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quinta-feira, novembro 27, 2008

Compreendendo Kafka


Após passar anos a analisar a obra a metamorfose, de Kafka, finalmente consegui compreender o porque de comparar o ser humano confuso a um inseto repugnante, pois é exatamente desse jeito que me senti,quando descobri que enquanto eu me sentia um lixo, tinha um inseto gigante ao meu lado.

Não culpo ele por ter se instalado ao meu lado, se você se reduz a lixo só pode atrair mesmo insetos, seres nojentos que evoluiem desses para lavas.

O pior foi ter a certeza de que naquela noite de palavras malditas, não participei de um ato de amor, apenas copulei como um animal caçado que se entrega por não possuir forças.

Meu grito interior é bem mais alto, bem mais forte do que aquele que saiu da minha garganta como um ato de libertação.

Nunca se sabe ao certo quando se conhece alguém, neste mundo não vale a pena sonhar, nem sentir nada por ninguém. Nesse enorme açougue em que vivemos, onde o homem é lobo do homem, todos se preocupam com o seu bem estar e passam por pessoas como se estas fossem pedras em seu caminho.

Devagar vou me libertando daquela cama e deixando a grande barata para trás, com os pés para cima, sem movimento corporal algum, só palavras que saem da sua boca nojenta a falar de coisas impossiveis, fatos improváveis, metas que nunca irá alcançar por causa de seus braços curtos e sua instabilidade.

Se ao menos ela soubesse voar, mas nem pra isso ela serve, visto que é mais comodo permanecer em seu estado de inércia, sendo alimentado, cuidado, sem sequer se esforçar.


Agora entendo Kafka, me considero sua amiga intima, pois assim como ele eu vivi essa metamorfose. Mas esqueçam minhas palavras, esqueçam Kafka, vamos viver como seres indiferentes que se importam simplesmente, com aquilo que adimiram no espelho.

COVARDE


Esse sentimento que me invade,

Sinto-me um covarde

por aceitar você.


Tão sem graça,

Pequeno, não és nada,

Além de um menino tentando aprender


Seus medos e inseguranças,

Esperavas que fosses menos criança

e aceita-se o belo dom de viver.


COVARDE, sempre vais ser

Nunca irás crescer,

Eterno menino perdido no parque.

Fim da Estação


Em algum ponto distante me perdi,

Fiquei parada no meio do nada,

A dor de existir sentia em mim,

Terei perdido o trem e a estação?



Sou gelada,

Uma metade de vazio.

Sentindo enorme frio,

me entreguei a chuva da renovação.



Dias melhores viram,

Os mortos não reclamam.

Um dia eu vou florescer






quarta-feira, novembro 12, 2008

Retrato Sujo


Qual é a pior mentira que você já se contou?


Certamente a minha foi dizer para mim mesma que o passado jamais iria interferir no meu futuro.


Depois daqueles retratos todos tirados com a cara saudável e feliz, eu devia ter desconfiado que alguém olharia mais fundo, entraria nos porões da minha vida e descobriria minhas maldições.


Certamente um dos meus piores defeitos sempre foi achar que o mundo era perfeito e que todas as pessoas podem ser realmente felizes.


Eu não sou, muitas outras pessoas não são e mesmo assim, marcham por este mundo como sombras que tem de seguir de qualquer forma.


A vida por vezes me cansa, num dia desses de nervoso abri a janela e pensava em me jogar. Eu sei que não possuo asas, só queria me machucar e nunca mais me recuperar, sendo egoista a ponto de abondonar o mundo que pouco me aceitou.


Por azar não tive coragem, o vento gelado da noite me deixou tonta o cheiro das presenças ao meu lado eram fortes, jamais poderia alegar que foi por solidão.


Se eu pudesse desfazer algo que eu fiz, se eu pudesse retirar as palavras que um dia disse, talvez tudo não pareceria tão dificil, talvez a vida fosse mais aceitavel e meu caminho menos árido.


Eu todos os dias acordo pensando se não poderia ser outra pessoa, traindo a mim mesma para merecer respirar o mesmo ar que os demais. Desejei tantas vezes seruma grande mentira que agora cada vez mais nada sou.

segunda-feira, novembro 10, 2008

O Toque


NÃO! Me polpe do toque do teclado.

Estou menos disposta ainda a recebe-los vindos de uma caneta

Tem dias em que até o mais fervoroso poeta, simplesmente para tudo e vai dormir


Eu quero sim, um aperto de mão de um amigo

Um beijo carinhosos de meu filho

Quem sabe um abraço que mostre carinho?


O que eu preciso é tão pouco,

mas quando não se tem, torna-se precioso.


Se toque, me toque, ou esqueça de mim

para ser sozinha não preciso de companhia



Quem nunca sofreu sem carinho

decerto também nunca amou.


terça-feira, novembro 04, 2008

Iconoclasta


As mentiras cotidianas, o caos da falsidade diária, a arrogância concreta. Estava farta daquele ambiente, queria fugir para um local onde houvesse o mar, onde pudesse pisar na areia e sentir os grãos gelados da despreocupação ao seu redor.

Porém, morava na cidade com concreto ao redor e pesadelos na esquina, não sabia se portar como uma boa filha, tão pouco como uma boa figura de familia. Era o mostro de si mesma e se auto destruia desde o momento em que abria os olhos para o mundo.

O que fazer para ser igual?

Na verdade ela não queria ser igual, não pretendia ser como a mulher zelosa que cuida da casa como se esta fosse sua própria essência, mas ao mesmo tempo desejava ter um porto seguro onde pudesse se esconder do tempo e de suas tempestades internas.

Era uma mulher diferente, se acaso mulher era, um desses tipos apagados que anda com a cabeça pra frente e o sorriso no peito. Não gostava de sua imagem, mas também não desistia de si mesma.

O que dizer dessa figura? Como contar sua trágica historia?

Simples...


Um dia ela resolveu destruir tudo ao seu redor.

Pegou a garota dos seus pesadelos conjugais e a afogou em um balde de água cheio de petalas de flores azuis. Matou-a com a sua raridade intacta.

Alugou uma maquina dessas pesadas de construtor e de uma só vez lançou a grande bola de ferro em direção ao seu portão. A poeira que subiu da antiga construção tinha cheiro de liberdade, mas não deixou de sentir dor.

Chorando, rasgou seus poemas, escritos por ela, por ele, por todos aqueles que ousaram lhe desafiar em palavras e planos. Foi ousada ao se desfazer das palavras aceitando seu silêncio.

Matou seu amor maternal(infernal) e o transformou em algo maduro, entendeu que por mais que lhe doa o destino de seu rebento e crescer e ser livre. Desfez o nó, mas não o jogou de escanteio.

Por ultimo, olhou seu amado, aquele que lhe causava arrepios, dores de estômago e queimação na face, beijou seus lábios e o matou. Com sutiz machadadas desmembrou aquele corpo desejado, aquele ser amado foi destruido para nunca mais viver....


Depois de toda essa destruição, sentiu-se tonta e caiu no chão. Ao acordar, muito pouco lhe restava, mas em meio ao um imenso vazio algo brilhava. Era forte, intenso e caminhava em sua direção.

Aos seus pés pode ver um homem, não era aquele com quem sonhava, ele já não carregava aquela imagem desbotada, era outro, mas era, e estendia as mãos para ela em uma grande promessa de amor mortal.

Aceitou sua oferta, desistiu de destruir e resolveu construir uma vida verdadeira, sem fantasias ou falsidades, apenas a realidade. Neste dia deixou de construir seus sonhos em areia e passou a cultivar flores amarelas e simples em um jardim que era alimentado pelo ânimo infantil do fruto daquele amor: Seu filho.