uma coisa era certa, faria sempre o melhor por ti, e estaria sempre ao teu lado. 
No quarto do hospital lhe dei de mamar, a sensação era estranha, sentir o leite brotando, você encostado em meu corpo, tudo era mágico e assustador, e mesmo assim nunca me senti tão feliz. Naquela noite, depois de mamar, dormimos juntos, você com a cabeça em meu peito e toda uma nova vida para se viver.
Foi com você que eu aprendi a ser melhor e vivi momentos simplesmente inesquecíveis, você me trazia a beleza que não existia a minha volta.
Com você voltei a ler livros infantis, reaprendi a cantar com a voz mais suave as canções que sempre gostei de ouvir,  assisti por mil vezes o mesmo filme, só para te ver feliz, estava ao seu lado quando andou, falou, escreveu...  Por um tempo fui tua amiga de brincadeiras, aprendi a jogar bola e video game, brincamos, pintamos, choramos... Mas mesmo em períodos de confusão e dor, lhe olhava dormindo e quando me abraçava, meu peito se acalmava, eras (ainda é) um dos maiores motivos para amanhecer sempre para um novo dia.
Tenho orgulho de olhar para ti e reconhecer em teus olhos  o quanto estas crescendo, como a cada novo dia se torna uma pessoal  melhor e não deixo de me sentir vitoriosa ao saber que muito do que você é vem de mim. Admito que é assustador, por vezes, ouvir argumentações tão profundas e densas que mostras o quanto você está se tornando uma criança a cada dia mais madura e questionadora, a proximidade de um já anunciado caminho a adolescência dos questionamentos, novas experiências e crescimento pessoal.
Como mãe só posso olhar meu menino, que mesmo crescendo em estatura, quando me abraça ao se deitar, volta ser aquele pequenino ser, que com os olhos mais bonitos e expressivos do mundo, lia a minha alma, reescrevendo minha história, resignificando o meu existir.
 
Parabéns filho, por mais um ano de vida, por fazer parte da minha vida, por me proporcionar momentos dos quais nunca abriria mão de viver.

sábado, julho 25, 2015

É POR ISSO, MEU AMIGO, QUE VOCÊ É MACHISTA

Por esses dias um amigo do meu marido perguntou a ele se ele era machista, meu marido disse que sim, mais não soube explicar para ele o porque da afirmação. Disse para mim: - O melhor seria você explicar para ele.
Lembrei desse diálogo ontem a noite enquanto eu passava por uma experiência nada agradável.
Voltando do trabalho e indo para casa dos meus pais passar o final de semana com eles e com meus filhos, corri para pegar o ultimo ônibus, eram 00h00 e tudo que eu desejava era descansar. Entrei no ônibus, paguei minha passagem e passei a catraca, assim que eu sentei o motorista começou a me xingar:
- Tá faltando R$00,05 centavos, se não tem dinheiro desce e procura um ônibus de R$3,50.
- Não por isso, Senhor, pegue esses R$10,00, me devolve meus R$3,50 e fica tudo certo, não tenho R$0,05 centavos.
Ele pega o dinheiro, cobra a passagem, mais não me devolve os R$3,50.
- Senhor, meus R$3,50.
- Já te dei seu troco lindinha.
- O troco de R$ 10,00 sim, mas o restante que eu lhe dei não.
- Já te dei seu troco. – repete alterado
- Beleza, eu só quero ir pra casa, se você precisa tanto, fica pra você.
Sento num banco e começo a ler meu livro. Um ponto antes de mim as poucas pessoas junto comigo descem, só eu no ônibus, eu e a mulher do motorista que viaja com ele e seu bebê na ultima viagem. Chega meu ponto, dou sinal, o ônibus não para. Dou sinal para descer no próximo ponto, o ônibus segue.
- Moço, eu vou descer.
Nenhuma resposta e o ônibus segue até o ponto final de ônibus, a essa altura eu já estou nervosa demais e me calo com medo do que pode me acontecer. Ele abre a porta olha pra trás e diz: 
- Agora anda lindinha.
Sem outro ônibus que pudesse me levar mais próximo da casa dos meus pais ando o equivalente a três quarteirões, no meio de um frio acompanhada da garoa. Coloco minha boina, abaixo a cabeça, me amaldiçoo por estar naquele dia de batom roxo, rezo para que não notem que sou uma mulher caminhando a noite e sozinha. 
Não, não tirei foto da placa, não me lembro da cara do motorista, do rosto da mulher dele e do bebê eu me lembro, porque ela não olhava em meus olhos, baixava a cabeça e continuava o seu caminho junto com sua família. Afinal, era só um pai de família, e se eu punir ele, o que vai ser daquele bebê? Dai eu te pergunto, meu caro amigo, o que seria de mim se algo tivesse acontecido? O que seria dos meus filhos? Será que se fosse meu marido, ou mesmo um outro amigo nosso que tem quase dois metros de altura isso teria acontecido? E mesmo que isso tivesse acontecido com um deles, quais seriam os riscos para a vida deles? Talvez um assalto, isso é passível de acontecer com qualquer pessoa. Mais e a violência ao seu corpo, o pré julgamento por ser uma mulher andando sozinha pela madrugada, claro que não deveria estar fazendo coisa boa, que mulher respeitável anda a essa hora sozinha e chorando na rua?
Sim, meu amigo, sinto em lhe dizer, você é machista, e um da pior espécie, porque tenta diminuir os pequenos abusos como se eles não fossem nada demais, se diz contra a violência, mas não entende que o feminismo não é querer ter mais direito do que outros, antes e ser vista como um ser humano que tem o direito de ir e vir e não ser ameaçado por isso, que não precisa ser julgado pela genitália.. 
Vou continuar a andar de ônibus, a trabalhar a noite e a viver a minha vida, porque por mais medo e por mais memórias ruins que um abuso possa me trazer, eu sou uma pessoa de luta e por lutar por meus direitos jamais vou me render e fazer o que esperam que uma mulher faça.

quarta-feira, junho 17, 2015

Aceitando Felicidade

Terça, 09 de Junho de 2015

Por tanto tempo fui triste e sozinha que chegava achar engraçado o quanto achavam belo o meu sorriso. Mas sempre perdoei as pessoas por esse ledo engano, afinal estamos acostumados a ver apenas a parte rasa das pessoas.
Mas essa felicidade simples que tenho agora e faz meu mundo ganhar cor me obriga a abandonar minha inspiração na dor para escrever sobre os dias claros pelos quais sempre busquei.
Guardo comigo uma coleção de mensagens curtas que me fizeram renascer, sorrir na margem boa do meu rio.
Teus braços quentes me protegendo a noite sempre me salvam do mau e da solidão. Nos teus braço e me vejo bela, como se fosse meu espelho encantado, tu colheu meus cacos e hoje posso dizer que esse eu só existe por e para você.
As vezes penso se te mereço, mas ai eu me lembro que eu conquistei você e esse amor só vai durar pro resto da minha vida.
Todos os maus momentos pelos quais passei me preparam para você, somos como almas gêmeas, tinha que acontecer, e acontecendo cresceu e ao se expandir renasceu e tatuou-se em mim fazendo com que eu me sinta feliz. Obrigado por existir.  

terça-feira, março 03, 2015

Bebida Quente

Existem várias pessoas que tentam definir o amor e sua essência, tentam estudar e dissertar acerca de um sentimento tão complexo e inexplicável como é este. Há quem o compare com um fogo intenso que arde sem que possamos ver, outros que encontram o amor em linhas paralelas que se cruzam no fim do caminho onde o destino sempre faz com que se encontrem...
Eu tenho apenas uma palavra para definir o que sinto por ti, meu amor é como bebida quente, dessas que a gente toma num dia frio e que parece esquentar todo o nosso corpo, aquela que aquece os meus lábios, invade o meu corpo e faz com que  mesmo um dia ruim se transforme em um bom momento depois que encontro você.
És confortável e confiável , um momento de alegria como a hora do café, um calor que invade o meu corpo deixando-o febril mesmo sem doença Estar longe de ti para mim é como tomar chá gelado no inverno, sem sentido ou conforto meu ser se vê vazio sempre que estou sem teu carinho e tua presença para me confortar.
Minha bebida quente, meu momento de paz, para mim nosso amor e simples desse jeito, por isso cresce no peito cada dia mais, porque na simplicidade de nossas horas é que encontrei a paz para enfrentar a vida com suas pequenas batalhas e rotinas. 

Sangue Guerreiro - Um conto de amor Mandaloriano

À meu companheiro Vlademir


Porque quando a vida limita suas escolhas a única saída digna que se tem é lutar...
Corria desesperada em meio a floresta, queria fugir para longe daquele lugar onde era tratada como mera carne que satisfazia os desejos alheios. Ela não tinha mais identidade, não tinha nome, apenas a missão de dançar e encantar seu senhor e a quem ele quisesse lhe emprestar.
Fazia uma semana que havia conseguido fugir daquele covil, utilizando como arma sua sensualidade, seduziu um piloto e prometendo que seria sua conseguiu roubar sua nave e fugir para longe.
- Não me orgulho de ter tirado a vida dele tão facilmente, mas também não me arrependo de fazer algo por mim, lembrando que eu também sou alguém.
Aquela altura, os servos de seu senhor já estavam atrás dela, que acabou caindo naquele estranho planeta da Orla Exterior, queria muito fugir, tinha apenas em sua mente o desejo de sobrevivência e a vontade de voltar a pertencer a si mesma. Mas sua força estava se esgotando, a corrida sem rumo fez com que suas pernas, já cansadas, ficassem cheias de arranhões, o sangue escorria de suas feridas, as pernas tremiam e ela insistia em não desistir daquela empreitada maluca, afinal, se não lutasse seu único destino seria a morte, e mais do que nunca tudo o que ela queria era viver para experimentar a sensação de ser livre.
Esbarrou em um galho e caiu exausta ao chão, os guardas de seu senhor chegaram até ela, tudo o que ela pode fazer foi fechar os olhos e esperar por sua execução.
- Ao menos morrerei livre.
Foi então que ouviu o tiro, um disparo por entre as árvores, um dos guardas caiu imediatamente ao chão, o outro tentou avançar nela segurando-a pelos braços, ela se debatia e o mordeu, levou um soco no estomago e caiu, ouviu mais um tirou, dois tiros enquanto caia no chão. E, de repente, tudo se fez silêncio.
Quando acordou estava dentro de uma caverna, seu corpo antes quase nu  estava devidamente coberto por uma capa. Ficou assustada quando ao limpar os olhos na tentativa de ver direito, viu um vulto caminhando em sua direção. Era tão alto e forte que tudo que ela pode fazer foi esperar pelo pior. Olhou a sua volta, viu um punhal que fora posto em seu lado, o pegou nas mãos e gritou.
- Não se aproxime, ou eu acabo com você, eu posso até morrer junto, mas te levarei comigo.
Só o que pode ouvir foi uma risada alta, era como se ela tivesse contado uma piada. Mesmo se sentindo dolorida, com as pernas tremulas ela levantou e continuou apontando o punhal para a figura que caminhava ao seu encontrou. Ele então parou a uma curta distância dela, tirou seu capacete e disse.
- Acalme-se, vocês esta sem força, não conseguiria me ferir nem que tentasse muito. Ès tão forte como um verdi’ka em treinamento, não conseguiria me fazer mal algum.
Mesmo assim ela correu em sua direção e tentou ataca-lo.
-Não me ofenda, conheço teu povo vendido, não vais me devolver por dinheiro nenhum aquele monstro novamente, seu ordinário sem princípios, mercenário lacaio do inferno.
- Mais quem disse que eu vou te vender? Essa não é a minha missão. Logo não tenho nada haver com isso. Estava apenas concertando a minha nave para voltar para o meu planeta quando resolvi te ajudar porque lhe achei interessante. Consegue compreender que eu realmente só estou lhe ajudando ou já se tornou um animal como o seu senhor?
Falando isso segurou rápido em suas mãos, derrubou ela no chão imobilizando-a com cuidado de não feri-la, tamanho era seu estado físico de desgaste. Aos poucos ela se acalmou, encostou o rosto no peito do homem e começou a chorar. Ele sem saber o que fazer apenas a apertou em seus braços enquanto acariciava seus cabelos.
Aos poucos ela foi se acalmando, a sensação de estar nos braços de alguém que tentava lhe confortar parecia estranha, não sentia aquela sensação desde o dia em que se separou de sua mãe que a apertou forte nos braços enquanto a levavam embora, pois fora vendida por seu pai para pagar uma divida de jogo. Desde então ela jurou que nunca mais usaria seu nome visto que se envergonhava de saber que aquele monstro era o seu pai.
Depois de algumas horas nos braços do homem que diante da ação da mulher se manteve em um misto de embaraço e encanto, ela se afastou envergonhada com sua atitude infantil. O homem lhe sorriu um sorriso largo e disse:
- Sou Jurir, e qual seria o seu nome?
- Eu não tenho nome.
- Como assim não tem nome? Devem te chamar por algum nome, qual seria?
- Pouco importa, eu sou uma escrava, só vivo para dançar e encantar os olhos alheios, não tenho direito a um nome, sirvo apenas para dar prazer momentâneo.
- Mas nasceu escrava? Antes disso nunca te chamaram por nenhum nome.
Ela pensou em sua mãe, lembrou de seu passado e de cabeça baixa disse apenas:
- Brile
- Brile? Nome interessante, mais um pouco pequeno.
- Tenho nojo do meu outro nome, prefiro apenas esse que me trás alguma recordação e não acho que preciso de outro.
- Entendo. Bom, apresentações feitas, sugiro que você se cubra novamente, a noite esta chegando e vai esfriar muito por aqui. Vou procurar algo para comermos. Não tenha medo, comigo estará segura e vai demorar ainda alguns dias até que venham atrás de você novamente.
Colocou o capacete e saiu da caverna rapidamente, deixando-a para trás.
Ela ficou olhando na direção em que ele se foi e pensando no que faria com a sua vida a partir daquele momento. Lembrou-se de como aquele estranho havia resgatado ela tão facilmente, se sentiu tão fraca, desejou ser como ele, ter a força dele, quem sabe a vida não lhe seria mais leve. Pensou por tanto tempo que acabou adormecendo novamente.
Acordou com os primeiros raios de sol batendo em seu rosto, olhou em volta e notou que o homem dormia ao seu lado, ficou sentada e observou o espaço por mais tempo, notou que ele havia trago um pouco de comida e resolveu preparar uma boa refeição como recompensa antes de ir embora.
Jurir acordou com um cheiro tão bom, não sabia bem dizer o que era, só sabia que há muito tempo não sentia tanta fome como que o aroma despertou nele. Foi para frente da entrada da caverna e encontrou a moça mexendo no fogo. Era realmente uma mulher muito bonita, suas pernas expostas chamavam muito atenção, tanto que ele sentiu o rosto avermelhado ao perceber que olhava com desejo para ela
- Bom dia. – disse ela com o sorriso.
- Bom dia. – respondeu com a cabeça baixa
 - Não sabia que existiam mandalorianos tímidos.
- E eu não sabia que você conhecia meu povo[l1] .
- Minha mãe contava histórias sobre um povo onde homens e mulheres eram  todos guerreiros e iguais onde a honra e a superação dos medos ajudava a formar um verdadeiro espírito guerreiro.
- Sua mãe conhecia Mandalor?
- Não, apenas foi apaixonada por um de seu povo, pena que quando o pai dela descobriu a vendeu para o meu pai que a tomou como esposa tamanha era sua beleza, por isso não me orgulho do meu nome.
- Entendo... Se o passado incomoda que ele não exista mais a partir de agora.
- Concordo com você. Vamos comer?
Os dois se sentaram para comer e enquanto comiam o homem olhou mais uma vez para mulher ainda seminua a sua frente e mais uma vez, envergonhado, lhe disse
- Você não gostaria que eu lhe emprestasse roupas, não ficaram bonitas, mas lhe deixaram mais confortável.
- Se tiver lhe agradeceria, já estava começando a ficar com frio.
Depois de comerem ele entrou na caverna e saiu com uma muda de roupas e deu nas mãos da mulher que correu para dentro da caverna para se trocar. Já estava quase totalmente vestida quando ouviu o som de luta vindo de fora. Jurir havia sido atacado por muitos homens de seu senhor e o levavam para uma nave.
O medo tomou conta dela, por um minuto sentiu vontade de ficar escondida para sempre naquela caverna e deixar o homem a própria sorte,mas ela o havia envolvido nisso, ele a ajudou sem precisar, logo, quem ela seria se o deixasse morrer. Sabia que não possuía a força e nem o treinamento dele, mesmo assim optou por não deixar com que ele morresse sozinho. Sua vida sempre valeu muito pouco, ao menos agora poderia morrer com dignidade.
Pegou o punhal que o homem tinha deixado ao seu lado e correu se escondendo em meio a mata com o objetivo de resgatar o seu salvador. Perto de uma clareira, duas naves estavam pousadas, uma ela já conhecia muito bem, era a que pertencia aos homens de seu senhor, a outra, certamente deveria ser a de Jurir.
Ficou por algumas horas tremendo e imaginando como poderia agir, até que viu dois homens saírem da nave desconhecida com Jurir , o amarraram em uma árvore e  entraram novamente para dentro da nave.
Nesse momento ela tentou se aproximar e soltar Jurir, pena que ela não notou que um dos homens se aproxima dela, quando sentiu alguém puxar seu braço teve tanta raiva que puxou o punhal e cortou a mão do homem que caiu gritando. Mau o infeliz havia caído, ela investiu o punhal três vezes contra seu peito.
O barulho fez com que, tantos os homens que estavão na nave mandaloriana como três que estavam na outra saíssem correndo na direção da floresta. Brile, correu na direção oposta do corpo e subiu no alto da copa de uma árvore para se defender, as lagrimas escorriam por Jurir, mas ela não temia sua morte, ao contrário sempre a desejou.
Quando a localizaram e iam atirar ela fechou os olhos esperando por seu fim, mas ao contrário do que pensava não encontrou sua morte..
- Mas como?
- Um mandaloriano nunca esta desarmado se tem sua armadura, além do mais eu só me deixei capturar para roubar as peças que faltavam para a minha nave. Venha, desça dessa arvore agora.
Pousou com a mulher em frente aos cinco homens  que o olhavam com ar de espanto, sendo que um deles gritava de dor pelo tiro que havia levado em sua mão. Olhou para mulher, estendeu o punhal novamente e disse:
- Agora vamos acabar com tudo isso.
Lutar ao lado dele, ver ele matando aqueles canalhas enquanto ela se defendia com o punhal, estar ao lado dele, em meio aquele caos, se sentia forte como nunca. Era como se os dois fizessem uma dança magnífica, era como se fizessem amor em meio ao caos.
E foi assim que Brile descobriu que queria ser forte como aquele homem, que queria pertencer aquele homem de todas as formas que deveriam pertencer um ao outro.
Passada a batalha, com todos os homens mortos ela lhe falou:
- Me ensina a ser como você? Sei que nunca vou ter o sangue de guerreira, mas não quero sentir mais medo, quero viver esses momentos de batalha e caos que parecem que me trouxeram sentido a vida. Me deixa ser sua?
Ele olhou bem em seus olhos, pegou em suas mãos e disse:
Repita comigo:
- Mhi solus tome. 
- Mhi solus tome. 
- mhi solus dar'tome, 
- mhi solus dar'tome, 
- mhi me'dinui an, 
- mhi me'dinui an, 
- mhi ba'juri verde.
- mhi ba'juri verde.
- O que isso quer dizer, Jurir?
- Que agora você é minha mulher, nos somos um só e te levarei comigo para que possas aprender a minha cultura, conhecer meu clã e completar a cerimônia de nossa união.
E foi assim que Brile se tornou uma Shev´la, uma das espiãs mais fortes e frias do clã e uma das mais honradas guerreiras que sempre cumpria suas missões e trazia consigo troféus para oferecer aos seus filhos enquanto lhes contava histórias sobre suas missões.





 [l1]

sexta-feira, fevereiro 06, 2015

Das Verdades do Amor

Quando olho para teu corpo dormindo ao lado meu, admiro cada detalhe do teu rosto e começo a pensar:
- Como pode haver sentimento tão grande como aquele que lhe tenho?
Nos teus braços encontro o conforto e a paz que preciso para seguir meus dias sorrindo.
Ao dividir um café ou cobertor, sinto como se estivesse completa, já não me entrego tão facilmente a solidão.
Desejo teu corpo constantemente junto ao meu, sem pudores, sem limites, sem desculpas, pois um relacionamento sem sexo também pode ser amor, mas amor em sua forma mais pura e primária a amizade.
Teu corpo cura até minhas enfermidades, pois quando estamos juntos esqueço todos os meus problemas, mando embora todo o cansaço de dias rotineiros que só nos servem para roubar a alma e trazer dinheiro para casa.
Sobre o amor me revoltam aqueles que o procuram em livros, filmes ou novelas, a vida também e uma obra de arte, amar faz parte do caminho de todos aqueles que almejam sempre ser feliz.
Até nas atividades mais simples e rotineiras coloco todo o meu amor, pois não quero fazer da minha vida rascunho pré fabricado, quero nascer, crescer r multiplicar, e nós intervalos aproveitar para viver no tempo de Kairos sempre guardando na memória tudo aquilo que e bom, pois de rotineira e vazia basta o dia-a-dia dos meios e redes sociais.
Nessa vida só vale a companhia de quem fica ao teu lado te aceitando como és, de quem muda sua vida assim, de repente, sem cobranças, naturalmente, pois somos seres em eterna mutação. E se um dia encontrar um amor que queira te mudar, do vestir ao pensar, saia correndo para casa, pois amor quando verdadeiro não te cobra o tempo inteiro e sim faz bem ao coração.
Das verdades do amor só sei que o importante é amar, entrar na vida um do outro para fazer bem, para fazer com que o seu alguém, sorria no escuro ao lembrar do teu nome e verta lágrimas só de alegria ao longo dessa nossa curta vida onde só vale a pena sentir aquilo que sempre nos faz sorrir.

quinta-feira, janeiro 08, 2015

Horizonte de Mim

Dedicado ao meu marido Vlademir, que me fez reaprender a gostar de mim.
Isso foi tudo o que aconteceu na minha cabeça, quando decidi te conhecer.

Dezembro de 2010....
Engraçado como a gente se acostuma com tudo, até com aquilo que não nos faz bem. Finais de ano sempre abrem minhas feridas e jogam sal em cima das minhas esperanças, porque todo ano eu escolho me renovar e por isso mesmo mato o que eu era para começar a ser o melhor que eu posso.
Voltar naquela praia e vislumbrar mais vez aquele belo horizonte, naquele local onde eu fui feliz por sete dias, esses que me roubaram anos de vida. Eu precisava daquele sol na pele, sentir minha cor morena brilhar com a alegria de se mostrar aos céus. Tinha necessidade de entrar naquele mar sentir a água salgada temperando meu corpo e levando para longe toda vergonha escondida na carne, todo o suor derramado em vão, bem como cada lágrima que agora parecia nunca ter feito parte de mim. Eu tinha necessidade de tudo aquilo, só não precisava mais de você, se é que um dia eu realmente precisei.
Alguns amores sofridos acabam na cama, outros com um até logo que teme o adeus, o meu acabava ali na praia com o gosto de algo que nunca existiu. Essa ideia que outrora me fizera chorar agora vinha como brisa aliviar o meu coração, era como se eu tivesse me livrado de uma prisão onde eu escolhi me prender.
- Acho que não importa o que aconteça, nós sempre vamos terminar juntos.
No dia em que ouvi isso de sua boca todo meu sentimento morreu, e neste instante deixei de te amar, só tua vaidade não percebeu...

Meia-noite, é Natal, recebo uma mensagem, a angustia me invade e a unica coisa que consigo pensar: - Espero que não seja ele.
E não era ele, meu coração palpitou, tentei responder, nada, sem créditos. Deitada dentro da barraca, olhando para o teto enquanto meu filho dormia pensava naquela mensagem, daquela pessoa que mal conhecia, me chamava de senhorita e me tratava como uma dama. Eu achava isso engraçado,estava tão remendada em mil pedaços , mas você não me via aos trapos, conseguia enxergar para além das minhas palavras e isso me fazia querer estar com você, me fazia querer te olhar nos olhos nem que fosse para agradecer todo o tempo perdido com alguém tão perfeitamente ferido.

 8 de Janeiro de 2011- Os dias se passaram, malas prontas é hora de partir e me despedir daquele belo lugar que um dia me fez sacrificar três anos da minha vida na esperança da repetição de sete dias que, ao teu lado, nunca chegaram. 
No caminho para casa olhava para o meu celular, relia aquela simples mensagem e tinha vontade de encontrar logo com o destinatário olhar em seus olhos e dizer: Obrigada por entrar na minha vida tão naturalmente.
Chegando em casa, liguei para você, marcado encontro para o dia seguinte, pensava em tudo que havia deixado e do qual eu consegui me livrar, agradecia por saber que estava pronta para recomeçar a viver minha vida do jeito que agora eu escolhia sem precisar pisar ou machucar ninguém, livre de alma e coração para lhe deixar entrar. Naquele noite depois de conversarmos dormi de exaustão, sonhei que sentia o toque da suas mãos nas minhas, te olhava nos olhos e com um belo sorriso dizia:

- Estou pronta, me ajuda a escrever uma história a quatro mão

terça-feira, janeiro 06, 2015

Sobre Espelhos Turvos

Serei eu essa imagem que o espelho reflete, ou sou algo além do que os meus olhos podem ver?
Como e duro se olhar e não se enxergar, todos os dias lutar contra demônios interiores que sempre lhe apontam o dedo no rosto e dizem:
- Você poderia ser melhor.
Esse dilema não pertence apenas a uma garota, pertence a todas, pois o fato de ser mulher lhe dá a obrigação de ser perfeita aos olhos dos outros, e isso e demasiadamente desumano.
Quando me olho no espelho não consigo gostar do que vejo, tenho tantos espectros de palavras mal ditas, que até hoje Mr pergunto:
- Será que as pessoas realmente não sabem o poder que tem suas palavras? Elas realmente não percebem que a brincadeira feita pode se tornar a cruz de uma vida.
Quando adolescente tinha vontade de fazer cosplay, mais dai um amigo brincalhão me disse: - Só se for de Pocahontas.
De fato, a cor da minha pele e um tanto diferente, sou uma mistura de etnias fantástica e, antes disso, nunca senti vergonha desse fato. Agora já adulta, começo aos poucos lutar contra isso e até ensaio iniciar esse hobby, mas a critica sempre volta leve em mim e eu sempre me vejo perdida para escolher o personagem para fazer.
Ainda jovem sempre ouvia piadas sobre o defeito que tenho em um dos joelhos, logo saias e shorts nunca fizeram parte da minha vida, até o dia em que, aos 19 anos enquanto eu desfilava alguém disse: - Pernas bonitas e teu andar acaba se tornando único. Passei a ser mais feminina, mas ainda hoje, aos 30, tenho ressalvas em mostrar as pernas e virar  só pernas em meio aos outros.
Sempre fui magra, e mesmo após duas gestações, tenho o corpo muito harmônico, mesmo assim de uns tempos para cá está difícil me olhar ni espelho e gostar do que vejo. Seria crise da idade? Não, a minha alto imagem tão distorcida foi construída ao longo de anos de opiniões negativas, e agora que a vida pessoal está tranquila olho no espelho e vejo todas essas feridas abertas com o tempo e a maldade das pessoas e penso: - Por que fizeram isso comigo?
Olho para a minha filha tão linda e desejo profundamente que ela não passe por isso e que viva num mundo de pessoas que pensam o quanto suas palavras podem machucar. Mas sei que não posso lutar as batalhas dela, e isso me faz abrir essas feridas, para aos poucos curar todas elas e poder enxergar no espelho um alguém que me agrade e seja forte suficiente para ensinar a minha pequena que não importa o quanto a vida e os outros possam te machucar, o importante  e manter sempre vivo dentro de si aquele pedaço que quase ninguém vê, que fica escondido bem no cantinho dos olhos  e guarda a beleza do que realmente somos.
A você, minha cara amiga, que sofre com essas feridas saiba que todas essas imagens do passado vão acabar e um dia ainda, juntas, poderemos mostrar s todos o que realmente se deve enxergar na aparência de uma mulher.